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Forte do Presépio / Forte do Castelo
Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
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Se alguém chegar a Belém, capital do Pará, na região Norte do Brasil, e procurar pelo Forte do Presépio, pelo Forte do Castelo ou ainda pelo Forte do Senhor Santo Cristo, vai constatar que, na verdade, está em busca do mesmo lugar. Erguida em 1616 pelos portugueses para proteger uma cidade que acabara de ser fundada, a fortificação está localizada na Ponta de Maúri, na confluência do Rio Guaianá com a Baía de Guajará, demarcando a entrada do porto e o canal de navegação que ladeia a Ilha das Onças, em Belém. 

A quantidade de nomes que o Forte do Presépio teve pode ser justificada pelos acontecimentos que caracterizaram sua fundação. Após vencer os franceses no Maranhão em novembro de 1615, os portugueses chegam à Amazônia já de olho na movimentação de ingleses e holandeses, que haviam iniciado aproximação com os indígenas para aproveitar o potencial da imensa região amazônica. A Coroa Portuguesa, então, confiou a Francisco Caldeira de Castello Branco, que ocupava o cargo de capitão-mor do Rio Grande do Norte, a missão de explorar a área assediada pelos estrangeiros. Por causa disso, ele recebeu o título de Descobridor e Primeiro Conquistador do Rio das Amazonas.

Ao chegar a Belém vindo de São Luís do Maranhão, com três navios e 200 homens sob seu comando, Castello Branco identificou a necessidade de construir algum tipo de edificação que pudesse proteger sua tropa e a cidade em que acabava de ocupar. Tão logo chegou, começou a erigir uma fortificação de taipa e palha, guarnecendo-a com doze peças de artilharia. Nela colocou o nome de Forte do Presépio de Belém, um tributo ao dia de Natal, data em que saíra do Maranhão. No interior do forte foram construídos alojamentos para a guarnição, pois havia o temor de eventuais contratempos com os índios tupinambás, bem como a possibilidade de uma invasão dos ingleses e holandeses.
 
Houve um ataque em 1619, porém não veio dos estrangeiros, e sim dos povos nativos. Os tupinambás, aliados dos portugueses na sua chegada e também responsáveis pela construção do forte, avançaram contra o povoado tentando expulsar os conquistadores lusos, acusando-os de ter violentado suas mulheres e filhas. A luta varou a madrugada. De um lado, os índios e suas flechas venenosas e incendiárias; do outro, armas de fogo. O combate só terminou quando o cacique Guaiamiaba morreu após ser atingido por um tiro de arcabuz. Depois desse episódio, o forte ganhou outro revestimento, de taipa de pilão. 

Nenhuma outra tentativa de invasão voltaria a acontecer. Em 1753, o Forte do Castelo funcionou pela primeira vez como hospital para atender mais de trezentas pessoas acometidas de um surto epidêmico. Seis anos depois, transformou-se em hospital militar, sendo conhecido como Hospital do Castelo. No século XIX, quando os paraenses resolveram se insurgir contra a elite portuguesa na revolta que ficou conhecida como Cabanagem, o forte, já em condições precárias de conservação, foi quartel dos insurgentes durante cinco anos (1835-1840). 

Escavações arqueológicas recentes encontraram munições, cachimbos, moedas, entre outros objetos antigos, que hoje pertencem ao Museu do Encontro, outro ponto turístico do local. Outro achado relevante foram os indícios da existência da Capela de Santo Cristo, um dos símbolos das origens do Pará. O Forte do Presépio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1962. 

Hoje, após ser usado como arsenal de guerra, hospital e círculo militar, é um dos principais pontos turísticos de Belém. Visitado diariamente por inúmeros estudantes, turistas nacionais e estrangeiros, oferece um precioso acervo, antigos canhões e até mesmo a munição que remonta aos séculos passados. Integra, ainda, o Complexo Feliz Lusitânia, destinado a preservar os espaços históricos de Belém e a manter viva a memória da cidade que na época do Brasil Colônia era a capital do Grão-Pará, área que hoje corresponde ao gigantesco trecho territorial entre o Maranhão e o Amazonas.

Recife, 26 de maio de 2014.

FONTES CONSULTADAS:

MONTEIRO, Eliena. Forte do Presépio: marco da colonização do Pará. In: PORTAL da Amazônia. 12 jan. 2013. Disponível em: 

TEIXEIRA, Paulo Roberto Rodrigues. Forte do Presépio. DaCultura, ano X, n. 17. Disponível em: 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MORIM, Júlia. Forte do Presépio/Forte do Castelo. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: 
<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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