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Artesanato do Barro

Regina Coeli Vieira Machado

Servidora da Fundação Joaquim Nabuco

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A arte do barro é uma atividade milenar existente há mais de 3.000 anos antes de Cristo. No Brasil é uma prática muito representativa para a cultura popular.

É uma herança deixada pelos índios. As índias faziam brinquedos de barro para os filhos e objetos domésticos como gamelas, tigelas, alguidares, potes e modelavam de acordo com sua criatividade e/ou necessidade, e pintavam com tintas fortes e coloridas, inspiradas na natureza.

O artesanato de barro é uma produção espontânea que parte da sensibilidade e ingenuidade do artesão.

O matuto é astucioso e tem uma imaginação fértil para criar. Usa o barro para fazer algo que lhe proporcione prazer, beleza e arte, fazendo do artesanato uma fonte de renda para sua subsistência.

Os artesãos do barro são artistas anônimos espalhados pelos sertões do Norte e 
Nordeste do Brasil. Em muitos municípios do Nordeste do Brasil e, em particular, em Pernambuco, é grande a prática do artesanato de barro, fabricado de forma rústica em Caruaru, Tracunhahém e Goiana, que são as cidades que mais se destacam na produção de cerâmicas utilitárias e ornamentais no Estado.

Em Caruaru, a prática do artesanato de barro teve origem no
Alto do Moura, lugar onde viveu o Mestre Vitalino, que foi destaque na produção de artesanato de Pernambuco e tornou-se o mais conhecido oleiro do Nordeste. Suas esculturas fizeram e ainda fazem sucesso no Brasil e no exterior.

Tracunhaém, localizado na mata Norte do estado de Pernambuco é conhecido como o "pólo cerâmico", porque a maioria da população dedica-se à produção de santos em barro.

Entre os principais artesãos desta região merece destaque 
Zezinho de Tracunhahém, que modela suas peças representando Santo Antônio, São Pedro, São José, Padre Cícero e outros.

Goiana, a terra do barro, localizada a 50 quilômetros do Recife, tem como principal atividade a modelagem de imagens de barro que lembram santos padroeiros da Igreja Católica (São Pedro, Santo Antônio, Santo Expedito) e de figuras representativas do folclore da Zona da Mata, tais como o pegador de caranguejo, o vendedor de abacaxi, o tirador de coco, o pescador. São também representadas as heroínas de Tejucupapo, 
o maracatu ruralo pastoril, as lavadeiras, os mendigos, os carvoeiros e diversas outras representações que expressam e enriquecem a cultura regional.

Os artistas que mais se sobressaem no artesanato de barro são 
Zé do Carmo e Gercino Santos, ambos conhecidos internacionalmente pelo talento e criatividade.


Recife, 1 de julho de 2003.
(Texto atualizado em 14 de setembro de 2007).



FONTES CONSULTADAS:


ALMEIDA, Renato. Artes plásticas folclóricas. Revista Brasileira de Folclore, Rio de Janeiro, v. 10, n. 28, p. 228-258, set./dez. 1970.

A CERÂMICA é técnica milenar. Suplemento Cultural D. O. PE, Recife, v. 15, p. 16-17, set. 2000.

ARTESANATO de barro. Foto nesse texto. Disponível em: <https://decasapramoda.wordpress.com/2015/02/23/artesanato-riqueza-cultural-brasileira/>. Acesso em: 2 ago. 2016.

MACHADO, Clotilde de Carvalho. O barro na arte popular brasileira. Rio de Janeiro: Lídio Ferreira Júnior Artes Gráficas e Editora, 1977. 214 p.

MIGUEZ, Renato. Ceramistas populares de Pernambuco. Revista Brasileira de Folclore, Rio de Janeiro, v. 10, n. 28, p. 228-258, set./dez. 1970.



COMO CITAR ESTE TEXTO:


Fonte: MACHADO, Regina Coeli Vieira. Artesanato do barro. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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