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Tabus alimentares

 

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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As tradições e crenças populares têm sido transmitidas de geração em geração, através da observação e registro feitos por viajantes, missionários, folcloristas, etnólogos e outros pesquisadores interessados no tema.

          A alimentação é um tema cercado por diversos mitos e tabus em todas as sociedades e, como não poderia deixar de ser, no Brasil existe uma grande quantidade deles.

        

Tabus alimentares são crenças e superstições referentes à ingestão de alimentos ou à combinação deles, que seriam prejudiciais à saúde e que muitos folcloristas chamam de faz-mal.

         Apesar de não terem nenhuma comprovação científica, os tabus acabam sendo assumidos pela população, principalmente a menos esclarecida, como “verdades”.

 Existem também hábitos culturais ou proibições religiosas que são uma espécie de tabu: na Índia, onde o boi é considerado um animal sagrado sua carne não é consumida pela população; os judeus não comem carne de porco, assim como alguns asiáticos também não o fazem, por considerá-lo um animal impuro; o leite de cabra não é consumido pelos malaios.  


 De acordo com o folclorista Câmara Cascudo, os tabus alimentares brasileiros se originaram no formalismo religioso português que, ao impor obrigações ao corpo faz com que as almas ameaçadas de castigos permaneçam seguras. Dessa forma, muitos tabus surgem para reprimir excessos, como comer demais, por exemplo.

No Nordeste do Brasil há uma grande incidência de tabus originários das culturas portuguesa, negra e indígena.

Um dos tabus alimentares mais conhecidos no Brasil, de norte a sul, é que faz mal chupar manga e tomar leite, em seguida, porque causa congestão. O tabu é antigo e teria surgido na época do Brasil colonial, quando os fazendeiros o inventaram, para evitar que os escravos chupassem manga, cuja safra era abundante, e tomassem leite às escondidas, por ocasião das ordenhas, diminuindo assim o volume do produto que chegava à casa-gande. Foi disseminada a crença entre os escravos que a mistura poderia até matar.

Há também vários outros tabus referentes ao consumo da fruta:

·         chupar manga e beber muita água, em seguida, dá dor-de-barriga;

·         não convêm misturar manga com cachaça, intoxica;

·         chupar manga e comer ovo provoca indigestão;

·         misturar manga com jaca provoca dores intestinais.

É claro que, com o progresso e o avanço tecnológico, além do advento do liquidificador utilizado no preparo das vitaminas e do hábito de fazer salada de frutas, fizeram com que muitos desses tabus envolvendo o consumo de frutas perdessem a força, principalmente em grande centros urbanos.

O tabu que “Cachaça com leite talha dentro da gente” tem origem, provalvemente, no espanhol la leche con el vino tornase venino”.

Outros tabus alimentares registrados e difundidos pelo Brasil: 

·         melancia com vinho empedra no estômago;

·         comer carne e peixe na mesma refeição encurta a vida;

·         misturar banana com goiaba, faz mal, dá constipação;

·         comer sarapatel e depois tomar leite, faz mal porque talha o fígado;

·         ovos com banana faz mal;

·         comer mamão com ovo dá dor e pode ser fatal;

·         tomar cachaça e depois caldo de cana provoca dor de estômago;

·         comer pepino e tomar cachaça dá congestão;

·         comer banana e depois jaca faz mal porque dá prisão de ventre;

·         comer ovo e chupar abacaxi dá congestão das brabas.

Recife, 26 de janeiro de 2006.

(Atualizado em 8 de setembro de 2009).

FONTES CONSULTADAS:

MAUÉS, Maria Angélica; MAUÉS, Raymundo Heraldo. O folclore da alimentação: tabus alimentares da Amazônia. Belém. 1980.

SOUTO MAIOR, Mário. Os mistérios do faz-mal. Recife: 20-20 - Comunicação e Editora, 1996.

TABUS alimentares: superstições que sobrevivem ao tempo? Disponível em: <http://www.educacional.com.br/falecom/nutricionista_bd.asp?codtexto=262Acesso em: 19 jan. 2005

TABUS e crendices sobre a mesa. Disponível em:>. Acesso em: 7 dez. 2005.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Tabus alimentaresPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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