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Olegário Mariano: o príncipe dos poetas brasileiros

Maria do Carmo Andrade

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Olegário Mariano Carneiro da Cunha, filho de José Mariano Carneiro da Cunha, herói pernambucano da Abolição e da República, e de Olegária Carneiro da Cunha, nasceu no Poço da Panela, arrabalde da cidade do Recife, estado de Pernambuco, no dia 24 de março, no mesmo ano da Proclamação da República, em 1889.

 

Olegário Mariano mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, aos oito anos de idade. Inicialmente morou na Aldeia Campista, em seguida no Flamengo e depois no Cosme Velho onde foi vizinho de Machado de Assis.

 

Escrevia poesia antes mesmo dos 13 anos. Em 1904, então com 15 anos, publicou o seu primeiro livro: Visões de moço, prefaciado por Guimarães Passos. Passou então a colaborar nas revistas Fon-Fon, Careta e Para Todos,publicadas no Rio de Janeiro.

 

 Estudou no Colégio Pio-Americano. A orientação e estímulo para os versos vieram de um de seus professores, Alberto de Oliveira, que lhe daria mais tarde o seu primeiro prêmio de literatura.

 

Matriculou-se na Faculdade de Direito, mas não chegou a iniciar o curso, pois foi trabalhar no cartório do pai. O local era freqüentado, além de políticos, por Olavo Bilac, Guimarães Passos, Emílio Menezes, entre outros.

 

Olegário Mariano conheceu também Machado de Assis a quem dedicou grande admiração. Um amigo do pai, o Barão do Rio Branco, queria que Olegário seguisse a carreira diplomática, mas a idéia não contou com a aprovação paterna. Foi muito influenciado por Gonçalves Dias, como se percebe em seus trabalhos de inspiração patriótica, como Meu Brasil.

 

Casou com Maria Clara Sabóia de Albuquerque, em 1911, indo morar na Europa por quase um ano.

 

Em 1926, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a Cadeira Nº 21, na vaga de Mário de Alencar.

 

Assim como ocorrera com o pai, que recebeu um cartório do presidente Rodrigues Alves, Olegário Mariano ganhou o seu de Getúlio Vargas, em 1930.

 

Dedicou-se à carreira política sendo deputado na Assembléia Constituinte que elaborou a Carta de 1934, e na 2a. Câmara federal. Trabalhou também como Inspetor Federal de Ensino Secundário e censor de teatro.

 

Em 1938, foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros pelos intelectuais brasileiros, em concurso promovido pela revista Fon-Fon, substituindo Alberto de Oliveira, que detinha o título após a morte de Olavo Bilac, que foi o primeiro a receber o título.

 

Representou o Brasil na Missão Melo Franco, na Bolívia, foi delegado da Academia Brasileira de Letras na Conferência Inter-Americana de Lisboa, para o acordo ortográfico (1945), embaixador do Brasil em Portugal (1953), e membro da Academia das Ciências de Lisboa.

 

Conhecido como “o poeta das cigarras”, por causa de um dos seus temas prediletos, e considerado o último poeta romântico brasileiro, a sua contribuição à história da música popular brasileira não é muito estudada. Entretanto, em parceria com Joubert de Carvalho, deixou 21 composições, sendo que dezenove chegaram a ser gravadas.

 

Joubert musicou, em 1927, duas poesias de Olegário: Cai, cai, balão eTutu Marambá. O poeta aprovou as músicas e, a partir de então, surgiram outras canções, com De papo pro ar (1932)e Dor de recordar(1933). Fez, ainda, dupla com Gastão Lamounier, lançando o tango Reminiscência (1929), a valsa Arrependimento,e a valsa lenta Suave recordação.     

 

Faleceu no dia 28 de novembro de 1958, no Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério São João Batista.

 

 

Principais Obras:

 

Ângelus (1911); Sonetos (1912); Evangelho da sombra e do silêncio (1913); Últimas cigarras (1920); Castelos na areia (1922); Cidade maravilhosa(1923); Batachan (1927); Destino (1932); Poesias escolhidas (1932); O amor na poesia brasileira (1933); Canto da minha terra (1933); Vida, caixa de brinquedos (1933); O enamorado da vida (1937); Da cadeira n.21 (1938);Abolição da escravatura e os homens do Norte (1939); Em louvor da línguaportuguesa (1940); A vida que já vivi (1945); Quando vem baixando o crepúsculo (1948); Tangará conta histórias (1953).

 

Suas obras completas foram publicadas pela Livraria José Olympio Editora sob o título de Toda uma vida de poesia (1958).

 

Deixou uma espécie de autobiografia, sob o título: Se não me falha a memória.

 

 

 

Recife, 24 de maio de 2005.

Atualizado em 14 de setembro de 2009.

Atualizado em 20 de março de 2018.

 

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

ENCICLOPÉDIA Barsa. Rio de Janeiro: São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1995.

 

MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileirinho. 2.ed. Rio  de Janeiro: Livros Técnicos Científicos, 1978.

 

OLEGÁRIO Mariano. Disponível em: <goo.gl/jE3Nei>. Acesso em: 17 maio 2005.

 

OLEGÁRIO Mariano [Foto neste texto]. Disponível em: <http://bonavides75.blogspot.com.br/2016/03/olegario-mariano-127-anos.html>.  Acesso em: 20 mar. 2018.

 

VASCONCELOS, Ary. Panorama da música popular brasileira. São Paulo: Livraria Martins, 1964.

 

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Olegário Mariano. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

 

 

 

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