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Vaquejada
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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        É a festa mais tradicional do ciclo do gado no Nordeste do Brasil, sendo atualmente um acontecimento urbano e público, que atrai grande número de curiosos. Consiste na reunião do gado nos fins do inverno, para beneficiamento, castração, ferra, tratamento de feridas.

        Antigamente a festa tinha a finalidade prática da apartação, que era a divisão do gado entre os fazendeiros. O gado era criado solto em pastos comuns, parecendo não ter dono. No mês de junho, era conduzido para os grandes currais. Uma parte do gado era guardada ou reservada para a derrubada, ou seja, a vaquejada propriamente dita, o folguedo de derrubar o animal pela cauda, indo o vaqueiro de cavalo. O boi (ou a vaca) era tangido para fora da porteira, correndo ao seu lado sempre dois cavaleiros. O da esquerda chamado esteira tinha a função de manter o animal numa determinada direção, numa certa linha reta e o da direita é o que tentaria derrubá-lo e a quem caberia todas as honras da aclamação. Emparelhado com o animal em disparada, o vaqueiro segura-lhe a cauda dando um forte puxão (a puxada), afastando ao mesmo tempo o cavalo. É o que se chama mucíca, saiada ou arrasto.

 

Desequilibrado, o animal cai, com as patas para cima, numa queda completa, triunfal conhecida como mocotó passou. Se depois de derrubada a rês rola no chão, gritam e aplaudem: - Embolou! Quando o vaqueiro não consegue derrubá-lo, fugindo o animal ileso da puxada, recebe vaias, zombarias, batidas de bombo ou pratos, o que é conhecido como botou o boi no mato, ganhou os paus, ganhou a madeira, caiu no marmelo, sumiu na poeira, deu adeus ao rabo. Nesse caso dizem que o vaqueiro levou féde (do verbo feder).

 

No Brasil não se tem registro da vaquejada antes de 1870. Acredita-se que a vaquejada, caracterizada pela saiada, puxão pela saia, queda-de-rabo, tenha origem espanhola. O seu emprego era habitual entre os cioulos, mestiços, espanhóis nascidos na América, mas não entre os indígenas, que manejavam o ferrão e dominavam o gado com a garrocha (pau com ferro farpado numa extremidade).

 

A derrubada do boi pela cauda popularizou-se rapidamente pelo Nordeste brasileiro, por causa do tipo de vegetação das caatingas e carrascais, entrançados de cipós, juremas e marmeleiros, que impossibilitam o espaço livre para o lançamento do laço ou boleadeiras, muito utilizados para a derrubada do boi nos pampas do Rio Grande do Sul.

 

Fora da exibição das vaquejadas, o vaqueiro persegue e derruba o animal para colocar-lhe o chocalho, mascará-lo, peá-lo e levá-lo para o curral, havendo lances dramáticos nas derrubadas feitas nas caatingas, sem testemunhos e sem aplausos.

 

Recife, 3 de julho de 2003.

(Atualizado em 16 de setembro de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

CÂMARA CASCUDO, Luís da. Dicionário do folclore brasileiro. 3.ed. rev. e aum. Brasília: INL, 1972. 2v.

 

______. A vaquejada nordestina e sua origem. Natal: Fundação José Augusto, 1976. 48p.

 

SANTOS, José Batista dos. Pernambuco histórico, turístico, folclórico. [Recife: s. n.], 1989. p.333-334.

VAQUEJADA. Foto nesse texto. Disponível em: <
http://www.portaldoholanda.com.br/agenda-cultural/i-vaquejada-da-associacao-dos-vaqueiros-aspirantes-do-amazonas-acontece-neste-sabado>.. Acesso em: 2 jul. 2003.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: Gaspar, Lúcia. VaquejadaPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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