Home
João Santiago dos Reis (compositor)

Cláudia Verardi
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

 

O compositor, instrumentista e folclorista João Santiago dos Reis, nasceu no bairro da Torre, na cidade do Recife, no dia 1º de março de 1928.

Era filho do maestro José Felipe dos Reis, professor do Conservatório de Música de Pernambuco e um dos fundadores da Orquestra Sinfônica do Recife, fato que permitiu durante sua infância a convivência com alguns músicos que frequentavam sua casa como Zumba e Levino Ferreira.

Em 1939, escreveu sua primeira composição intitulada “Iremos convidar”.

Ao longo de mais de trinta anos o compositor inspirou-se em fatos corriqueiros do dia-a-dia para escrever canções para o bloco do seu coração, o Bloco Batutas de São José.

A história do Bloco foi contada por ele em versos musicados, transformados em marchas e eternizados através das vozes dos seus intérpretes. “João Santiago dos Reis..., foi responsável pela poesia do Batutas de São José, compôs vários frevos que fizeram a história da agremiação” (SANTOS; MENDES; PEREIRA, 2010, p. 8).


A essência do Bloco Batutas de São José é traduzida pela canção “Você sabe lá o que é isso” composta por João Santiago em 1952 e que se transformou no hino do bloco:


Eu quero entrar na folia, meu bem
Você sabe lá o que é isso
Batutas de São José, isso é
Parece que tem feitiço
Batutas tem atrações que,
Ninguém pode resistir
Um frevo desses bem faz,
demais a gente se distinguir
Deixe o frevo rolar
Eu só quero saber, se você vai brincar
Ah! Meu bem sem você não há carnaval
Vamos cair no passo e a vida gozar.


A canção só veio a ser gravada em 1973, pelo Quinteto Violado e Zélia Barbosa sob o título Hino do Batutas de São José, mas alcançou sucesso em todo Brasil com o segundo lançamento, dois anos mais tarde, pelo sambista Martinho da Vila, com arranjo orquestral do pernambucano Severino Araújo com várias regravações.

Em 1958 João Santiago recebeu o prêmio de segundo lugar no concurso da Prefeitura do Recife com uma marcha de carnaval que foi gravada logo após pelo Bloco Batutas de São José na Gravadora Odeon. Neste mesmo ano ficou à frente da Orquestra Jazz do Bloco tendo como parceiro José Felipe dos reis, seu pai.

Por dois anos seguidos, em 1961 e em 1962, “Joca”, como era conhecido, venceu o concurso da Prefeitura da cidade do Recife de músicas de carnaval.

Foi um dos criadores da Fundação de Cultura da cidade do Recife em 1979, onde trabalhou e esteve sempre envolvido com os movimentos culturais da cidade.

“Joca” começou a pesquisar e levantou dados a respeito dos blocos e clubes do carnaval de rua com o auxílio do maestro Edson Rodrigues entre os anos de 1980 a 1982.

Não esqueceu o nosso saudoso Joca (como era chamado pelos seus familiares) dos blocos desaparecidos do nosso Carnaval, como “Camponeses”, “Camelo”, “Pavão de Ouro”, “Bobos em Folia” e “Flor da Lira”, todos eles citados em Relembrando o Passado, marcha ainda hoje cantada em nossas ruas: … Os “Camponeses”, “Camelo” e “Pavão / “Bobos em Folia”, do Sebastião. / Também “Flor da Lira”, com seus violões / Impressionava com suas canções. (SILVA, 2016, p. 2).

João Santiago foi também o responsável pela fundação do bloco Flor da Lira na cidade de Olinda ajudando a incentivar a tradição do carnaval na cidade.

De acordo com Vila Nova (2006, p. 48), a origem do frevo-de-bloco é da classe média, e tem sua origem a partir das reuniões festivas como os saraus e as serenatas promovidas pelas famílias residentes em bairros centrais da cidade do Recife, como São José e Boa Vista. Geralmente as letras dos frevos de bloco retratam a realidade das pessoas e por esse motivo parece tão fácil se identificar com elas. João Santiago tinha esse dom, de falar com alegria de coisas que o povo entende bem, dando musicalidade aos fatos do dia-a-dia das pessoas ligadas às agremiações, principalmente ligados aos acontecimentos que envolvem o carnaval.

 

Relembrando o Passado

Vou relembrar o passado
Do meu carnaval de fervor
Neste Recife afamado
De blocos forjados
Na luz e esplendor
Na rua da Imperatriz
Eu era muito feliz,
Vendo os blocos desfilar
Escuta Apolônio
Que eu vou relembrar
Os Camponeses, Camelo e Pavão
Bobos em Folia do Sebastião
Também Flor da Lira
Com seus violões
Impressionavam
Com suas canções

 

João Santiago dos Reis, “um dos nomes mais esquecidos do nosso Carnaval”  segundo Crobin (2012, p. 2), faleceu na emergência do Hospital Getúlio Vargas (bairro do Cordeiro) na noite de 11 de novembro de 1985.

Após a sua morte, Getúlio Cavalcanti, do Clube Banhistas do Pina, mesmo sendo seu grande rival no Carnaval, compôs em homenagem ao compositor João Santiago a canção Chora Batutas:

 

João Santiago deixou o Batutas
Chora saudades seu pessoal
Banhistas hoje apesar das lutas
Sente a tristeza do seu rival
E abre seus braços pela partida
De quem deu a vida
Ao nosso carnaval...

 

 

Recife, 23 de outubro de 2017.

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

CROBIN. Um nome que a História guardou. 2012. Disponível em: <http://www.fernandomachado.blog.br/novo/?p=60153>. Acesso em: 18 out. 2017.


JOÃO Santiago dos Reis [Foto neste texto]. Disponível em: <http://www.luizberto.com/esquina-leonardo-dantas-silva/joao-santiago-o-poeta-do-batutas>. Acesso em: 23 out. 2017. 


SANTOS, Rodrigo Sérgio Magalhães Bahia dos; MENDES, Diego Costa; PEREIRA, Roberta de Albuquerque. Deixa o frevo rolar: entendendo a poesia dos blocos líricos do Recife. VI ENECULT – Encontro de estudos multidisciplinares em cultura, Salvador, UFBa, 25 a 27 de maio de 2010. Disponível em: < http://www.cult.ufba.br/wordpress/24505.pdf >. Acesso em: 18 out. 2017.
 

SILVA, Leonardo Dantas.  João Santiago, o poeta dos batutas. Disponível em: < http://www.luizberto.com/esquina-leonardo-dantas-silva/joao-santiago-o-poeta-do-batutas>. Acesso em: 18 out. 2017.


VILA NOVA, Júlio César Fernandes. Panorama de Folião: cultura e persuasão no discurso de frevo-de-bloco. 2006. 191 p. (Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras e Lingüística). Centro de Artes e Comunicação/UFPE, Recife.

 

 


COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: VERARDI, Cláudia Albuquerque. João Santiago dos Reis (compositor). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia mês ano. Ex. 6.ago.2009.

 

Busca "Palavra-chave"

Busca "A a Z"


Copyright © 2019 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco