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Rio Amazonas
Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
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Localizado na Região Norte do Brasil, o Rio Amazonas é o mais extenso do planeta. Até 2007, acreditava-se que ele era o segundo, ficando atrás do Rio Nilo. Entretanto, uma expedição de pesquisadores foi ao Peru, onde confirmou a nascente exata do rio e a sua extensão: 6.992 km. Os pesquisadores provaram que da nascente, nos Andes, no Peru, até a foz, no oceano Atlântico, o rio, cuja denominação vai mudando para Apurimac, Ene, Tambo, Ucayali, Solimões e Amazonas, forma um curso d’água contínuo. Segundo dados do IBGE, ele também é o mais caudaloso (com maior volume de água) do planeta e é responsável por 1/5 do total de água doce que deságua nos oceanos.

O mapa hidrográfico do Rio Amazonas chega a contar com cerca de um mil e cem rios. Segundo a Agência Nacional das Águas (ANA), a bacia hidrográfica do Amazonas passa por vários países da América do Sul, sendo a maior parte em solo brasileiro: “Brasil (63%), Peru (17%), Bolívia (11%), Colômbia (5,8%), Equador (2,2%), Venezuela (0,7%) e Guiana (0,2%)”. Os principais afluentes em território brasileiro são, na margem direita, os rios: Javari, Jutaí, Juruá, Madeira, Purus, Tefé, Coari; e na margem esquerda: Icá, Negro, Solimões, Japurá, Nhamundá, Urube.

No encontro entre o Solimões e o Rio Negro, há um grande espetáculo: os dois rios possuem cores distintas — o Rio Solimões apresenta águas claras e o Rio Negro, águas escuras — mas as águas não se misturam. Outro fenômeno interessante é a pororoca: ondas provocadas pelo encontro violento do rio com o oceano Atlântico. É mais comum acontecer em outubro, época do ano em que a maré fica mais alta do que o rio. 

Com cerca de vinte mil quilômetros de percurso navegável, o Rio Amazonas é uma via de circulação importante da região. Essa característica foi fundamental para o desenvolvimento da Região Amazônica e do País, abrindo espaço para as trocas nacionais e internacionais de produtos e matérias-primas. Em 1866, um decreto imperial permitiu a navegação internacional, fruto de amplos debates envolvendo outras nações e o governo brasileiro. A permissão de acesso concedida às nações estrangeiras amigas buscava garantir a soberania do território e abrir espaço para o comércio internacional, consolidando a formação do estado nacional.
  
As margens do rio Amazonas são habitadas pelas comunidades ribeirinhas. Entre 1872 e 1920, milhares de pessoas, principalmente nordestinas, migraram para a Amazônia para trabalhar na extração do látex. As condições de trabalho eram ruins e os trabalhadores já começavam a nova vida endividados, pois precisavam pagar a viagem e os instrumentos de trabalho. O endividamento fez com que muitos permanecessem no local. Esses imigrantes acabaram por se miscigenar com os povos indígenas da localidade, constituindo o chamado “povo caboclo”.  

No século XX, houve um estímulo de ocupação da Amazônia, no espírito de “ocupar para não perder”. Os governos incentivaram a agricultura e a pecuária extensiva, além da extração vegetal. Isso terminou por expulsar os povos nativos de seus lugares e de causar uma grande devastação da floresta amazônica.
  
Movimentos sociais voltaram-se para o problema e, atualmente, lutam para preservar o meio ambiente e melhorar as condições de vida às populações ribeirinhas. Um grande exemplo dessa luta foi Chico Mendes, seringueiro assassinado, que ficou conhecido por lutar pelo direito das comunidades tradicionais ao território. 

Atualmente, as comunidades ribeirinhas continuam sem nenhum ou pouco acesso a serviços públicos. A maior parte da população vive de pesca, agricultura e artesanato. Moram em palafitas, usando tábuas para subir o piso nas frequentes enchentes do rio. 

Recentemente, a cheia do Rio Amazonas causou transtornos a essas comunidades. Muitos perderam suas casas, posses e plantações e aguardam a ajuda do poder público para retomar suas vidas.

Recife, 26 de maio de 2014.

FONTES CONSULTADAS:

AFLUENTES do Rio Amazonas. In: PORTAL da Amazônia. Disponível em:

AGÊNCIA Nacional das Águas. Região Hidrográfica Amazônica. Disponível em:

CHEIA do Rio Amazonas obriga famílias ribeirinhas a deixarem casas. In: G1 Santarém. 21 maio 2014. Disponível em: 
 
FRANCISCO, Wagner de Cerqueira e. Rio Amazonas. In: BRASIL Escola. Disponível em:

GREGORIO, Vitor Marcos. O progresso a vapor: navegação e desenvolvimento na Amazônia do século XIX. Nova Econ.,  Belo Horizonte, v. 19, n. 1, Apr. 2009. Disponível em: 

INSTITUTO Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE participa do mapeamento da verdadeira nascente do rio Amazonas. 15 jun. 2007. Disponível em:  
<http://cod.ibge.gov.br/1XWC0>. Acesso em: 26 maio 2014.

NÚCLEO de Apoio a Comunidades Ribeirinhas da Amazônia. Comunidades do Baixo Rio Madeira. Disponível em: 
comunidades-ribeirinhas-da-amazonia/>. Acesso em: 26 maio 2014.

PALM, Paulo Roberto. A abertura do rio Amazonas à navegação internacional e o parlamento. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2009. Disponível em: 
Parlamento_Brasileiro.pdf>. Acesso em: 26 maio 2014.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MORIM, Júlia. Rio Amazonas. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: 
<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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