Home
Pina (Bairro, Recife)

Valkiria Maria de Souza Guimarães
Maria Das Graças Freitas S. Lima

Professoras da Escola Municipal Novo Pina
(Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores).
Cláudia Verardi
Bibliotecária - Analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.


Foto: Praia do Pina.
Fonte: Carlos André (colaborador do Projeto Interagindo com a história do seu bairro).


Falar sobre a historia do bairro do Pina é interagir com os vários segmentos preciosos de um povo entusiasta e politizado da cidade do Recife, herdeiro, em sua bacia, das águas marítimas e fluviais, sabedor da sua importância social e cultural.
Faremos junto, com o leitor, esta viagem!


1. Como surgiu o bairro do Pina?

O Pina era um arquipélago e sua historia é a historia da própria cidade do Recife, tomada das águas através de aterros sucessivos e utilizados como arma de resistência a medida que os altos arranha – céus de Boa Viagem avançaram e ocultavam os esgotos, mocambos, palafitas, casas de madeira e outras importantes referências do antigo bairro.







"Nasci no bairro do Pina, só havia palafitas, água e lama. Ajudei a construir os aterros e a promover as transformações ocorridas nos últimos tempos com meus companheiros".
(Foto à esquerda: Sr. Waldemir Reis - Morador do Bairro entrevistado).

 

 

 

 

 


Fonte: As autoras.


2. Características do bairro:

A partir da territorialidade e dos espaços de vida criados em torno da necessidade de moradia, e do direito à cidadania surgiu o nobre bairro do Pina. Bairro praieiro que possui caráter residencial e comercial, com destaque ao setor gastronômico.
O bairro conta, atualmente com escolas particulares, estaduais e municipais, creches, postos de saúde, clínicas médicas, Teatro Barreto Jr., Shopping Center Rio Mar, cartório e farmácias.


3. Localização:

Localizado a cinco minutos do centro do Recife, no sul da cidade, o bairro tem como limites:



    Foto: Mapa Turístico do Recife.
    Fonte: Acervo da Prefeitura do Recife.


Ao norte: Brasília teimosa e porto do recife
Ao sul: Boa Viagem
Ao leste: Oceano Atlântico
Ao oeste: a bacia do Pina
Pina é lugar estratégico de entrada para o continente e foi palco de muitas batalhas: invasão holandesa, mascates, epidemias.

4. Qual a origem do nome “Pina”?

André Gomes Pina e o irmão dele conhecido como “Cheira Dinheiro” vieram se estabelecer no bairro com seu comércio de açúcar com a Europa. Os nomes deles foram usados para identificar as ilhas onde moravam. Os irmãos exploravam a mão-de-obra escrava para os serviços de exportação. Dentre as ilhas do Bode, da Raposa, das Cabras, do Felipe e do Pina, a mais conhecida era a ilha do cheira dinheiro. Foi chamada de Fernão Soares e depois Ilha da Barreta. Mas, o nome que o povo escolheu e pelo qual ficou conhecida foi “Pina”; e até hoje permanece. 


5. Invasão holandesa:

Os holandeses invadiram Pernambuco em 1630. Como Pina é localizado perto do porto do Recife, eles ocuparam a ilha do Cheira Dinheiro, como base para a conquista de afogados. A população do Pina debandou. Em 1645 dois pescadores pernambucanos partiram da Ilha do Pina numa jangada e incendiaram dois navios holandeses no porto do Recife um dos pescadores se chamava João Tavares, conhecido como “o Muribeca”. Por causa desse ataque os holandeses resolveram construir o Fortim Schoonemburg, no pontal do Pina, para defender a parte sul do porto.


6. Os Jesuítas:

Os jesuítas chegaram na praia do Pina em 1600. Eles possuíam uma fazenda e lá guardavam uma imagem de Nossa Senhora do Rosário. Por isso essa santa é a Padroeira do Pina até os dias atuais.


7. O misterioso cemitério do Pina:

Em 1853, Recife ganhou um novo hospital construído no Pina, afastado da população. Era um hospital utilizado para a quarentena de africanos e viajantes vindos da Europa, naqueles tempos de epidemia de cólera. Ficou conhecido como hospital da Bubônica e pertencia à Santa Casa de Misericórdia. Ao seu lado havia um cemitério. No lugar do cemitério foi construída a Escola Reunida Landelino Rocha.


8. Pina dos pescadores:

Antigamente, as leis não reconheciam a profissão de pescador, eles viviam à margem da sociedade, à margem do rio. Diferentes governos fecharam-lhe os caminhos do mar! A pergunta se repetia: onde morar?  Como sobreviver? O mar propiciava o trabalho autônomo, economia de subsistência.




Foto: Pescadores do Pina.
Fonte: Ajax Lins Pereira (1950).


Os pescadores tomaram posse do Pina, como posseiros nas terras da Santa casa. Trabalharam, aterraram, criaram seu próprio espaço no mundo e atraíram outros moradores sem saber que isto atribuiria um valor para o Bairro e atrairia também as leis selvagens do mercado e da expansão urbana e capitalista.

Inicialmente moravam em casa de palha como as casas dos índios onde a maré entrava e saia. Havia muitas árvores frutíferas no meio da rua: mangueiras, coqueiros, cajueiros, entre outras.

Quando não havia mais terreno para fazer casas, começaram a fazer aterros com lama da própria maré. Quando era socada ficava dura parecendo cimento. Hoje, se faz aterro com lixo, metralha e até mesmo casca de sururu. No final do século XIX as únicas casas de alvenaria eram: a antiga sede da fazenda da Barreta que se tornara casa de veraneio do Barão do livramento, as ruínas do forte holandês, o Lazareto e a casa do Coronel João Guedes. O mais eram casas de palha. Mesmo assim, não possuíam eletricidade, usavam candeeiro a querosene que se comprava no mercado de São José. Na rua era utilizado o lampião a gás que os trabalhadores do gasômetro acendiam no final da tarde e só apagavam pela manhã.
 
Foi no inicio de 1930 que começaram os arruados (pequenos povoados à beira da estrada)) e as definições das quadras e quarteirões.

A maré era “rica”, fornecia aos habitantes da região comida, as raízes dos mangues quando cortadas vinham cheias de ostras – mesa farta. Era o que ajudava as famílias a sobreviverem.

No ano de 1940 o Recife se expande e outros proprietários chegam ao Pina e suas marés, rios, ilhas e praias desertas desaparecem na paisagem urbana que vai se ampliando.


9. Ponte:

A primeira ponte do Pina data de 1910, era uma ponte estreita, de madeira, mais comprida que as atuais. Foi muito útil para o crescimento do Pina.


10. O Bonde:

Em 1924, com a reforma da ponte de Pina é que os bondes vieram para o bairro. Eles tinham duas classes: a primeira mais confortável e a segunda carregava carga e era onde viajava a população pobre que pagava passagem mais barata.

 

 

 



“Passava ônibus antigamente dentro da comunidade do Bode, mas era coisa de rico”  (Foto à esquerda: Srª. Maria da Penha Gonçalves Lima - Moradora do bairro entrevistada).

 

 

 

 

 


Fonte: As autoras.


11. Xangô, pastoril e coco de roda:

O governador Estácio Coimbra mandou fechar os terreiros de candomblé do Recife mas, logo em seguida, passou a freqüentar o Xangô da Baiana do Pina.  O Pastoril, Bumba–meu–boi, roda de coco, mamulengo – tudo era divertimento oriundo da tradição cultural afro-descendente.
Hoje, o Pina possui 12 terreiros de candomblé.


12. Diversidade Religiosa:

A igreja matriz do Rosário foi fundada em 1932 pelo Padre José Fernandes Machado. Ele também construiu a Capelinha do Menino Jesus, o convento dos Capuchinhos, o Patronato nossa Senhora da Conceição e a igreja de Brasília Teimosa.
Os evangélicos, em 1933, se reuniram e ergueram a primeira Igreja Batista do Pina que se encontra situada na Rua Eurico Vitruvio, conhecida como  Rua do Caju. Era, a princípio, uma casinha de madeira coberta de palha. Depois, foram aparecendo outras igrejas: a Presbiteriana, a Assembleia de Deus, a Congregacional e outras.


13. O projeto Pina e a transformação do Bairro do Pina:

A transformação do bairro do Pina nasceu da vontade do povo de sair da lama e melhorar suas condições de moradia. Foi planejada, discutida pelos moradores do bairro nas reuniões de rua, nas assembleias e na união dos moradores. O BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou o projeto e financiou a execução das obras pela prefeitura.
Através do projeto Pina aconteceu uma grande transformação com a pavimentação das ruas e becos, construções de escolas, creches e algumas casas. A legalização de posse da terra nunca aconteceu.  
O bairro se desenvolveu bastante por possuir localização privilegiada e ninguém pensa em se mudar, os moradores querem usufruir do progresso do chão que seus antepassados construíram!


14. Moradores entrevistados: guardiões da memória do bairro e agentes da história:

Foram dois os moradores entrevistados para melhor conhecimento do Bairro do Pina e suas peculiaridades:

1. Waldemir Nascimento Reis, Rua Melqui Ribeiro 510 A -Pina, Nascido em 1944.

2. Maria da Penha Gonçalves de Lima, Rua Eurico Vitruvio, Nascida em 1961.

 

Recife, 10 de setembro de 2016.

 

FONTES CONSULTADAS:

SILVA, Oswaldo Pereira da. Histórias do Pina. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2008.

SILVA, Oswaldo Pereira da. Pina: povo, cultura, memória. Recife: Funcultura, 2008.


COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte:; GUIMARÃES, Valkiria Maria de Souza; LIMA, Maria Das Graças Freitas S.; VERARDI, Cláudia Albuquerque. Pina (bairro, Recife). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia mês ano. Ex. 6.ago.2009.

 

Busca "Palavra-chave"

Busca "A a Z"


Copyright © 2019 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco