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Centro Histórico de São Luis
Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
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São Luís, capital do estado do Maranhão, no Nordeste do Brasil, é a única cidade brasileira que foi fundada por franceses. Em 8 de setembro de 1612, na ilha Upaon-Açu (nome que no idioma tupinambá significa “ilha grande”), os europeus escolheram um local entre as baías de São Marcos e de São José do Ribamar, numa elevação formada na confluência dos rios Bacanga e Anil. Lá instalaram o Forte de São Luís, em homenagem ao rei Luís XIII, e daí veio o nome da cidade. Anos depois, São Luís foi tomada pelos invasores holandeses liderados pelo conde Maurício de Nassau, que a ocupou entre 1641 e 1644 (a ocupação batava no Recife se estendeu entre 1630 e 1654). Posteriormente, foi recuperada pelos portugueses, que depois se lançaram ao processo de expansão urbana.

São justamente essas características da ocupação lusa que fazem do centro histórico de São Luís uma área rica em arquitetura. Típica cidade colonial, teve o traçado pensado pelo português Francisco Frias de Mesquita, que ocupava o cargo de engenheiro-mor do Estado do Brasil, ainda em 1615, após a expulsão dos franceses. Respeitando as propriedades da América do Sul equatorial, o projeto adota, por exemplo, um desenho quadrilátero ortogonal, de influência espanhola, que se encaixa na declividade da área.

É interessante perceber que o traçado urbano obedecia à lógica de pensar em uma cidade fortificada que pudesse resistir a novas tentativas de invasão. Afinal, a posição geográfica era estratégica e favorável às expedições de navegação oriundas da Europa, e havia fertilidade nas terras, abundância de águas e a excelência climática para seduzir nações em busca de outras conquistas nos séculos XVII e XVIII.

Assim, São Luís ergueu-se com edificações que respeitavam a paisagem da cidade, de altura reduzida para não se perder o horizonte de vista, e revestidas de azulejos, típica herança portuguesa, em ruas largas e retangulares. Ao todo, cerca de cinco mil e seiscentos mil imóveis compõem o centro histórico da capital maranhense — todos tombados pelo governo federal. Em 4 de dezembro de 1997, a cidade recebeu o título de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
 
Foi o nono monumento do Brasil a ser agraciado com tal distinção. O perímetro tombado pela Unesco corresponde a sessenta hectares e congrega um mil e quatrocentos imóveis. Esse acervo arquitetônico, que remonta aos séculos XVIII e XIX, constitui-se de sobrados, solares, construções mais requintadas, que denotavam um maior poder aquisitivo dos que nela habitavam, e edificações térreas, como atestam Figueiredo, Varum e Costa (2011). Segundo a Unesco, entre os fatores essenciais para que o centro histórico de São Luís entrasse na relação de patrimônios mundiais a ser preservados está justamente “o testemunho de excepcional de tradição cultural”, que se refere à grande salvaguarda do casario colonial. 

Em muitos aspectos, o centro histórico de São Luís se assemelha aos de localidades portuguesas como Lisboa ou a cidade do Porto. No estudo dos arquitetos Figueiredo, Varum e Costa (2011), detecta-se que muitas das edificações hoje tombadas pela Unesco foram erigidas dentro da “arquitetura pombalina”, que se refere a Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, secretário de estado do rei José I e um dos principais responsáveis pela reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755. Nos edifícios, por exemplo (a maioria deles sobrado), o piso térreo encontra-se utilizado para fins comerciais, enquanto o primeiro andar é de uso residencial.

Um passeio pelo centro histórico de São Luís não é apenas uma aula sobre preservação, mas também um mergulho na história do Brasil, em especial no que diz respeito às influências dos colonizadores. Características da arquitetura lusa, como o uso dos azulejos, de cantaria nas molduras, cunhais e bacias de sacada, podem ser reconhecidas em cada esquina de uma cidade que não se deixou desfigurar pelo progresso, nem mesmo quando se consolidou como capital do Grão-Pará, no século XIX. Entre os prédios mais significativos podem ser citados o Convento das Mercês, o histórico Teatro Arthur Azevedo, a Igreja do Carmo, a Casa das Minas e a Fábrica de Cânhamo. 

Recife, 20 de maio de 2014.
Atualizado em 27 de abril de 2017.

FONTES CONSULTADAS:

CENTRO Histórico de São Luís. In: IPHAN. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/portal/
 

FIGUEREDO. Margareth Gomes; VARUM, Humberto; COSTA, Aníbal. Caracterização das técnicas construtivas em terra edificadas no século XVIII e XIX no centro histórico de São Luís (MA, Brasil).  Arquiteturarevista, v. 7, n. 1, p. 81-93, jan./jun. 2011. Disponível em: <http://revistas.unisinos.br/index.php/
arquitetura/article/download/1280/340>. Acesso em: 5 maio 2014.

IPHAN. Centro Histórico de São Luís. Disponível em: <http://www.iphan.gov.br/baixaFcdAnexo.do?id=281>. Aceso em: 4 maio 2014.

PREFEITURA de São Luís. Breve histórico. Disponível em: <http://www.saoluis.ma.gov.br//
frmPagina.aspx?id_pagina_web=622&id_menu_pai=299>. Acesso em: 8 maio 2014.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MORIM, Júlia. Centro Histórico de São Luís. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: 
<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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