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Corbiniano

Virgínia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Tudo é estilo em Corbiniano, tudo é seu nome acrescido das paixões que ele transformou na pedra de seus metais (LEAL, 2006, p. 127).

  

O desenhista, pintor e escultor olindense José Corbiniano Lins nasceu no dia 2 de março de 1924.

Desde os oito anos, brincava de copiar desenhos, quadros, gravuras. O gosto pelo desenho artístico veio com os estudos na Escola de Aprendizes Artífices de Pernambuco (depois, Escola Técnica; Centro de Formação Tecnológica de Pernambuco (Cefet) e, hoje, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco).

Em 1948, a Sociedade de Arte Moderna do Recife (SMAR) foi fundada por um grupo de artistas, entre os quais, Hélio Feijó,
Abelardo da Hora, Ladjane Bandeira, Augusto Reinaldo, Darel Valença, Delson Lima, Corbiniano, Reynaldo Fonseca, Samico, Celina Lima Verde. Graças à determinação de alguns artistas, foi criado o Atelier Coletivo e, o grupo que fazia parte do Atelier, fundou o Clube da Gravura, ambos ligados à SAMR.

Em 1949, começa a pintar e, no ano seguinte, já participa do Salão Oficial do Museu do Estado de Pernambuco.

Corbiniano Lins concebe suas esculturas utilizando isopor, metal, alumínio, desde o início da década de 1960. Antes de passar para o metal, Corbiniano modela suas esculturas em isopor. Só depois de terminada ele as passa para o alumínio. O alumínio é mais leve, e se for preciso retocar, basta usar sua própria limalha do metal, que não revela as correções, diz o artista. Anteriormente, ele as construía com terracota, ferro e outros materiais. O curioso é que para trabalhar bloco de isopor ele lança mão de um instrumento simples: uma faca comum.

Entre as suas inúmeras esculturas, o destaque é para a forma sinuosa feminina. Certamente, por ter nascido numa família de seis mulheres, Corbiniano as tenha como referência. Todas as mulheres estão em cada uma de suas mulheres, diz Leal (2006, p. 27), autor de livro sobre o artista. E acrescenta, em outra página, a voz de Corbiniano sobre suas esculturas femininas: Se hoje sou Corbiniano, devo isso à mulher [...] (p. 61).  Elas são destaque também em alguns de seus álbuns de serigrafia: Recife de Janeiro a Janeiro, Xangô Número 2, Nus, Mulher, Ela.

Corbiniano tem seus trabalhos espalhados em diversas cidades do Brasil: painéis entalhados, esculturas em concreto e alumínio, pinturas... Tantos que ele mesmo já perdeu o destino de alguns. Se fosse organizado, tivesse tudo datado, em pastas, com nomes de colecionadores, endereços de todas as peças, não seria eu. Eu sou isso também (LEAL, 2006, p. 37).

A trajetória artística de Corbiniano já tem mais de meio século. A história das artes plásticas em Pernambuco tem na sua pessoa um marco representado por sua atuação, criação e participação em diversas exposições coletivas e individuais em galerias, museus, espaços culturais e salões de arte no Recife, Olinda, São Paulo, Rio de Janeiro, na Europa e na América Latina. Destacamos:

1952  - Ingressou no Atelier Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife.
           Concorreu ao Salão do Museu do Estado de Pernambuco e obteve menção honrosa.
           Junto com outros artistas fundou o Clube da Gravura, ligado à Sociedade de Arte Moderna do Recife.

1954  - Foi premiado no Salão da I Exposição do Atelier Coletivo.
           Expôs em Goiânia, Goiás durante o I Congresso Nacional de Intelectuais.
           Apresentou trabalhos na exposição de gravuras brasileiras que percorreu oito países da Europa, além da Argentina e Mongólia.

1955  - Foi premiado pelo Salão Oficial do Estado. Participou, em Israel, da exposição patrocinada pela Sociedade de Arte Moderna do Recife.

1957
  - Foi lançado pelo Clube da Gravura um álbum de gravuras, do qual participaram Wellington Virgolino e Wilton de Souza.

1958  - Conquistou o 1º Prêmio do Salão Oficial do Museu do Estado de Pernambuco e  participou de várias exposições coletivas.

1959  -  Expôs individualmente no Recife e em São Paulo.

1960  - Lançou um álbum com dez xilogravuras.

1961  - Lançou o 2º álbum de gravuras, em cores.

1962  - Obteve o 1º Prêmio de Escultura em concurso do Banco do Brasil, agência Centro, Recife.

1963  - Recebeu a Medalha Pernambucana do Mérito.
           Executou o monumento do 1º Centenário de Campina Grande.
           Criou a Sereia do Mirante, em Maceió, AL.
           Executou painel para o edifício do Fórum de Campina Grande, Paraíba e a figura-símbolo do Clube do Trabalhador, da mesma cidade.

1965  - Executou os monumentos do Vaqueiro e o de Iracema (Fortaleza, CE); a estátua de Iracema (Ipu, CE); e o portão-mural do edifício Santo Antônio
           (Recife-PE).

1966  - Participou da I Bienal Nacional de Artes Plásticas.

1967  - Pintou os paineis em azulejo sobre as revoluções pernambucanas de 1817 e 1848 e fez uma escultura de Santo Amaro, todos para a Biblioteca Municipal
           de Santo Amaro, Recife.
           Executou o monumento do Trabalhador de Paulo Afonso, BA, e a Decoração da Catedral de Floresta dos Navios, PE.

1969, 1972, 1975 e 1978  - Participou do Panorama da Arte Brasileira, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
           Venceu concurso para escultura do Banco do Brasil, agência Santo Antônio, Recife, PE.

1970 e 1973 - Lançou álbuns (Xangô,n. 1 e 2) em serigrafia; e outros com xilogravuras pela Imprensa Universitária da UFPE.
           Editou um álbum de nus em serigrafia.

1977  - Expôs na Lansing Art Gallery, em Michigan, EUA.

1992  - Participou do 1º Salão de Arte Religiosa da Argentina.

2000 – Realizou a exposição Cores e Volumes, em que apresenta 15 peças de alumínio unindo rusticidade à elegância de suas mulheres esguias e ousadas.

Corbiniano é o criador do troféu para o Prêmio
Cristina Tavares de Jornalismo instituído pelo Sindicato de Jornalistas de Pernambuco.

Aos 87 anos, Corbiniano continua em plena atividade, seguindo sua rotina de artista que utiliza seu talento para embelezar praças e edifícios de várias cidades brasileiras e do exterior, além de ilustrar livros e participar de comissões julgadoras de exposições.



Recife, 30 de maio de 2011.

 


FONTES CONSULTADAS:

 


CABRAL, Bruna. Bendito entre as mulheres. Arrecifes, Recife, ano 1, n. 7, p. 4-5, 22 maio 2011.

FONSECA, Homero. Corbiniano. Continente Multicultural, Recife, ano 6, n. 70, p. 56-60, out. 2006.

JOAQUIM, Luiz. Corbiniano desafia o equilíbrio com suas mulheres esguias e ousadas. JC online, Recife, 28 nov. 2000. Disponível em: <
http://www2.uol.com.br/JC/_2000/2811/cc2811_9.htm>. Acesso em: 24 maio 2011.

LEAL, Weydson Barros. Corbiniano Lins: um olhar sobre sua arte. Recife: Funcultura, 2006.

MANTUEFFEL,Hans Von. Corbiniano [Foto deste texto]. Disponível em: LEAL, Weydson Barros. Corbiniano Lins: um olhar sobre sua arte. Recife: Funcultura, 2006.p 133.

 


 
COMO CITAR ESTE TEXTO:

 
 

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Corbiniano. Pesquisa Escolar Online. Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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