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Othon Bezerra de Mello

 

Maria do Carmo Andrade

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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         Othon Lynch Bezerra de Mello foi um dos maiores industriais do Brasil. Nasceu no dia 9 de fevereiro de 1880, na cidade de Limoeiro, estado de Pernambuco. Filho de José Clemente Bezerra de Mello, descendente de Bernardo Vieira de Mello, herói da Guerra dos Mascates e de Ama Lynch Bezerra de Mello, descendente de família inglesa.

 

         Estudou no Colégio Onze de Agosto, no Recife. Othon tinha tendências literárias, entretanto seu pai preferiu orientá-lo para o comércio e mandou-o aprender francês e inglês, e familiarizar-se com as grandes empresas da Europa. Em 1913, casou-se com   Maria Amália de Araújo Brito, filha do engenheiro Luís Correia de Brito, com quem teve onze filhos.

 

         Sua vida de dirigente comercial começou desde 1905, e oito anos depois já era o primeiro secretário da Associação Comercial. Em 1921, destacou-se como membro de uma comissão oficial enviada ao Presidente da República para resolver graves problemas relativos ao comércio pernambucano. Homem dinâmico, a essa altura, já era um líder do comércio e da indústria nacional.

 

         Iniciou suas atividades comerciais com uma loja na rua da Cadeia, atual Marquês de Olinda, abrindo depois outra, na Duque de Caxias, e mais uma na rua do Imperador. Em 1924, Othon comprou a Fábrica de Tecidos Apipucos, transformada em cotonifício Othon Bezerra de Mello S.A, e procurou adaptá-la às novas tecnologias importadas da Europa, para obter assim, melhor qualidade de tecelagem.

 

         Com as novas tecnologias na área têxtil, vieram também técnicos e especialistas ingleses e alemães que, com suas idéias progressistas, principalmente em administração, lutavam por melhores salários para os operários, pelo lazer e por boa alimentação. Promoveram até a criação de uma Sociedade da Fábrica.

 

         Após a consolidação desses estabelecimentos, Othon Bezerra de Mello, montou a Fábrica de Tecidos Amalita, em homenagem à sua esposa, e anos depois adquiriu a Fábrica da Várzea, que lhe foi oferecida pelo proprietário, o conde Pereira Carneiro, modernizando-a e transformando-a em um novo empório, a Fábrica Anita.

 

         Othon foi também Conselheiro Municipal e Deputado Estadual, mas sua paixão era o empreendimento na área têxtil. Incentivava sempre seus filhos e herdeiros a se interessar por esse ramo de atividade.

 

         Em 1941, fundou a Companhia Fiação e Tecelagem Bezerra de Mello, incorporando a Fábrica Éster, em Santo Aleixo, no município de Magé, no estado do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, instalou em Curvelo, Minas Gerais, a Fábrica Maria Amália.

 

         Em 1943, as indústrias Othon Bezerra de Mello estenderam-se para o estado de Alagoas, com a compra das Fábricas Fernão Velho e Carmem, localizadas em Maceió, criando a Sociedade Anônima Othon Bezerra de Mello, Fiação e Tecelagem.

 

         Estas novas unidades de fiação eram entregues a seus filhos que, já experientes por conta dos estudos na Europa e orientados pelo pai, continuavam a desenvolver o negócio. Ampliando sua área de atuação, Othon Bezerra de Mello, ingressou no ramo da indústria açucareira, comprando e modernizando a Usina Una, que foi anexada a Usina Santo André, formando a Companhia Açucareira Santo André do Rio Una.

 

         Enquanto ampliava seus empreendimentos, Othon também analisava e discita os problemas brasileiros através de artigos claros e oportunos em revistas e jornais.

 

         Ciente da importância de uma hidrelétrica para o Brasil, comprou a maioria das ações da Companhia Luz e Força Hulha Branca de Minas Gerais, reorganizando-a, modernizando-a, e duplicando a capacidade de sua principal fornecedora: a Usina Baraúna.

 

         Homem sociável, viajado e comunicativo, compreendeu as potencialidades turísticas do Brasil. Lançou-se, então, em novo negócio: a indústria hoteleira. Já em 1916, fundou o Recife-Hotel.

O Rio de Janeiro e São Paulo eram centros mais favoráveis para o desenvolvimento desse tipo de empreendimento. Escolheu naquelas cidades locais apropriados para a construção de grandes hotéis e criou a Companhia Brasileira de Novos Hotéis, cuja razão social foi depois mudada para Hotéis Othon S.A. Foram surgindo o Aeroporto Hotel, o Castro Alves, o Olinda, o Lancaster, o Califórnia, o São Paulo, e o majestoso Othon Palace, no centro da entre outros.

 

         Preocupado com seus empregados, Othon abriu para eles escolas com assistência médica e dentária, e loteou terrenos para construção de suas casas. Era também um apreciador das artes. Suas residências, no Recife, em São José dos Manguinhos, no Rio de Janeiro, no Cosme Velho e em Petrópolis, eram verdadeiras exposições de bom gosto.

 

         Em Pernambuco, instituiu o Prêmio Literário Othon Bezerra de Mello, entregue pela Academia Pernambucana de Letras, destinado aos melhores livros publicados anualmente. Igual iniciativa foi por ele adotada em Alagoas e em Minas Gerais, o que lhe valeu o título de Mecenas Brasileiro do Século XX.Também foram contemplados com prêmios semelhantes, a Faculdade de Ciências Econômicas do Recife e a Escola de Comércio Álvares Penteado de São Paulo.

 

         Othon doou uma imensa área com mananciais de água, em Alagoas, no Catolé da Rocha, para abastecer a cidade. Ali o governo alagoano, organizou o Parque Othon L. Bezerra de Mello, ergendo um busto do seu doador. Era conhecido e respeitado nacional e internacionalmente, tendo participado de diversas  comissões oficiais brasileiras enviadas ao exterior.

         Com o passar do tempo e já cansado da luta, a resistência física do grande empresário foi diminuindo. Doente, veio fixar-se em sua residência de São José dos Manguinhos, no Recife. Magro e debilitado, fazia-se transportar através das pontes e das ruas, para rever as casas que dirigiu e a cidade cujo nome engrandecera.

 

         Othon Bezerra de Mello, morreu em 9 de junho de 1949.

 

Recife, 31 de agosto de 2005.

(Atualizado em 14 de setembro de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

SILVA, Jorge Fernandes da. Vidas que não morrem. Recife: Secretaria de educação de Pernambuco. Departamento de Cultura, 1982.

 

VERAS, Lúcia Maria de Siqueira Cavalcanti. De Apé-puc a Apipucos: numa encruzilhada, a construção e permanência de um lugar urbano. Recife: Bagaço, 1999.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Othon Bezerra de MelloPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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