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Romero Britto (pintor brasileiro): trajetória colorida

Cláudia Verardi
Bibliotecária - Analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco
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                    “A arte é muito importante para não ser compartilhada”  (Romero Britto). 

 


Romero Britto, pintor, escultor e serígrafo brasileiro, nasceu  em Recife no dia 6 de outubro de 1963. Autodidata, aos 8 anos de idade começou a se interessar pelas artes plásticas. Ele pintava em sucatas, papelão e jornal e sua família passou a incentivar seu talento artístico natural presenteando-o com livros de arte para estudar. 
 

Sua primeira aparição pública foi aos 14 anos quando vendeu seu primeiro quadro à Organização dos Estados Americanos. Continuou sua luta dentro de suas modestas condições visando o futuro.

Freqüentou escolas públicas, recebeu bolsa de estudos para uma escola preparatória e aos 17 anos entrou para a Universidade Católica de Pernambuco, no curso de Direito. Viajou para a Europa para visitar lugares novos e ver a arte que só conhecia nos livros. Durante um ano pintou e exibiu seus trabalhos em vários países como Espanha, Inglaterra, Alemanha e outros. Quando retornou ao Brasil, seu desejo de ter contato com o mundo ficou ainda mais forte, queria continuar a viajar e mostrar sua arte. Com isso, desistiu do curso de Direito e decidiu ir visitar um amigo de infância, Leonardo Conte, que estava estudando inglês em Miami, nos Estados Unidos. (ROMERO, 2017).

Na Europa entrou em contato com a obra de Matisse e Picasso. Para criar cores vibrantes ele unia influências do cubismo com o estilo pop, estilo icônico descrito pelo New York Times como arte que “emana calor, otimismo e amor”.

Segundo entrevista a Dalcol (2016), o próprio artista revelou que sempre gostou muito da composição da arte de Picasso que não se preocupava com o que as pessoas falavam. “Em um momento, falavam que ele pintava demais; em outro, que a arte dele era muito estranha. A composição de Picasso é muito inventiva”. Do Matisse, sempre gostou do colorido da arte dele. Quando foi morar nos Estados Unidos se deparou com a pop art, de Andy Warhol (empresário, pintor e cineasta norte-americano, figura maior do movimento de pop art) e Jasper Johns (pintor norte-americano do movimento Pop Art), depois Keith Haring (artista gráfico e ativista estadunidense) e outros que o influenciaram bastante.

Em 1988 mudou-se para Miami e no ano seguinte, ele ganhou fama ao ser escolhido ao lado de Andy Warhol e Keith Haring  para realizar a ilustração de uma campanha publicitária da vodca sueca Absolut: "Absolut Arte".

Ao passar do tempo o artista desenvolveu uma boa rede de relações e amigos influentes que o ajudou a se tornar muito prestigiado até mesmo por diversas celebridades americanas. Pintou quadros para personalidades como Michael Jackson, Madonna e Arnold Schwarzenegger e produziu telas para Dilma Rousseff, Bill Clinton e o casal real príncipe William e Kate Middleton.

Em 2005, o ex-governador Jeb Bush - irmão de George W. Bush, nomeou Romero embaixador das artes do Estado da Flórida demosntrando o seu destaque na vida política e financeira de Miami. Na mesma época o artista foi convidado para participar da Bienal de Florença fazendo parte de uma pequena lista de artistas internacionais selecionados.

Romero Britto foi convidado a criar uma pirâmide comemorando o retorno da exposição do Tehhhouro de Tutancâmon a Londres, depois de 35 anos. Sendo considerada a maior instalação de arte na história do Hyde Park, foi produzida em tributo às antigas Pirâmides de Gizé (a última das sete maravilhas do mundo antigo) e possui altura equivalente a um edifício de quatro andares.

No ano de 2008, segundo Romero (2010), Britto criou uma série limitada de selos postais intitulados "Esportes para a paz", que celebraram o memorável talento dos atletas para os Jogos Olímpicos de Beijing, e também mostrou sua arte no famoso Museu do Louvre, em Paris.

O trabalho de Britto tem sido exibido em galerias de arte e museus em mais de 100 paises, incluindo o Salon Nationale des Beaux Arts - exposicao no Carrousel du Louvre, em Paris em 2008 e 2010.

De acordo com Silva (2015), na cidade de Miami, onde o artista mora, que é a principal porta de entrada de brasileiros nos Estados Unidos, as obras de Britto estão por todo lado. Logo ao descer do avião chegando ao Aeroporto Internacional de Miami, o visitante já sente a presença do artista na cidade, pois os funcionários responsáveis por organizar a fila de imigração usam uniformes cujo bordado é estilizado em letras personalizadas por ele. As lojas do free shop vendem uma série de produtos estampados por Britto além de que no terminal D se encontra uma loja do próprio artista onde são encontrados todos os produtos que estão no duty free e outros mais. Além disso, existem 18 instalações e uma escultura gigante de 8 toneladas localizada na entrada de Miami Beach. O autor afirma ainda, que um jornalista local, à época da inauguração da obra, disse que a quantidade de “Brittos” espalhados pela cidade alcançava níveis de insanidade revelando que, a exemplo do que ocorre no Brasil, a arte de Britto desperta “amor” e “ódio”.

Alguns críticos consideram Romero uma versão não muito original do estilo pop art com certos cacoetes estilísticos típicos da arte gráfica das histórias em quadrinhos. Segundo Ângela Ancora da Luz, vice-presidente da Associação Brasileira de Críticos de Artes, Britto pertence a uma linhagem de artistas pop profundamente comercial e sua arte agrada a quem deseja uma apreensão ilusória, superficial e apenas decorativa. O público que admira a obra de Romero Britto, no entanto, busca nesse colorido resgatar talvez a alegria e a simplicidade experimentadas na infância. A polêmica em torno da sua arte se deve ao fato de que muitos não o consideram um artista de verdade e sim uma pessoa que fez da sua arte uma marca. Independente das polêmicas, o fascínio das cores de Romero Britto agrada a muitos e sua arte é capaz de alegrar qualquer ambiente.

Britto considera que o papel de um artista é ser um agente de mudança positiva e, portanto, criou a Fundação Romero Britto, em 2007. Ele doa seu tempo, arte e recursos para diversos conselhos e organizações de caridade. Em 2011, a então Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, convidou o artista para criar o logotipo para Network da Cegonha, um projeto para alcançar mais de 61 milhões de mães e crianças no pré e pós-natal.

Em 2012, a Escola de samba “Renascer de Jacarepaguá” abriu o carnaval do Rio de janeiro fazendo uma homenagem ao artista brasileiro que reside há mais de 20 anos nos Estados Unidos. Sua estreia no Grupo Especial da Escola se deu com o enredo: “Romero Britto, o artista da alegria dá o tom na folia”.

Já fez trabalhos com as marcas: Coca-Cola, Louis Vuitton, Volvo, Audi, Campari, Samsung, entre outras. Para a Disney fez miniaturas de todos os personagens com a expressão de sua arte.

Em 2016 foi convidado para carregar a tocha olímpica dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro por indicação da marca Coca-Cola que também fechou uma parceria com o artista para ele ser o responsável pela produção de telas, pins (imagens associadas à marca) e garrafas com a temática das Olimpíadas.

Chamado de "Paulo Coelho das Artes visuais" Britto recebe como elogio e simplicidade apesar da convivência com tantos famosos como o Michael Jackson que fez uma festa em sua homenagem.

Muitos dos projetos que levam o nome de Romero Britto não se limitam aos Estados Unidos, mas estão em várias partes do mundo, inclusive na Ásia. 

Contrariando os críticos que consideram sua arte extremamente comercial, Britto diz que geralmente não se preocupa com essa questão, pois tem assessores para cuidar dessa etapa dos negócios. Ademais lida muito bem com o fato de dividir sua arte de uma maneira diferente tornando-a acessível e mais próxima das pessoas que podem usar um relógio, uma bolsa ou possuir um quadro com sua marca, por exemplo.

 

CURIOSIDADE:

 

  • Um assistente pessoal de Romero Britto revelou que seu processo de criação se dá em um ambiente fechado com muitas tintas ao redor e ao som de música eletrônica sem que o artista seja interrompido, e para tanto, na porta do estúdio deixa uma placa com o aviso bem claro com essa exigência. Os esboços dos desenhos e as primeiras pinceladas são dadas por ele e os assistentes complementam as cores sob sua orientação até conseguir sua aprovação final. Em seguida a pintura é fotografada e vetorizada (transformada em uma imagem em pixels - JPG, por exemplo) para que possa ser utilizada em esculturas, produtos e pôsteres. Posteriormente o artista assina certificados de autenticidade para que os produtos possam ser enviados às galerias e clientes.

 

Recife, 17 de março de 2017.

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 
ARTE de Romero Britto. 2016. Disponível em: <https://brazilusaonline.com/?p=1053>. Acesso em: 15 mar. 2017.

BÊRREDO, José Raphael. 2012. Homenageado pela Renascer, Romero Britto se emociona: 'Foi lindo'. Disponível em: <goo.gl/K2JT3Yl>. Acesso em: 17 mar. 2017.

DALCOL, Francisco. Romero Britto: "Nem todos podem ir ao museu, mas muitos podem ter um relógio com minha arte". 2016. Disponível em: <goo.gl/R9xuWn>. Acesso em: 17 mar. 2017.

ROMERO Britto. 2017. Disponível em: < https://www.escritoriodearte.com/artista/romero-britto/>. Acesso em: 17 mar. 2017.

ROMERO Britto [Foto neste texto] . Disponível em: < https://www.escritoriodearte.com/artista/romero-britto/>. Acesso em: 17 mar.
2017.

ROMERO Britto [site oficial]. 2010. Disponível em: <http://www.britto.com/portuguese/front/biography>. Acesso em: 16 mar. 2017.

SILVA, Gustavo. Romero Britto, o brasileiro mais poderoso (e odiado) da arte contemporânea. 2015. Disponível em: <goo.gl/CjN6PY>. Acesso em: 16 mar. 2017.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 


Fonte:
VERARDI, Cláudia Albuquerque. Romero Britto (pintor brasileiro): trajetória colorida. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em:<http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em:dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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