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Jorge Abrantes

Lúcia Gaspar

Bibilotecária da Fundação Joaquim Nabuco


Nasce no dia 24 de março de 1917, no município pernambucano de São José do Egito, filho de Miguel Domingues dos Santos Junior e Laura Abrantes Pinheiro dos Santos.

Seu pai era promotor (posteriormente juiz) e atuava em vários municípios e na capital do Estado, fato que levou a família a viver entre comarcas do interior e bairros do Recife.

Cursou o primário em diversos grupos escolares, entre os quais o José Bezerra, de Palmares, o Martins Júnior e José Bonifácio, no bairro da Torre e o Sérgio Loreto no bairro de São José. Por ser um bom aluno recebeu uma medalha que era concedida pela Diretoria da Instrução Pública aos alunos que se destacavam em todo o curso primário, sendo condecorado pelo próprio diretor geral, professor Cândido Duarte. Em 1929, foi matriculado no Colégio Nóbrega, para prestar o exame de admissão ao curso secundário.

Ingressa na Faculdade de Direito do Recife, em 1934, bacharelando-se em 1939. Começa sua carreira jornalística, publicando artigos no jornal A Ordem, do município de Água Preta, Pernambuco.

Em 1937, filia-se ao Integralismo e vai trabalhar como revisor e repórter do jornal Diário do Nordeste, porta voz local do movimento. Publica um artigo intitulado Origens do município, na revista Atualidades, também de orientação integralista. Ao bacharelar-se começa a trabalhar na redação do Jornal do Commercio, com a principal missão de entrevistar personalidades a bordo de navios de passagem pela cidade. Nessa época, inicia uma campanha para criar a Associação dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco.

Em 1941, com um grupo de jornalistas, entre eles Mário Melo, consegue fundar a Associação Profissional dos Jornalistas, que posteriormente seria transformada em Sindicato dos Jornalistas. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Pernambuco tem como data de fundação o dia 27 de novembro de 1947, ou pelo menos essa é a data que registra a sua Carta Sindical. No entanto, a história da organização sindical dos jornalistas pernambucanos começa em 1941.

No ano de 1945, exerce o cargo de promotor público no município pernambucano de São Bento do Una. Em 1946, a empresa do Jornal do Commercio, dirigida por F. Pessoa de Queiroz, publica o Diario da Noite e convida Jorge Abrantes para ser seu principal redator. Torna-se funcionário do Departamento de Documentação e Cultura, da Prefeitura do Recife, indo trabalhar com José Césio Regueira Costa, Souza Barros e outros intelectuais.

No dia 20 de março de 1948, casa-se com Maria das Dores Cavalcanti Borges [Dorita], com quem teve quatro filhos Luciana, Renata, Jorge e Maria Fernanda.

Nos anos de 1948-1949 faz um curso de especialização em Biblioteconomia, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Durante esse período colabora com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a convite de Waldemar Lopes. Ao retornar, já diplomado, cria um curso para bibliotecários na Prefeitura do Recife, com o apoio do então reitor da Universidade do Recife, Joaquim Amazonas, onde passa a ensinar a disciplina Referência e Bibliografia.

Começou, em 3 de Janeiro de 1950, a seção Mote & Glosa, em seis colunas, ao pé da segunda página do Diario da Noite, assinada por J. S. (Jorge Abrantes dos Santos) e dedicada ao comentário do dia-a-dia político de Pernambuco. Em 20 de maio de 1951, assume a seção Boa Tarde!, após a morte de Silvino Lopes, que já havia substituído Sylvio Rabello, seu primeiro redator. Foi responsável pela coluna até a sua morte.

Em 1952, inicia sua colaboração nos suplementos de domingo do jornal Diario de Pernambuco e passa a colaborar também com o Jornal Pequeno.Exerce outras atividades jornalísticas no período, como a direção da sucursal doDiário de Notícias, do Rio de Janeiro e a representação da revista Time, de Nova York.

Em janeiro de 1953, cria a seção Arruar, de notas ligeiras, baseadas em artigos e notícias da imprensa local, mas teve curta duração. No mesmo mês, mantém uma polêmica com Luis Beltrão, redator da Folha da Manhã, sobre a escolha da delegação de Pernambuco para o V Congresso Nacional de Jornalistas. Exerce o cargo de vice-presidente da Escolinha de Arte do Recife, no período de 1953 a 1961. Durante a década de 1950, foi conselheiro do Conselho Regional de Trânsito do Estado de Pernambuco.

Continua exercendo atividades na área jornalística e na área de documentação. Em março de 1954, participa, em Caracas, na Venezuela, da X Conferência Interamericana de Jornalismo e, em julho, apresenta um trabalho sobre bibliografias, no 1º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, realizado no Recife. Em 1957, é eleito presidente da Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP), sendo reeleito para o mandado seguinte. Foi o principal responsável pela instalação da AIP, em um terreno doado pelo governo, situado na Avenida Dantas Barreto, depois trocado com uma construtora por área construída no local.

Ainda em 1957, foi aos Estados Unidos representando a AIP e, em 1960, participou do II Encontro Internacional de Jornalistas, em Baden, na Alemanha.

Morreu no dia 28 de abril de 1961. Não assistiu a inauguração do prédio da AIP em 1961, mas foi homenageado pela imprensa pernambucana, em março de 1963, com a aposição de um busto seu na sala da diretoria da AIP. 

Em 1976, a AIP publica Prosa breve, prefaciado e organizado por Luiz Delgado, reunindo várias de suas crônicas, o segundo volume da série Biblioteca de Jornalistas Pernambucanos.

Foi colaborador de vários periódicos recifenses: Diario da Noite, Diario de Pernambuco, Diario do Nordeste, Jornal do Commercio, Jornal Pequeno(jornais); Atualidades, Boletim da Cidade e do Porto do Recife, Caeté,Capibaribe, Cine Clube do Recife, Clube Internacional do Recife, Educação e Trabalho, Em Ação, Guararapes, Jornal Universitário, Maskarado, Mensagem,Minerva, Nordeste, Presente de Natal, Região , Renovação, Revista de Direito do Trabalho, Revista do D.A.C., Revista Radiofônica e Teatral (revistas).

 

 

Recife, 24 de março de 2010.

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

ABRANTES, Jorge. Prosa breve. Organizado por Luiz Delgado. Recife: Associação da Imprensa de Pernambuco, 1976.  167 p. (Biblioteca de jornalistas pernambucanos, 2).

 

FONSECA, Edson Nery da. Vão-se os dias e eu fico: memórias e evocações. São Paulo: Atleliê Editorial, 2009. 223 p.

 

JORGE Abrantes: perfil parlamentar século XX. Disponível em: <http://www.alepe.pe.gov.br/sistemas/perfil/links/JorgeAbrantes.html>. Acesso em: 17 mar. 2010.

 

NASCIMENTO, Luiz do. História da imprensa de Pernambuco: 1821-1954. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1962-2008.   v.3-8 (1962); v. 9 (2008); v. 10 (1997).

 

NASCIMENTO, Luiz do.  Dicionário de pseudônimos de jornalistas pernambucanos. Recife: UFPE, 1983.

 

PARAÍSO, Rostand. Cadê Mário Melo... Recife: Comunigraf, 1997. 244p.

 

RIVAS, Lêda. Jorge Abrantes: 70 anos. Diario de Pernambuco, Recife, 24 mar. 1987. Caderno Viver, p. 1.

 

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Jorge Abrantes. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

 

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