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Jardim São Paulo (Bairro, Recife)

Aurélia Xavier da Costa
Professora da Escola Municipal Padre José Mathias Delgado.
(Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores). 
Rosália Cristina da Silva
Professora da Escola Municipal Waldemar Valente.
(Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores).
Cláudia Verardi
Bibliotecária - Analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco
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O bairro de Jardim São Paulo encontra-se na 5ª Região Político-administrativa do Recife, na Zona Oeste. É um bairro formado por pouco mais de 31.000 habitantes, segundo apontam os dados do Censo do IBGE de 2010, com uma área de 259 hectares.

É considerado um bairro de classe média baixa e tem apresentado um constante crescimento demográfico nos últimos anos, com a chegada das construtoras e seus prédios altíssimos que se destacam de longe por serem os únicos das redondezas.

O bairro faz fronteira com Areias, Curado, BR 232, Santa Luzia, San Martim, Cidade Universitária e a BR 101.

Jardim São Paulo é basicamente um bairro residencial, mas há duas ruas onde funciona um comércio bem desenvolvido. Na Av. Leandro Barreto, uma das principais do Bairro, se encontra a Padaria La Roque, Mercadinho e Posto de Gasolina do mesmo nome, algumas lojas de materiais de construção, escolas, pequenos supermercados e boxes comerciais diversos e, ainda, o mais novo residencial da área - o Torres da Liberdade, que chama a atenção por sua imponência numa região onde arranha-céus ainda são raros.



Foto: Residencial Torres da Liberdade.
Fonte: As autoras.

Na Avenida São Paulo, outra das mais importantes, também se encontram pontos comerciais diversos, inclusive um shopping Center - o Shopping Jardim; Posto de Saúde; o Abrigo Espírita Batista de Carvalho - O Lar das Vovozinhas; uma pracinha; várias farmácias; além de dar acesso para a Estação Werneck e os bairros de Areias e San Martim. É uma área bastante movimentada com expressivo número de conjuntos habitacionais.

O senhor Amaro Sipriano de Lima, conhecido como Maguari, vereador da localidade ao ser entrevistado ressaltou que existem 187 ruas nesse bairro, abrangendo áreas nobres e áreas carentes.

A história do bairro nos revela que o mesmo surgiu de um engenho de açúcar de nome Engenho São Paulo. Nas redondezas, outros engenhos também deram nomes aos seus bairros, como é o caso do Engenho do Meio, Engenho da Várzea, Engenho Caxangá e Engenho Uchôa. Os primeiros moradores do engenho São Paulo foram os fundadores desse bairro.

 Em 3 de julho de 1948, o bairro, que , na época ainda era um loteamento, recebeu a ilustre visita do então Presidente Eurico Gaspar Dutra e sua esposa, para inaugurar a Vila Presidente Dutra:

Projetos como a construção das vilas Presidente Dutra e Carmela Dutra (homenagens respectivas ao Presidente da República e sua primeira-dama) tomaram forma e foram executados com financiamentos de instituições como a Caixa de Aposentadorias e Pensões do Nordeste Brasileiro (CAP). Após divulgação nos jornais de convite ao público recifense, a Vila Presidente Dutra foi inaugurada oficial e solenemente em 3 de julho de 1948, contando com a honrosa presença do próprio Presidente do Brasil e foi inicialmente composta por 80 residências ocupadas por associados da CAP. A vila era inicialmente constituída por casas isoladas e por casas conjugadas que foram vendidas, respectivamente, por Cr$ 22.300 e Cr$ 20.000, valores reconhecidos como moderados num programa público de aquisição de casas próprias, pois moradia acessível já era um problema relevante na época. ((PIBID-História/UFPE, 2015 b, p.1).

Foi nessa década de 40 que os lotes habitacionais começaram a se organizar, em meio a moradias de caráter rural, havendo, inclusive, algumas vacarias. Dessa forma, em 1947, a Sociedade de Terrenos e Construções Limitada (SOTERCOL) iniciou a venda de lotes, tendo mais tarde que vender casas, dada à procura por esse tipo de imóvel na região. Construíram pequenas casas de dois quartos em grandes terrenos de 10 x 20m, e venderam por um preço médio de Cr$ 12.000,00 (doze mil cruzeiros). Não havia uma boa distribuição de água encanada e de energia elétrica. Dados publicados no Diário de Pernambuco dão conta de uma comunidade dividida em dois parâmetros sociais: os ricos e medianos, na área alta; os pobres, na parte baixa, nas mediações do Rio Jiquiá. Ainda assim, muitas áreas foram sendo inseridas ao bairro, incluindo-se aí o Planeta dos Macacos, em 1970. Além dos problemas citados, problemas com transportes também já eram evidenciados, como cita a nota do Diário de Pernambuco:


Ainda, segundo nota publicada no Diário de Pernambuco, em 27 de maio de 1949, à época, o bairro já contava com cerca de 500 casas e uma média de 2000 (dois mil) habitantes. Além disso, nos jornais publicados na época, consta uma grande oferta de casas para alugar e terrenos para vender. O bairro era comparado a uma zona interiorana, longe de tudo e, os problemas estruturais como falta de iluminação que levava a um consequente problema de segurança e afetava o bairro desde os seus primórdios, fazendo que sua população sofresse com roubos e furtos.


 Mas, apesar das notícias negativas, justamente por manter esses "ares" de interior, com clima ameno, natureza vasta e rios limpos a correr por suas terras, que seu crescimento foi notório, atraindo pessoas que buscavam morar perto da cidade, mas que não abriam mão de um bem-estar longe de sua agitação.

Importante registrar que, de acordo com as pesquisas realizadas pela equipe PIBID-UFPE (2015), em entrevistas a moradores antigos do local, os rios Tejipió e Jiquiá ainda não eram afetados pela poluição doméstica, mantendo suas águas límpidas e com peixes, favorecendo também a prática de banho. Os entrevistados desse projeto também citaram a integração dos moradores, que se reuniam e realizavam comemorações de Natal e de Fim de Ano. Hoje esses eventos se concentram no Campo El Salvador e em palco armado pela prefeitura da cidade, nas mediações do semáforo, na confluência da Av. Leandro Barreto com a Av. São Paulo.

 (...) com barracas de “prendas”, danças, parques de diversões, espetáculos teatrais, mamulengos, apresentações de pastoris e com um baile na noite da véspera de Natal na velha casa grande, evento para o qual duas orquestras foram contratadas para animar a noite dos moradores de Jardim São Paulo.
 (PIBID-UFPE, 2015 a, p. 2)
 
 Por sua extensão territorial, algumas áreas de Jardim São Paulo recebem outros nomes por áreas, como a já citada Planeta dos Macacos, a Vila La Roque, A Vila Saramandaia, Vila dos Bancários, Cais Ligeiro, Vila Real, a Piracicaba. A DIRCON, órgão responsável pelo urbanismo e zoneamento da cidade, vai pouco a pouco anexando essas comunidades ao bairro.
 
Na entrevista concedida pelo Sr. Amaro (Maguari), que foi Presidente da Associação de Moradores em 1997, e hoje é vereador, e reside no bairro há 45 anos, ele comenta sobre a expansão territorial do bairro, informando que os ferroviários naquela época se aposentavam e compravam pedaços de terra através da construtora Sociedade de Terrenos e Construções Limitada (SOTERCOL), do Dr. Solon. Os terrenos da Piracicaba, por exemplo, foram todos vendidos por essa empresa. Ele conta que havia muitos pés de araçá e de manga, entre outros, era como um sítio, na verdade. O entrevistado comentou também que o bairro só foi pavimentado em 1994, com o então governador Jarbas Vasconcelos.

 
Foto: Entrevista com o Sr. "Maguary".
Fonte: As autoras.

 Ainda segundo o Sr.Amaro, o campo do arroz, há 60 anos era na verdade um plantio de arroz com muitos passarinhos e "era lindo de se ver as pessoas colhendo e batendo o arroz". A área atrás da Escola Municipal Waldemar Valente ainda mantém o aspecto de sítio, com criações de gado, cavalo e aves.


A respeito da hidrografia do bairro, o referido entrevistado lembra que o Canal de Guarulhos é o maior canal do bairro, atravessando-o como um todo. Recebe água de outros oito canais e acaba por desaguar no canal de Jiquiá. O canal próximo da Escola citada anteriormente é o “Euzébio de Matos”.

O Sr. Amaro ressalta ainda que a CEASA funciona como um muro de Jardim São Paulo e tem uma importante função social. Ele considera a CEASA como a "mãe de leite" das pessoas desse bairro e que, apesar disso, há muito desperdício de alimentos.

 Quanto aos postos públicos de saúde o entrevistado ressaltou que há três, e mais um em construção, que vai ser uma "Upinha", próxima à praça. O bairro ainda conta com clínicas e laboratórios particulares em suas duas avenidas principais: a Leandro Barreto e a São Paulo.

 As escolas públicas existentes no bairro são EREM Professor Trajano de Mendonça, Escola Municipal Dom Bosco, Escola Municipal Balbina Menelau, Escola Municipal Manoel Rolin, Escola Municipal Padre Jose Mathias Delgado, Escola Municipal Paroquial Professora Primitiva de Barros Silva, Escola Municipal Poeta Carlos Pena Filho e a Escola Municipal Waldemar Valente. Existe também no bairro uma delegacia, duas igrejas católicas, uma capelinha, além de várias igrejas evangélicas de variadas denominações.

Desde o início da fixação de moradores no loteamento já eram realizadas missas, primeiramente na casa grande do engenho e depois tomou relevo a demanda por um local mais acessível para os residentes das ruas criadas pela SOTERCOL, (...). A comunidade já contava com o Núcleo Espírita Manuel Arão, (...), mas a população católica local estava desprovida de uma sede paroquial própria e era assistida pelas paróquias de Santa Luzia (na Estância) e do Barro.
(PIBID-História, 2015 a, p.1).
 
 A primeira empresa de ônibus a servir os moradores de Jardim São Paulo foi a Oliveira. Hoje são três empresas que assumem oito linhas de ônibus: CURADO I/WERNECK, que liga Jardim São Paulo ao Curado I, TI TIP CAXANGÁ, que atravessa todo o bairro de Jardim São Paulo para ligar o Terminal Integrado de Passageiros do Curado ao Terminal da Caxangá, JARDIM SÃO PAULO/PIRACICABA, JARDIM SÃO PAULO/AFOGADOS e JARDIM SÃO PAULO/ABDIAS DE CARVALHO, que ligam o bairro ao centro da cidade, CAVALEIRO/CEASA, que passando pelo bairro liga o bairro de Cavaleiro à CEASA, JARDIM SÃO PAULO/BOA VIAGEM e TOTÓ/BOA VIAGEM, ambos ligando o Totó e adjacências ao bairro de Boa Viagem, passando por Jardim São Paulo. As empresas são a Metropolitana, a Mirim e Complementar.
Um dos atuais problemas citados durante a entrevista com o Sr. Amaro é a questão do destino dado ao lixo, o caminhão do lixo passa, porém ainda não realiza com eficiência o recolhimento como deveria ser, pois, muitas pessoas, descartam o lixo em locais inadequados. Para ele, isso é uma questão de educação e cultura local e que seria necessário um trabalho mais profundo da prefeitura, e não somente propagandas alusivas ao tema.
 Uma curiosidade que podemos destacar em relação ao bairro de Jardim São Paulo é a existência da Rádio Continental.

Em 15 de junho de 1958, Recife recebe as transmissões dos jogos da Copa do Mundo. Surge a Rádio Continental que entra no ar em convênio com a Rádio e TV Continental do Rio de Janeiro. No Recife, (...) os transmissores localizam-se no bairro de Jardim São Paulo. Os programas que mais marcaram a emissora foram: Telefone pedindo bis que inicia, aqui em Pernambuco, a participação popular através do telefone. (MORAIS, 2004, p.11).

Quanto à gastronomia, Jardim Sâo Paulo conta com o premiado Restaurante Regional Maria Maria, fundado em 2005 na Cidade de Caruaru e inaugurado, em 2007, nesse bairro; a tradicional Padaria La Roque, que oferece além dos renomados pães, café da manhã, almoço e jantar, sempre com o sabor especial que define a casa e, para finalizar, a Pizzaria e Restaurante dos Gêmeos, que traz variadas opções de pizzas e pratos à La Cater.


Foto: Restaurante Maria Maria.
Fonte: As autoras.


Para finalizar, se pode concluir que Jardim São Paulo, enquanto bairro localizado em subúrbio se destaca por sua complexidade territorial e social. Bairro ambíguo, com duas classes sociais bem definidas e delimitadas por córregos e prédios, contrasta o constante crescimento com a carência social de muitos de seus habitantes, ou seja, mescla ares de nobreza com carência de educação e cultura. Mas, sobretudo, o bairro ainda inspira em quem o conhece o remanescente desejo de permanecer nele e fazer parte de sua história.

Recife, 10 de outubro de 2016.


FONTES CONSULTADAS:

DIÁRIO de Pernambuco. Acervo Biblioteca Nacional Digital. Diário de Pernambuco - 26 de outubro de 1948. Edição 00251(1). Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=029033_12&pasta=ano%20194&pesq=Jardim%20S%C3%A3o%20Paulo>. Acesso em: 14/08/2016.

JARDIM São Paulo. In: RECIFE. Prefeitura. [2016?]. Disponível em: <http://www2.recife.pe.gov.br/servico/jardim-sao-paulo>. Acesso em 26/09/2016.

MORAIS, Maria Luiza Nóbrega de. (Coord). Anotações para a história do rádio em Pernambuco. In: Alcar: Encontros Nacionais, 2, 2004, Florianópolis. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/encontros-nacionais/>. Acesso em 26/09/2016.

PIBID-História/UFPE/EREM Professor Trajano de Mendonça. Aprimoramento da vida comunitária na década de 1950. 2015 a. Disponível em: <http://historiajsprecife.wixsite.com/jsprecife/a-visita-do-presidente>. Acesso: 14.08.2016.

PIBID-História/UFPE/EREM Professor Trajano de Mendonça. O dia em que Jardim São Paulo recebeu a visita do presidente República. 2015 b. Disponível em: <http://historiajsprecife.wixsite.com/jsprecife/a-visita-do-presidente>. Acesso: 14.08.2016.

PIBID-História/UFPE/EREM Professor Trajano de Mendonça. O engenho que virou bairro. 2015. Disponível em: <http://historiajsprecife.wixsite.com/jsprecife/o-engenho>. Acesso em: 14.08.2016.

PIBID-História/UFPE/EREM Professor Trajano de Mendonça - 2. O loteamento Jardim São Paulo. 2015 c. Disponível em: <http://historiajsprecife.wixsite.com/jsprecife/o-loteamento>. Acesso: 14.08.2016.

A SULANCA de Jardim São Paulo: 20 anos oferecendo economia e diversidade aos moradores. Disponível em: <http://infornativo.com.br/a-sulanca-de-jardim-sao-paulo-20-anos-oferecendo-economia-e-diversidade-aos-moradores/>. Acesso em: 22/09/2016.

VAREJÃO, Marcelo. Lar das Vovozinhas. Disponível em: <http://www.lardasvovozinhas.org.br/2010/01/lar-das-vovozinhas.html>. Acesso em: 18/09/2016.

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: SILVA, Rosália Cristina da; VERARDI, Cláudia Albuquerque. Jardim São Paulo (bairro, Recife). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em:< http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia mês ano. Ex. 6.ago.2009.

 

 

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