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Museu do Marajó
Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
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“O homem é a peça mais importante do museu”.
(Frase escrita na entrada do Museu do Marajó)

Idealizado pelo padre jesuíta Giovanni Gallo, o Museu do Marajó, localizado no município de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, Pará, é um centro de memória do povo marajoara. Peças de cerâmicas arqueológicas — que datam de 400 a 1300 AD —, artefatos de uso cotidiano, instrumentos de trabalho da população local e a reprodução de uma tradicional casa “cabocla” são parte do acervo do museu, que foi criado na intenção de  “recuperar, preservar e divulgar ao mundo a cultura marajoara”. (LINHARES, 2007, p. 35).

Italiano de Turim, Gallo chegou ao Brasil na década de 1970. Antes de chegar na comunidade de Jenipapo, na Ilha do Marajó, em 1973, passou por Salvador e São Luís. A comunidade ribeirinha não dispunha de energia, água nem telefone e a paisagem, natural e cultural, era totalmente desconhecida para ele. Por trinta anos viveu no Marajó, onde foi bastante atuante em empreendimentos sociais, o que fez dele uma pessoa popular que transitava entre diversos grupos, de pescadores a políticos. Em 1981, Gallo recebeu o título de Cidadão do Pará e, em 2000, o título de Cidadão do Turismo Paraense.

Desde sua chegada, Gallo preocupou-se em preservar a história e a memória daquele lugar e daquele povo. Os moradores da localidade começaram a lhe trazer “cacos” (peças arqueológicas) os quais ele começou a guardar. Assim, fundou primeiramente o Nosso Museu, em Santa Cruz do Arari, o qual foi transferido para Cachoeira do Arari, porque seria um lugar de mais fácil acesso e onde teria mais apoio político para sua empreitada. O nome foi mudado para Museu do Marajó. Gallo vislumbrava o museu como um lugar de memória e identidade social, mas também como um espaço para pesquisa, educação e desenvolvimento social. 

O Museu foi planejado como “um lugar que viesse valorizar o homem marajoara, suas ideias, costumes, valores e pensamento, uma interação homem/região”. (LINHARES, 2007, p. 43). Desde o início, o Museu teve como proposta representar o homem como a peça central. Para compô-lo, além das doações de peças arqueológicas, Gallo empreendeu uma pesquisa na região para documentar lendas, histórias, crenças, religiosidade e a relação com o meio ambiente dos habitantes da ilha. Também realizou o registro fotográfico de suas expedições e arrecadou objetos para a exposição.

Na primeira sala do museu, que é um grande salão, estão expostas em vitrines cerâmicas marajoaras (tigelas, urnas, etc) e réplicas feitas por artesãos. Em outro espaço, estão objetos relativos à presença do negro escravizado na região, a exemplo de instrumentos de tortura. Em todo o museu, existem diversos “computadores caboclos”, como designou Gallo, que são painéis e caixas que permitem a interação do visitante, como uma espécie de jogo, sobre diversas temáticas: a língua Tupi, a vida do homem marajoara, a medicina popular, entre outras. “Tais engenhocas utilizam placas móveis, portinholas, engrenagens, rodas e janelas que, manipuladas, desvendam segredos. Para fazê-las, dada a falta de recursos, ele estimulou o aproveitamento de materiais da terra como tábuas, sementes, caroços de frutas, palha e outros. Baixo orçamento compensado por alta criatividade”. (REALI; REALI, 2007). Essa concepção museológica que incentiva o toque é, de acordo com Linhares (2007), vanguardista e vem sendo utilizada por diversos museus na atualidade.

Desde a morte de Gallo, em 2003, o Museu vem enfrentando dificuldades para sua manutenção e lidando com problemas estruturais e administrativos, notadamente a falta de pessoal capacitado para lidar com o acervo e as condições de armazenamento das peças.

Recife, 26 de maio de 2014. 

FONTES CONSULTADAS:

LINHARES, Anna Maria Alves. De caco a espetáculo: a produção cerâmica de Cachoeira do Arari (Ilha do Marajó, PA). Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2007. Disponível em: 

MUSEU do Marajó precisa de incentivos. Diário do Pará, Belém, 3 ago. 2009. Caderno Você.  Disponível em: 

REALI, Heitor; REALI, Silvia. Museu do Marajó: o delírio genial de padre Gallo. Revista Planeta, edição 422, dez. 2007. Disponível em: 

COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: MORIM, Júlia. Museu do Marajó. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: 
<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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