Home
Aquecimento global e efeito estufa
Cláudia Verardi
Bibliotecária - Analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco
  


O clima do nosso planeta é dividido em duas grandes “Idades” ou “Eras”: a glacial (com a presença de gelo sobre a superfície) e a interglacial (sem gelo na superfície).
 
Há cerca de 15 mil anos atrás, a Terra tinha aquecido a ponto de causar o derretimento do gelo e o nível do mar, em todo o mundo, começou a subir.
 
Desde o final da Idade do Gelo, a temperatura da Terra aumentou por volta de 16 graus F (Escala Fahrenheit - Nesta escala o ponto de fusão da água é de 32 ° e o ponto de ebulição é de 212 °). Com isso, os níveis do mar subiram 300 pés e começaram a aparecer florestas onde antes só havia gelo.
 
Esses ciclos de era glacial são iniciados por mudanças sutis na órbita da terra ao redor do Sol. Essas mudanças alteram lentamente a quantidade de radiação solar que chega a diferentes latitudes durante os ciclos lentos, que duram dezenas de milhares de anos. Então, os mantos de gelo do Norte respondem a essas mudanças na radiação de verão das latitudes altas. Quando o Sol do verão é mais forte, a neve e o gelo derretem; quando ele enfraquece, a neve e o gelo se acumulam. (RUDDIMAN, p.2).
 
Mesmo tendo passado por várias eras de gelo a Terra não congelou, porém, tendo começado há cerca de 2,6 milhões de anos atrás, esses períodos demasiadamente frios desencadearam a formação de grandes e grossas capas de gelo em algumas partes do Ártico. As placas de gelo maiores e mais grossas ficaram concentradas no leste do Canadá. 

Os últimos quatro ciclos de idade do gelo da América do Norte duraram cerca de 100 mil anos cada.  No entanto, entre cada época de gelo houve uma época quente que teve a duração de cerca de 10 mil anos. Sendo assim, as eras de gelo duraram, em média, 90 mil anos.  A camada de gelo aumentou gradualmente durante cada período de frio, até alcançar um tamanho razoavelmente grande então, de repente, recuou e desapareceu.
 
Alguns cientistas começaram a estudar o fenômeno durante um largo período de tempo para entender a causas. Foi então que Milutin Milanković, um cientista sérvio, observou que o padrão apareceu vinculado a mudanças na órbita terrestre ao redor do sol. Os cientistas a partir daí reconheceram a importância das características orbitais nas mudanças ocorridas em longo prazo no clima, entre outras causas.
 
O efeito estufa é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra que mantém a temperatura do planeta em condições adequadas para a sobrevivência dos seres vivos. Os raios solares atingem a atmosfera e os gases de efeito estufa absorvem parte desse calor (cerca de 50%) e a outra parte é irradiada de volta para a superfície da Terra, ou seja, esse fenômeno mantém o Planeta aquecido. O que ocorre é que, nas últimas décadas, a liberação de gases de efeito estufa aumentou consideravelmente e, com esse acúmulo de gases, mais quantidade de calor está sendo retido na atmosfera, o que resulta no aumento considerável da temperatura. 

Todas as ações humanas na natureza tendem a contribuir para essa desestabilização do efeito estufa, a exemplo do desmatamento, uso de determinados fertilizantes, queima de combustíveis fósseis, entre outras, pois elevam os níveis de gases de efeito estufa na Atmosfera e produzem um fenômeno conhecido como “Aquecimento Global”.
 
E quais as consequências do Aquecimento Global? Entre as mais importantes estão: aumento do nível do mar, diminuição dos micro-organismos (fitoplâncton) que produzem oxigênio, desequilíbrio de ecossistemas causando a destruição de habitats marinhos, aumento dos desertos e das catástrofes climáticas (enchentes, ciclones, tufões, furacões), grandes ondas de calor e queda na produção de alimentos.
 
A preocupante questão do aquecimento Global e do efeito estufa vem provocando durante décadas diversas especulações a respeito da participação humana no processo.
 
A obra de Ruddiman (2015) se baseia em um debate científico que se dá há mais de uma década sobre os grandes efeitos humanos sobre o meio ambiente e clima da Terra, que deseja saber se começaram há cerca de 150 anos, com o aumento dos gases de efeito estufa emitidos durante a Revolução Industrial, ou apareceu como parte da Revolução Agrícola Neolítica que se seguiu à descoberta e propagação da agricultura, milhares de anos antes.
 
Durante a maior parte da evolução da espécie humana no planeta os homens sempre estiveram buscando alimentos na natureza tanto na flora quanto na fauna, colhendo frutos e sementes, tubérculos e raízes ou caçando animais e pescando peixes. A vida nômade impunha algumas incertezas quanto à coleta e a caça. Uma nova maneira de subsistência começou há cerca de 10 mil anos atrás quando os homens começaram a permanecer a maior parte do tempo em um lugar determinado, passando a cultivar vegetais e pastorear animais. Foi a partir daí que a Agropecuária foi se desenvolvendo e assumindo formas diferentes ao longo dos séculos. De acordo com Ruddman (2015, p. 343), “Em alguns milhares de anos, a maior parte dos povos da terra tinha se tornado camponesa e, com o tempo, começaram a surgir civilizações urbanas em diversas áreas”.
 
Os aumentos de CO2 e CH4 coincidiram com a época em que a Agricultura estava se espalhando pela Terra levantando a hipótese de que tenha tido papel relevante no aumento das concentrações desses gases de efeito estufa. A explicação científica para isso se baseia em que o desmatamento das florestas para criar novos pastos ou para obter mais luz para cultivar as lavouras emitiu CO2 na atmosfera e a irrigação de arrozais, pastoreio de rebanhos e a queima de gramíneas e resíduos agrícolas emitiram CH4 em excesso.
Alguns estudos, porém, consideram esses efeitos irrelevantes se comparados ao desmatamento na chamada “Era Industrial”.
 
Foram criados modelos que simulam o uso da Terra no passado, atualmente, porém, essas simulações podem deixar de fora alguns aspectos históricos que apontam que os camponeses da China e da Europa usavam muito mais terra por pessoa há 2.000 anos que nos séculos seguintes tidos como pré-industriais. Modelos mais recentes apontam um desmatamento bem maior na Era Pré-industrial e maiores emissões de CO2. Esses novos estudos mostram que na Europa, China e Índia muito antes da Era Industrial houve um desflorestamento quase total.
 
A discussão em andamento sobre influência natural versus antropogênica sobre uso da terra, gases de efeito estufa e clima nos milênios recentes propõe duas visões radicalmente diferentes sobre a pré-história e a história da nossa espécie. Ou a civilização humana desenvolveu-se durante milhares de anos em um planeta favorecido pelo aquecimento de um interglacial natural, ou, como eu acredito, nós desempenhamos um papel significativo na produção de uma parte do calor interglacial no qual as nossas civilizações tomaram forma. (RUDDIMAN, p. 350).
 
James Hansen comandava auxiliado por seus colegas do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, sediado em Manhattan provavelmente o mais famoso dos programas de computador para observação meteorológica. Por volta do ano de 1970 a NASA utilizou uma versão inicial do modelo para avaliar a precisão dos prognósticos dos satélites de observação metereológica. Tendo o grupo do Instituto Goddard sido transferido para Washington, James, que havia permanecido em Nova Iorque, decidiu experimentar o modelo para prever problemas no clima em oposição ao tempo. Nos anos seguintes o programa foi aperfeiçoado e, embora continue a ser uma simulação aproximada do mundo real, por causa de suas características bastante complexas, foi possível prever os efeitos do aumento do dióxido de carbono e os efeitos cumulativos ao longo do tempo para o ano 2.000 e outros anos muito além.
 
De acordo com McKiBBEN (1990, p. 31) há um número infinito de possíveis consequências em função da mudança de temperatura, como por exemplo, os mares podem subir dois metros ou mais, à medida que o gelo polar for derretendo e a água mais quente se expandindo, ao mesmo tempo os continentes podem começar a secar devido à crescente evaporação. Apesar dessa afirmação o autor considerava prematura qualquer especulação a respeito desses efeitos.
 
A escala dessa incerteza é tão vasta que há até quem considere que a atmosfera de estufa irá acarretar um novo período glacial. Essa teoria, formulada por John Hamaker, um engenheiro aposentado, e fervorosamente defendida por diversos discípulos na Califórnia, é descartada pela maioria dos cientistas que estuda a atmosfera, mas oferece uma ideia interessante da fragilidade de algumas disposições. (McKiBBEN , 1990, p. 107).
 
Hamaker acreditava que foram as mudanças na concentração de dióxido de carbono que causaram o ciclo de períodos glaciais na Terra em recentes épocas geológicas como consequência da mineralização e desmineralização do solo:
 
Os vegetais utilizam os nutrientes do solo – começam a definhar e provocam um aumento maciço de dióxido de carbono na atmosfera – o efeito estufa esquenta o equador e causa uma grande evaporação de águas tropicais – as correntes climáticas naturais da terra empurram as nuvens com água para o Norte onde esfriam e perdem a umidade – as nuvens viram neve  –  a neve forma enormes geleiras do próximo período glacial – as geleiras se deslocam pelas latitudes superiores, “raspam” o pós das montanhas e “remineralizam” o solo – as plantas retornam e o ciclo recomeça.
 
O fato é que ainda hoje a ciência não tem como medir como os seres humanos se sentiriam tendo que enfrentar temperaturas bastante altas durante os verões de extremo calor que podem com o passar do tempo vir a ser uma realidade.
 
...toda essa diversidade de mudanças pode estar ocorrendo simultaneamente; estar mais quente e mais seco, o nível do mar sobe tão depressa quanto os preços dos alimentos, a mosca-varejeira se alastra, os furacões se tornam mais fortes, e assim por diante. E outro problema, não menos importante, é a vida cotidiana num clima mais quente.” (McKiBBEN , 1990, p. 125).
 
Provavelmente o uso das tecnologias existentes associado às Políticas Públicas podem desenvolver soluções tanto baseadas nas buscas científico-tecnológicas, quanto na aplicação das leis, decretos e portarias que regulam as políticas energéticas, contando ainda, necessariamente, com a parte informal que requer mudanças nos hábitos e comportamentos das pessoas que são influenciados geralmente pelos complexos processos sociais e psicológicos.
 
O Protocolo de Quioto (Japão) assinado em 1997, é um compromisso firmado entre os países integrantes da Organização das Nações Unidas (ONU), visando à redução de emissão de gases que causam o efeito estufa e consequentemente o aquecimento global. Esse acordo entrou em vigor a partir de 2004 e suas metas pretendiam ser atingidas entre 2008 e 2012.
 
Em 2005 durante a Conferência das Partes, na qualidade de Reunião das Partes do Protocolo que foi realizada no Canadá, em Montreal, ficou estabelecido o Grupo de Trabalho para tratar de Compromissos adicionais para as parte do Anexo I do Protocolo de Quioto (que se refere aos períodos subsequentes ao período 2008-2012).
 
De acordo com Veiga (2009, p. 24), a união Europeia havia se comprometido a reduzir 20% de suas emissões até 2020, em relação a 1990 e declarou estar disposta a aumentar essa meta para 30%, a depender do acerto global sobre o novo regime a vigorar a partir de 2012. Outros países europeus que não fazem parte da EU também se engajaram nessa proposta; o Japão após a virada eleitoral de 2009 prometeu: 25% até 2020 e a Noruega em outubro de 2009 anunciou sua disposição de assumir a meta de 40% de corte até 2010.
 
Durante a COP21 (a 21ª Convenção das Partes sobre Mudança do Clima) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, assinou-se o Acordo de Paris, em dezembro de 2015, que busca manter o aumento da temperatura global bem abaixo de 2ºC (em relação aos níveis pré-industriais).

O acordo entrou em vigor em 4 de novembro de 2016 e, de acordo com Kossoy (2018, p. 1) dos 197 países que fazem parte da Convenção, 180 ratificaram o acordo. Cada país estabeleceu seu compromisso e a contribuição prometida pelo Brasil foi considerada uma das mais ambiciosas já que o país se comprometeu a implementar ações para que até 2030, possa reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% em relação ao nível registrado em 2005.

A vida de todo o Planeta está ameaçada caso os seres humanos não se conscientizem definitivamente de sua responsabilidade para manter o equilíbrio da natureza. É necessário que todo o desenvolvimento humano seja pensado dentro dos conceitos de preservação e sustentabilidade ambiental visando qualidade de vida, e mais do que isso, garantindo a própria vida, a existência de vida na Terra.
 

Recife, 15 de maio de 2019.
 
 
 
 
FONTES CONSULTADAS:
 
 

KOSSOY, Alexandre. Aquecimento Global – Qual é a importância do Brasil no Acordo do clima de Paris. 2018. Disponível em: <https://cee.fiocruz.br/?q=node/888>. Acesso em: 15 maio 2019.
 
MAZETTO, Marcela. Quais as consequências do Aquecimento global?  2018. [Foto neste texto]. Disponível em: <https://www.gestaoeducacional.com.br/quais-as-consequencias-do-aquecimento-global/>. Disponível em: 15 maio 2019. 
 
McKiBBEN, Bill. O Fim da natureza. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 1990. Tradução de A.B. Pinheiro de Lemos.
 
MOTTA, Ronaldo Seroa da [et al.]. Mudança do clima no Brasil: aspectos econômicos, sociais e regulatórios. Brasília: IPEA, 2011.
 
RUDDIMAN, William F. A Terra transformada.  Porto Alegre: Bookman, 2015. Tradução de Théo Amon.
 
SOL e mudanças climáticas: é o Sol que manda no clima da Terra. Ciclos glaciais, deslocação da crosta e fim do período interglacial frio. 2015. Disponível em: <https://sandcarioca.wordpress.com/2015/10/05/ciclos-glaciais-deslocacao-da-crosta-e-fim-do-periodo-interglacial-frio-parte-1/>. Acesso em: 9 maio 2019.
 
VEIGA, José Eli da. Mundo em transe: do aquecimento global ao ecodesenvolvimento. Campinas, SP: Armazém do Ipê, 2009. (Armazém de bolso).


 

COMO CITAR ESTE TEXTO:
 

 
Fonte: VERARDI, Cláudia Albuquerque. Aquecimento global e efeito estufa . Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

Busca "Palavra-chave"

Busca "A a Z"


Copyright © 2019 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco