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Segunda Guerra Mundial: visão geral e participação do Brasil

Cláudia Verardi
Bibliotecária - Analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco
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O conflito militar global que durou de 1939 a 1945, envolveu as grandes potências e a maioria das nações do mundo que foram organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados e o Eixo.

A Primeira Guerra Mundial (1914-18) havia devastado a Europa. O Tratado de Versalhes havia alterado o mapa da Europa: a França recebeu de volta a Alsácia e a Lorena; o Corredor Polonês foi retirado do território alemão, propiciou a Varsóvia o acesso ao Báltico e separou a Prússia Oriental de Berlim. Dantizig foi criada como cidade livre, sob a égide da Liga das Nações e com um comissário da Liga, porém apesar da população ser alemã, eram os poloneses que controlavam a alfândega e os negócios exteriores.

O Tratado de Versalhes além de fazer a Alemanha ceder parte de seu território aos vencedores, a obrigou ainda a pagar uma alta indenização pelos danos causados pela Guerra. Essa derrota despertou o rancor dos alemães pelo Tratado.

A maioria da população alemã culpava o governo da breve república por ter assinado o tratado de Versalhes, por inundar o país com um sentimento de culpa     pela guerra, por “entregar” a Alsácia-Lorena, uma parte da Prússia e uma parte da  Silésia e por aceitar o pagamento de vultosa reparação de guerra e a redução dos  fabulosos Exército e Marinha imperiais a uma situação de força policial, com um     efetivo de 100.000 homens, sem carros de combate nem aviões, e uma força de     patrulha costeira com 15.000 homens. (BALDWIN, 1978, p.15).

Quando a bolsa de valores de Nova York quebrou em outubro de 1929 deu-se início a uma crise econômica mundial.

A grande crise econômica somada às tensões políticas e sociais em vários países fizeram surgir regimes totalitários, sobretudo na Alemanha, na Itália e no Japão.

A política de expansionismo destas grandes potências levou-as a se apetrecharem militarmente instaurando um clima de tensão mundial.

A Alemanha foi fortemente afetada pelo desemprego e a pobreza. Os judeus se tornaram o “bode espiatório” da situação em que a Alemanha se encontrava.

O Partido Nacional-Socialista (NSDAP, na sigla em alemão) era responsável por disseminar essa ideia de que os judeus eram os responsáveis pelos problemas que o país enfrentava. O líder do partido Adolf Hitler e seus seguidores detestavam os judeus e no programa do partido já estava determinado o que pretendiam fazer com os judeus caso viessem a assumir o governo, entre as intenções estavam: proibir que judeus vivessem na Alemanha, não permitir que judeus se tornassem funcionários públicos ou professores e a expulsão dos judeus no país caso houvesse escassez de alimentos.

Em 1929, o NSDAP ainda era pequeno e tinha poucos adeptos, mas em três anos o partido venceu as eleições. Um em cada três eleitores votou, então, no partido de Hitler. Os nazistas prometeram  à Alemanha um futuro de ouro: um país grande e poderoso. No final de janeiro de 1933, Adolf Hitler tornou-se o líder do governo alemão.(METSELAAR, 2019, p.6).

Depois de alguns anos, em 1933, os extremistas de esquerda (comunistas) e de direita (camisas pardas) estavam disputando nas ruas a soberania após alguns anos de extrema inflação, incipiente anarquia e desemprego em massa.

Desde o início Hitler dedicou-se à prepotência - de uma Raça Superior, do expansionismo através da perfídia, da falsidade e da força bruta.Realizou o  rearmamento ostensivamente e ocupou a Renânia em 1936), apesar das restrições  do Tratado de Versalhes; publicamente, deu garantias aos seus inimigos em potencial, embora os injuriasse em círculos privados; assinou um pacto de  não-agressão com a Polônia, a fim de ficar com as mãos livres para atuar contra a Tcheco- Eslováquia e a Austria, e iniciou a construção da Muralha Ocidental - uma zona fortificada na fronteira da França e da Belgica. (BALDWIN, 1978, p.15).

Em 1939, Hitler insistia na devolução de Dantzig e no controle alemão sobre uma faixa de terra de 25 quilômetros de largura, para acesso à cidade através do Corredor Polonês. Em meados de março a Polônia estava flanqueada pelo sul e pelo norte e pouco depois a Lituania forçada pelo poder nazista entregou a Hitler a Memelândia, antigo território alemão. O verão desse ano, de acordo com Baldwin (1978, p. 17), testemunhou uma marcha firme em direção à Segunda Grande Guerra.

A invasão da Polônia pela Alemanha Nazista no dia 1 de setembro de 1939 reforçado pelas declarações de guerra da França bem como da maioria dos países do Império Britânico e da Commonwealth (comunidade britânica, ex-colônias britânicas) contra a Alemanha poderia ter sido o principal motivo da Guerra.

No início dos anos 40 o mundo inteiro estava em crise e toda a Europa entrou em colapso.

Alguns países acabaram se envolvendo na Guerra após a invasão da União Soviética pelos alemães e os ataques dos japoneses contra os Estados Unidos no Pacífico, especialmente após o ataque a Pearl Harbor que resultou na declaração de guerra dos Estados Unidos contra o Japão.

O Nacionalismo japonês já prevalecia há séculos no sentido de dever e honra dedicados especialmente ao imperador e esse fato fazia com que eles obedecessem as ordens do Imperador sem titubear.

No dia 7 de dezembro de 1941, os militares japoneses decidiram atacar Pearl Harbour, que era a principal base naval norte-americana no Pacífico, porque Os Estados Unidos representavam um obstáculo para a expansão japonesa no Oceano Pacífico.
 
Na Itália, a ideia de restaurar o Império Romano era realmente atrativa para muitos habitantes deste país e a aliança entre a Alemanha e a Itália era um dos objetivos essenciais contidos no Mein Kampf (livro escrito por Adolpf Hitler no qual ele expressou suas ideias que foram adotadas pelo Partido Nazista. As duas potências podiam ser muito úteis uma à outra. Após a recusa da Alemanha de participar das sanções contra a Itália a eficiência dessas sanções diminuíram consideravelmente. Os dois países então passaram a lutar lado a lado visando esmagar o governo republicano da Espanha. O próximo passo seria a colaboração no âmbito europeu.

Gradativamente, diante dos eventos que foram sucedendo, outros países acabaram se envolvendo e aderindo ao conflito.

A Política internacional passava por séria agitação e o Presidente brasileiro Getúlio Vargas, visando manter as vantagens comerciais, adotou uma postura que oscilava entre a aproximação com a Alemanha nazista em um momento e, com os Estados Unidos em outro momento. No entanto, com o crescimento das hostilidades, Vargas se viu obrigado a unir-se com os norte-americanos.

Àquela altura, as peças do tabuleiro de xadrez da política mundial se mexiam freneticamente. A agressão japonesa aos Estados Unidos , engendrada pelo almirante Isoruku Yamamoto, gerou uma avalanche de declarações de solidariedade. Em 8 de dezembro, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Haiti, São Domingos e Panamá também entraram na guerra contra o Japão. O Peru ofereceu     colaboração aos americanos no que fosse preciso - com sua costa toda voltada     para o Pacífico era um país estrategicamente importante. Já Bélgica, Colômbia,     Egito e Grécia rompiam relações diplomáticas com os japoneses. Ainda no dia 8, Vargas convocou o ministério e anunciou solidariedade aos Estados Unidos. O     governo venezuelo acompanhou a decisão brasileira. no dia seguinte, foi a vez da     Costa Rica declarar guerra ao Japão. Dia 10, Cuba fez o mesmo. No dia 11, Alemanha e Itália declararam guerra aos Estados Unidos. Solidário, o governo mexicano rompia também relações diplomáticas com a Alemanha e Itália. Ainda procurando não se expor, o Brasil, no dia 17, declarava-se oficialmente neutro,     tanto no que dizia respeito à guerra entre os países europeus como a que envolvia o Japão (SANDER, 2007, p.30).

O Brasil era estrategicamente fundamental para a defesa das Américas devido à extensão de suas terras, o que despertou o interesse dos Estados Unidos em tornar o país um aliado.

O secretário de Estado dos Estados Unidos Cordell Hull, visando resistir às possíveis ameaças e promover uma unidade continental, articulou uma reunião de urgência. A Conferência dos Chanceleres no Rio de Janeiro, a então capital brasileira, acolheu o encontro dos ministros.

Os eventos decorrentes desse encontro somado a outros fatores como a interrupção do comércio marítimo com a Europa (devido ao bloqueio naval inglês), obrigaram o Brasil a abandonar a postura ambígua em relação ao conflito mundial.

A defesa brasileira se concentrava muito mais no teórico espírito antimilitarista da população do que no aparelhamento das Forças Armadas, portanto sem condições de defender seu litoral e seu território continental sem ajuda militar. De acordo com Sander (2007, p. 42), um documento secreto do Comando do exército do Nordeste, sediado em recife, de 1º de setembro de 1941, definia detalhadamente uma estratégia completa dessa região.

O Presidente Roosevelt se comprometeu então a dar suporte para reerguer as Forças Armadas Brasileiras determinando definitivamente o rompimento do Brasil com o Eixo.

Em fevereiro de 1942, na madrugada do dia 17, um submarino nazista, afundou, no Rio de Janeiro, o navio brasileiro “Buarque” e, ao meio-dia do dia 18 de fevereiro voltou a atacar e afundou o “Olinda”.

No início das hostilidades , só haviam seis submarinos nazistas que atuavam contra os Estados Unidos porém, quando o Brasil se uniu aos aliados, Hitler decidiu revidar a adesão brasileira enviando uma nova flotilha e o número de submarinos chegou a cerca de quarenta. A partir daí os comandantes alemães podiam até se dar ao luxo de escolher que embarcações seriam afundadas pois era frágil a defesa americana em relação a esse tipo de ataque. Tanto que, nesse período em que os navios brasileiros foram torpedeados, apenas três submarinos alemães foram afundados em mar territorial americano.

Ao todo foram torpedeadas 34 embarcações brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial, causando a morte de 1.081 pessoas (a maioria era civil).

De acordo com Sander (2007, p. 246), dos mais de 25 mil soldados brasileiros que foram lutar nas trincheiras italianas, morreram 454 e cerca de 3 mil ficaram feridos.

Os “pracinhas” (diminutivo de praça ou soldado raso), como eram carinhosamente chamados os soldados brasileiros pela população e pela imprensa, rumaram a um enorme desafio da FEB (Força Expedicionária Brasileira).

De acordo com Rosas (2014, p.3), o primeiro contingente dos pracinhas desembarcou na Itália em 16 de julho de 1944 e foi incorporado ao 5º Exército dos EUA. Os pracinhas foram recepcionados em Nápoles com uma banda marcial norte-americana executando com esforço músicas brasileiras e proporcionando um clima festivo em meio às dores da guerra. As ordens eram dadas em inglês e havia frio extremo e o inevitável choque cultural exigindo esforços de ambos os lados, sobretudo dos brasileiros.

Os maiores danos e também a maior vitória dos pracinhas foi a Conquista de Monte Castelo, em fevereiro de 1945, que os elevou à categoria de “heróis de guerra”. Na campanha do “Morro Maldito” (como era conhecido Monte Castelo) que durou 3 meses, os Aliados precisavam vencer a chamada Linha Gótica, uma barreira das tropas alemãs para avançar e chegar até a Bolonha. Para tanto, tiveram que percorrer uma rota exposta ao ataque dos inimigos, razão pela qual houveram tantas baixas.

Os brasileiros foram colocados à prova como força militar de ocupação em regiões como Montese, Castelnuovo, Zocca, Monalto e Barga.

No fim de abril de 1945, os pracinhas também participaram da rendição da divisão 148 das forças alemãs, quando foram apreendidos 4.000 cavalos, 80 canhões de diversos calibres e 1.500 viaturas além de terem sido feitos 14.799 prisioneiros. Três dias depois a FEB participou da libertação de Turim.

O ano de 1945 marcaria a derrota da Alemanha Nazista como previu Franklin Roosevelt que, segundo Sander (2007, p. 245), teria afirmado: “A Guerra vai terminar pelo fim de maio”. Tendo Roosevelt falecido de um derrame cerebral em 12 de abril, fez com que Hitler interpretasse a morte do rival como sinal de reversão do quadro da guerra porém, ele estava enganado.

Em março de 1945, os soviéticos avançaram para Viena e os aliados (americanos, ingleses, canadianos e franceses) haviam atravessado o norte do Reno e o sul do Ruhr, e cercado as forças nazistas.

No início de abril, as forças soviéticas invadiam Berlim e as forças dos aliados ocidentais ganharam terreno na Itália e atravessaram a Alemanha Ocidental, encontrando-se as duas forças no dia 25 de abril nas margens do Elba.

No dia 29 de abril Hitler se suicidou no seu búnker (reduto fortificado, construído embaixo da terra, feito para resistir a projéteis de guerra) e no dia seguinte, o Reichstag foi capturado, simbolizando a derrota militar do Terceiro Reich.

As tropas alemãs na Itália, na Holanda, na Dinamarca e no noroeste da Alemanha (o que restava do exército alemão), renderam-se a 7 de maio de 1945, em Berlim. , a Alemanha assina a rendição.

A rendição às tropas russas do que restava do Exército alemão, marcou o término da guerra na Europa mas o conflito mais sangrento e desumano da história da humanidade ficou marcado para sempre por causa do Holocausto e da única vez em que foram usadas armas nucleares em combate, com um saldo entre 50 a 70 milhões de mortes de civis e militares.

 

Curiosidade:

O Itapagé, navio brasileiro torpedeado pelo submarino alemão U-161, em 26 de setembro de 1943, no litoral do estado de Alagoas se tornou atração turística. Estando a apenas 25 metros de profundidade e, devido às águas claras da região ele pode ser visto desde a superfície. Possui a proa intacta e algumas espécies marinhas que o frequentam, como as  barracudas e as arraias formam um bom cenário para fotografias junto aos destroços.

 

Recife, 19 de março de 2020.

 

 

FONTES CONSULTADAS:




BALDWIN, Hanson W. Batalhas ganhas e perdidas. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército, 1978. Traduzido por Cel. Alvaro Galvão. (Coleção Gen. Benício, v. 159, publ. 480).

METSELAAR, Menno. Tudo sobre Anne. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2019. (Tradução de Yaemi Ntumi e Karolien Van Eck).

PARAÍSO, Rostand. O Recife e a 2ª Guerra. Recife: COMUNICARTE, 1995.

1111MicrosoftInternetExplorer402DocumentNotSpecified7.8 磅Normal0

1111MicrosoftInternetExplorer402DocumentNotSpecified7.8 磅Normal0 PRACINHAS [Foto neste texto]. Disponível em: <https://radios.ebc.com.br/tags/segunda-guerra-mundial-forca-expedicionaria-brasileira-pracinhas-musica-militar>. Acesso em 19 mar. 2020.

SANDER, Roberto. O Brasil na mira de Hitler: a história do afundamento de navios brasileiros pelos nazistas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.

VICENTE, Tullo. A Segunda Guerra Mundial. 2. ed. São Paulo: Ed. Moderna,

ROSAS, Frederico. A aventura dos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial. El País. São Paulo, abr.  2014. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/18/politica/1397851823_514835.html>. Acesso em 17 mar. 2020.

 

 


COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 
Fonte: VERARDI, Cláudia Albuquerque. Segunda Guerra Mundial: visão geral e participação do Brasil. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia mês ano. Ex.: 6 ago. 2009.

 

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