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Festividades do Glorioso São Sebastião no Marajó
Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
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Anualmente, de 10 a 20 de janeiro, a Ilha do Marajó se envolve com as festividades em honra ao Glorioso São Sebastião, uma das mais importantes manifestações do arquipélago. Mas antes, no mês de julho do ano anterior, tem início a peregrinação dos foliões, que percorrem casas e instituições na ilha e em outros municípios do estado levando a imagem do santo, cantando folias e rezando ladainhas a fim de arrecadar doações para a festa. Essa andança, chamada de “esmolação”, pode durar de uma semana a seis meses.
 
No dia 10 de janeiro, a festa oficialmente tem início com a “alvorada”, às 5 horas da manhã. Uma missa de abertura é celebrada e o mastro é levantado. As comemorações se estendem de uma semana a dez dias, a depender da localidade. A praça principal da cidade, onde geralmente ocorre a festa, vira um arraial com barracas e com um barracão para dança. É comum acontecer ladainhas à noite. Integram o ciclo de festividade as procissões.  Marca o final da festa a derrubada do mastro, a procissão principal, a missa solene e a festa dançante, que se estende até o amanhecer. Movimentando a economia local e atraindo muitos visitantes, a festividade não é igual em todos os municípios, havendo variações nos calendários e nos responsáveis pelas atividades durante o evento.

A devoção a São Sebastião foi trazida para o Marajó por missionários e colonizadores portugueses. Para os marajoaras, o santo é tido como padroeiro dos vaqueiros, seringueiros, pescadores e agricultores. Enfim, é protetor dos trabalhadores da região, cujas atividades estão relacionadas às fazendas, ao cultivo da terra, à pesca e ao extrativismo. 

Em 2007, o Museu do Marajó com apoio da Irmandade do Glorioso São Sebastião de Cachoeira do Arari solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que as festividades fossem reconhecidas como patrimônio nacional. A partir de então uma pesquisa realizada no arquipélago demonstrou que a festividade ocorre em catorze dos dezesseis municípios do Marajó, sendo a de Cachoeira do Arari a mais antiga. A pesquisa também apontou que

 a devoção a São Sebastião na região do Marajó é fundamental para a construção e afirmação da identidade cultural marajoara. Representa a diversidade e a singularidade da região, na forma como se estrutura e se desenvolve, com elementos próprios. Ao mesmo tempo, possui relevância nacional, na medida em que traz elementos essenciais para a memória, a identidade e a formação da sociedade brasileira (IPHAN, 2013).

Assim, em 2013, as festividades foram inscritas no Livro das Celebrações do Iphan, tornando-se Patrimônio Cultural do Brasil.

Recife, 24 de maio 2014.

FONTES CONSULTADAS:

BARROS, Líliam; ABUFAIAD, Verena. Folias de São Sebastião: um estudo de transmissão musical. Belém: IPHAN, 2008.

IPHAN. Dossiê das Festividades de São Sebastião na Mesorregião do Marajó. Belém, dez. 2010. Disponível em: 

_____. Festa a São Sebastião, no Marajó (PA), é registrada como Patrimônio Cultural. 25 nov. 2013. Disponível em:
<http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18169&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia>. Acesso em: 23 maio 2014.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MORIM, Júlia. Festividade do Glorioso São Sebastião no Marajó. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: 
<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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