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Coleção Liceu de Artes e Ofícios
Rodrigo Cantarelli
Arquiteto e Museólogo da Fundação Joaquim Nabuco
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Formada pelo Liceu de Artes e Ofícios do Recife, essa coleção teve início a partir de uma Galeria de Pintura inaugurada no próprio Liceu em 1887, que posteriormente foi transformada no Museu Artístico da instituição. Este museu existiu até o final da década de 1920, quando parte do seu acervo foi transferido, em 04 de Janeiro de 1930, para o Museu Histórico e de Arte Antiga de Pernambuco, atualmente conhecido como Museu do Estado.
Laura Bezerra, antiga funcionária do Museu do Estado, afirma que entre os objetos que constituíam a coleção de arte do Museu Artístico mereciam destaque

a bela coleção de móveis antigos de Jacarandá, e ainda esculturas em mármore, madeira e gesso, alguns bronzes, porcelanas da China e do Japão e vários outros objetos de fabricação europeia, de porcelana, cristal, e terracota.

Embora possuísse um acervo significativo de pinturas, um dos conjuntos mais importantes da coleção do Liceu diz respeito às artes decorativas, em especial, o mobiliário. Além de um palanquim dourado com pinturas sacras, datado do final do século XVIII, que havia pertencido à Igreja do Corpo Santo, demolida em 1913, o Liceu possuía um grande número de peças no estilo D. João V, datadas do século XVIII. Esse tipo de mobiliário, executado, em sua maioria, em jacarandá, foi chamado também de mobiliário luso-brasileiro, e trata-se de uma pequena variação do mobiliário português do período, onde se percebem influencias do Rocaille francês, do Barroco italiano e do churrigueresco espanhol.

Complementando esse grupo de artes decorativas estão os cristais europeus e as porcelanas, em sua maioria, orientais. Surgida na China entre os séculos VII e X, a porcelana se populariza na Europa no fim da Idade Média. Já no Brasil são encontrados indícios de sua presença apenas no século XVI, aumentando consideravelmente a partir do século XVIII. A chegada da corte e  família real portuguesa, aliada às facilidades de importação, contribuiram para a rápida popularização das louças das Índias no cotidiano das famílias burguesas. Por esse caminho, proliferam-se no Brasil os pratos brasonados, os bengaleiros, as escarradeiras, os jarrões e diversos outros itens de alfaia. Além de peças de cristal, a coleção do Liceu era composta por jarros alemães, pratos portugueses e bacias de louça inglesa, além de muitas outras peças de porcelana do Século XIX, japonesas e chinesas.

Essa coleção de arte, atualmente exposta no Museu do Estado de Pernambuco, em muito se assemelha com a decoração das residências urbanas recifenses no século XIX e princípio do XX, reflexos de um gosto pelo luxo e pela ostentação almejados pela burguesia daquele período, que tentava reproduzir, no Brasil, formas de viver das residências europeias.

Recife, 4 de fevereiro de 2014.

FONTES CONSULTADAS:

BEZERRA, Laura Josefa. Ligeiros apontamentos para o levantamento histórico do “Liceu de Artes e Ofícios”. [S. l. : s.n., 19--?]. Documento encontrado no Arquivo do Departamento de Museologia do Museu do Estado de Pernambuco.

CANTARELLI, Rodrigo. Contra a conspiração da ignorância com a maldade: a Inspetoria de Monumentos de Pernambuco. Recife: Fundaj, Editora Massagana,  2013.

FERNANDES, Anníbal. Relatório da Inspetoria Estadual dos Monumentos Nacionais apresentado a 28 de Abril de 1928 ao Sr. Secretario da Justiça e Negócios Interiores. Recife: Imprensa Oficial, 1929. 62 p.

O MUSEU do Estado de Pernambuco (catálogo). São Paulo: Banco Safra, 2003.

COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: CANTARELLI, Rodrigo. Coleção Liceu de Artes e Ofícios.  Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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