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Plantas Medicinais

 

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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         O uso de plantas como medicamento é provavelmente tão antigo quanto o aparecimento do próprio homem. A preocupação com a cura de doenças sempre se fez presente ao longo da história da humanidade.

Bem antes do surgimento da escrita, o homem já utilizava ervas para fins alimentares e medicinais. Buscando as espécies vegetais mais apropriadas para sua alimentação ou para cura de seus males, nossos ancestrais foram descobrindo as que serviam para se alimentar, se medicar, as que eram venenosas e as que causavam efeitos alucinógenos.

Um tratado médico datado de 3.700 a C., escrito pelo imperador chinês Shen Wung, é um dos mais antigos documentos conhecidos sobre as propriedades medicinais das plantas. Os egípcios, 1.500 a. C. já utilizavam ervas aromáticas na medicina, na culinária e, principalmente, em suas técnicas para embalsamar os mortos. Os sumérios da Mesopotâmia possuíam receitas valiosas, que só eram conhecidas por sábios e feiticeiros. Na Índia, aproximadamente no ano 1.000 a. C., o uso de ervas era bastante difundido.

          Durante a Idade Média, o cultivo das ervas utilizadas como alimentos, bebidas e remédios, ficou a cargo dos monges, que as plantavam ao redor dos mosteiros e igrejas.

Na Europa, principalmente na Inglaterra, a medicina alternativa tem cada vez mais adeptos e nos Estados Unidos há uma grande quantidade de farmácias naturais.

No Brasil, o conhecimento das propriedades de plantas medicinais é uma das maiores riquezas da cultura indígena, uma sabedoria tradicional que passa de geração em geração. O índio tem um conhecimento profundo da flora medicinal, retirando dela os mais diversos remédios, usados de diferentes formas. Suas práticas curativas e preventivas estão relacionadas com o modo como ele percebe a doença e suas causas, sendo realizadas pelo pajé em rituais cheios de elementos mágicos e místicos.

Existe uma grande quantidade de espécies em todo o mundo e a Amazônia abriga 50% da biodiversidade do Planeta. De acordo com dados de instituições de pesquisas da região, cerca de cinco mil, dentre as 25 mil espécies amazônicas, já foram catalogadas e suas propriedades terapêuticas estudadas.

As plantas medicinais podem ser adquiridas em mercados públicos, lojas de ervas, podem ser colhidas no campo ou cultivadas em jardins, hortas, e até em vasos.

Mais de 25% de todos os medicamentos são de origem vegetal. As plantas medicinais sempre foram objeto de estudo, buscando-se novas fontes para obtenção de princípios ativos, responsáveis por sua ação farmacológica ou terapêutica.

 Do ponto de vista científico, no entanto, ainda é um campo pouco estudado e difundido no País, apesar da riqueza da flora brasileira, ficando os estudos na área mais restritos à antropologia e ao folclore, através da medicina popular.

         Apesar de muitas plantas serem úteis ao homem, existem aquelas que produzem substâncias tóxicas ou venenosas. É preciso conhecer bem as características de cada planta para poder usá-la como remédio.

 É comum se ouvir dizer que o uso das plantas medicinais se não fizer bem, mal não fará, porém não é bem assim. Sua utilização inadequada poderá trazer efeitos indesejados. É necessário ter conhecimento da doença ou do sintoma apresentado e fazer a seleção correta da planta a ser utilizada, além de preparação adequada. A forma de uso, a freqüência e a quantidade são aspectos muito importantes para sua utilização. A dosagem deve observar a idade e o tipo de metabolismo de cada pessoa.

         As plantas medicinais podem ser preparadas utilizando-se diversas formas:

·         cataplasmas (preparação de uma espécie de pomada para uso externo, de uso tópico);

·         decocção (fervura para dissolução das substâncias através de ação prolongada da água ou calor);

·         inalação (combinação de vapor d’água com substâncias voláteis das plantas aromáticas);

·         infusão (modo tradicional de preparação dos chás);

·         maceração (a substância vegetal fica em contato com álcool, óleo, água ou outro líquido para dissolver o princípio ativo) ;

·         sumos ou sucos (espremidos em pano, triturados em liquidificador ou pilão, podendo ser adicionada água ou não);

·         vinhos medicinais (preparações para dissolver as substâncias vegetais em vinho puro);

·         poções (soluções onde são agregados xaropes, tinturas, extratos ou outros ingredientes);

·         torrefação (utilizando-se o fogo para retirar a água e modificar algumas propriedades da planta);

·         ungüento e pomadas  (preparado através da mistura do suco, tintura ou chá da planta medicinal com vaselina ou lanolina).

·         xarope (preparações dissolvendo-se a substância da planta em açúcar e água aquecidos, obtendo-se o ponto de fio).

As plantas medicinais são utilizadas para os mais diferentes efeitos, entre os quais podem ser destacados: o anticatarral (inibe a formação de catarro); o antiespasmódico (evita ou alivia as contrações musculares dolorosas); antiflatulento (elimina os gases intestinais); anti-reumático (combate o reumatismo); antitussígeno: (inibe a tosse); diurético (auxilia a eliminação de líquidos pelos rins); emético (provoca vômito); expectorante (elimina a mucosidade do aparelho respiratório); hemostático (estanca hemorragias); laxante (solta os intestinos); obstipante (prende os intestinos).

          Abaixo estão relacionadas, em ordem alfabética, algumas plantas medicinais com seus nomes populares e suas indicações terapêuticas:

  

abacate – a casca é vermífuga e anti-hemorrágica; o caroço ralado é um tonificante do couro cabeludo e o chá das folhas é indicado para problemas renais;

abóbora  (jerimum) – vermífugo, especialmente indicado para a taeníase (tênia); (verminose);

agrião  - infecções das vias respiratórias, antianêmico e digestivo;

alfavaca – antigripal, diurética e hipotensora. As sementes são usadas contra blenorragia;

alho roxo – dores de dente, cólicas, flatulência, asma e prisão de ventre;

andiroba – o óleo das sementes friccionadas é usado para bursites e nevralgias, funcionando também como repelente de insetos;

arnica (erva lanceta ou rabo de rojão) – serve para pancadas, contusões;

babosa – o sumo das folhas é usado como xampu anti-caspa, combate à queda de cabelos e para lavar feridas, úlceras, eczemas e hemorróidas;

boldo – digestivo, antitóxico, combate a prisão de ventre e é usado também nas febres intermitentes;

camomila – antiespamódica, antinevrálgica, digestiva, combate urticárias e inflamações de garganta;

cabacinha – utilizada em infusão para o combate a sinusite. O chá é abortivo.

capim-santo – tranqüilizante, usado também contra as diarréias e a hipertensão;

carrapicho – o chá das folhas serve para combater diarréias e problemas renais;

cidreira – o chá é calmante e faz bem ao estômago e combate a diarréia;

eucalipto – o chá combate a febre e a inalação serve para sinusite e broquite;

erva-doce – tranqüilizante, antiespamódico, afrodisíaco e diurético;

fava – a infusão das folhas usadas para banhos e emplastos é usada contra impetigo;

goiaba – o chá dos brotos novos serve para combater a diarréia;

graviola – o chá das folhas é usado contra o diabetes;

hortelã – é antiespamódica, atua contra vômitos, combate enxaquecas;

ipecacunha – o chá da raiz combate anginas, úlceras e sífilis. O lambedor é usado contra a gripe;

jabuticaba – gargarejo com a casca do fruto cozido serve para afecções da garganta;

jurubeba – desintoxicante e combate os males do fígado;

louro – o chá das folhas é usado contra reumatismo e nevralgias;

manjericão – o chá com leite é sedativo da tosse;

maracujá – tanto as folhas como o fruto são calmantes;

mastruço – expectorante, antiinflamatório e o chá serve para cólicas;

melancia – diurético;

mulungu – o chá é indicado para bronquite, asma, febre e problemas hepáticos, e o banho com a infusão da casca é calmante e combate a insônia;

pau-brasil -  a infusão das folhas é indicada para o combate ao diabetes;

pitanga – o chá das folhas é antitérmico;

quebra-pedras – o chá é antitóxico e diurético, sendo indicado para a diluição de cálculos renais.

romã – a infusão da casca do fruto á antitóxica e digestiva, tendo também ação atiespamódica;

unha-de-vaca – indicada para combater o diabetes.

 

Recife, 30 de junho de 2008.

(Atualizado em 8 de setembro de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

BREVE história das ervas. Disponível em: <http://users.matrix.com.br/mariabene/breve_historia_das_ervas.htm>. Acesso em: 26 jun. 2008.

 

ERVAS medicinais. Disponível em: <http://www.bethynha.com.br/ervas.htm>. Acesso em: 26 jun. 2008.

 

PLANTAS medicinais. Disponível em: <http://ci-67.ciagri.usp.br/pm/>. Acesso em: 26 jun. 2008.

 

PLANTAS e ervas medicinais da Amazônia: um mercado em expansão. Disponível em: <http://www.jardimdeflores.com.br/ECOLOGIA/A15ecologia1.htm>. Acesso em: 26 jun. 2008.

 

SOSSAE, Flávia Cristina. Plantas medicinais. Disponível em: <http://educar.sc.usp.br/biologia/prociencias/medicinais.html>. Acesso em: 25 jun. 2008.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Plantas medicinaisPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano.

Ex: 6 ago. 2009.

 

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