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Mestre Galo Preto: o "mestre aprendiz"

Claudia Verardi
Bibliotecária – Analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco
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Quem é essa figura que se destaca na multidão com seu chapéu Panamá e trajes elegantes e que lançou seu primeiro disco aos 81 anos???  É Mestre Galo Preto, o rei do improviso! O apelido veio nos anos 1930 quando o menino metido a valente apartou uma briga.

Mestre do coco, repentista e embolador, Tomás Aquino Leão nasceu no dia 08 de outubro de 1935, nos arredores do Quilombo Rainha Isabel, em Bom Conselho, no Agreste pernambucano.

Descendente de uma família rural, aos 8 anos despretensiosamente já imitava os emboladores da região e fez suas primeiras rimas de improviso. Em 1947, quando Tomás, aos 10 anos de idade, foi vender batatas na feira, e com sua irreverência costumeira fazia improvisos na hora, chamou a atenção de um ilustre escritor, que admirava os pregões da janela da sua casa - Ascenso Ferreira identificou imediatamente o talento nato daquele menino. Ascenso o colocou em contato com Zil Matos que o levou a um programa na Rádio Clube muito famoso da época, iniciando o processo do seu reconhecimento nacional.

De acordo com Lins (2016), a trajetória de Galo Preto passa por animação de festas de família, inaugurações de lojas, campanhas publicitárias e jingles para políticos locais.

Nas décadas de 1950 e 1960 o grande repentista de coco Mestre Galo Preto, ou Galo de Ouro, como ficou conhecido, compunha de forma marcante o cenário da atividade cultural do país.

Nos anos 1970, “tempo das vacas gordas”, como ele próprio diz, participou de programas de TV, contracenando com Chacrinha, Silvio Santos e Flávio Cavalcanti. O seu nome começou a ficar conhecido nacionalmente quando começou a cantar com grandes nomes como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Arlindo dos Oito Baixos, entre outros.

Preto Limão, seu irmão famoso, estava também entre os artistas de renome que tocavam com o Mestre Galo Preto.

O desenrolar da trajetória, registrada no documentário Galo Preto, o menestrel do coco (2011), de Wilson Freire, ganha novo capítulo com o primeiro álbum autoral. Histórias que andei reconstrói memórias e inspirações de Galo Preto, enraizadas na oralidade do Agreste pernambucano e difundidas pelo mestre, rei do improviso, há mais de 70 anos. (LINS, 2016).

Galo Preto ficou afastado dos palcos durante 11 anos, retomando as atividades em 2008, no terceiro aniversário do programa “Sopa de Auditório”.

Participou do documentário Coquistas de Olinda contra a violência Em 2007, no ano seguinte, em comemoração aos seus 65 anos de carreira, foi lançado o CD “Mestre que é bom mestre ensina o seu cantar…”.

De acordo com Lins (2016), “Histórias que andei”, trabalho contemplado pelo Rumos Itaú Cultural reunindo 12 composições do músico com arranjos de pandeiro e sanfona, marca os 70 anos de carreira do Mestre e registra a tradição da cultura popular pernambucana através do coco trava-língua.

História viva, Galo Preto faz parte da história do coco no Brasil com talento único, indiscutível e elogiado pela crítica é nos dias atuais o maior expoente da embolada e do coco brejeiro nacional.

A melodia poética do seu improviso auxiliado por seu pandeiro continua alegrando aos amantes da cultura popular manifestada através do coco e da embolada.

O Mestre Galo Preto recebeu o título de Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco Em dezembro de 2011.

Luís Gonzaga, admirador do talento do Mestre Galo Preto, o considerava o maior embolador do Brasil.

Apesar de um acervo pessoal de mais de 300 músicas compostas e outras tantas que ele faz de improviso, curiosamente, gravou apenas um CD.

O Mestre canta o cotidiano com simplicidade, em ritmos samba, coco e embolada seguindo as linhas de coco sertaneja, brejeira e praieira, além da linha alagoana, trazendo consigo um admirável repertório de cocos que só ele mesmo conhece.

Realizou trabalhos em parceria com artistas como Dona Selma do Coco, Aurinha, Dona Célia, L’Omi, entre outros, que resgatam a história da rica cultura pernambucana que necessita ainda hoje ser difundida.

 As religiões de origens indígenas e africanas também fazem parte do repertório do Mestre Galo Preto bem como ele resgata em seu trabalho um pouco da antiqüíssima tradição da “Jurema Sagrada de Pernambuco”.

As ruas do Recife, onde o Mestre passou boa parte da infância vendendo frutas e legumes, ao mesmo tempo em que amadurecia seus versos, têm muitas boas lembranças desse tempo e continua a ser palco desse admirável “Patrimônio vivo de Pernambuco”.

 

Recife, 28 de junho de 2018.

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

AMORIM, Maria Alice. Patrimônios vivos de Pernambuco. 2. Ed. ver. e ampl. Recife: FUNDARPE, 2014.


GALO Preto. Disponível em: <http://www.cultura.pe.gov.br/pagina/patrimonio-cultural/imaterial/patrimonios-vivos/galo-preto/>. Acesso em: 28 jun. 2018.


GALO Preto [Foto neste texto]. Disponível em: <https://istoe.com.br/um-mestre-do-coco-e-da-embolada/>. Acesso em: 28 jun. 2018.

LINS, Larissa. Mestre Galo Preto, Patrimônio Vivo de Pernambuco, lança primeiro disco aos 81 anos. Diário de Pernambuco, 28 de novembro de 2016. Disponível em:
<https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/viver/2016/11/mestre-galo-preto-patrimonio-vivo-de-pernambuco-lanca-primeiro-disco.html>. Acesso em 13 jun. 2018.


Um mestre do coco e da embolada. Revista Isto É.  2016. Disponível em: < https://istoe.com.br/um-mestre-do-coco-e-da-embolada/>. Acesso em: 28 jun. 2018.


Mestre Galo Preto e o Tronco da Jurema. Disponível em: <https://www.last.fm/pt/music/Mestre+Galo+Preto+e+o+Tronco+da+Jurema/+wiki> . Acesso em: 28 jun. 2018.

 

 

 


COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: VERARDI, Cláudia Albuquerque. Mestre Galo Preto: o “mestre aprendiz”. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia mês ano. Ex. 6.ago.2009.

 

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