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Jequitibá

Semira Adler Vainsencher

Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

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O jequitibá - Cariniana legalis -figura na relação das árvores mais altas do Brasil - tais como o jatobá, asapucaia, o angelim, a jaterena, a jenipaparana - sendo a maior da Mata Atlântica. Ele mede, em geral, de trinta a trinta e cinco metros, mas pode atingir até sessenta metros (altura de uma construção de vinte andares) sendo visualizado ao longe, quando atinge a idade adulta, muito acima das outras árvores. Por essa razão, os índios o denominaram gigante da floresta, em tupi-guarani.

 

O jequitibá tem o tronco cilíndrico, com uma casca muito grossa e dura, difícil de ser serrada, e apresenta sulcos profundos. Quando a madeira é envernizada fica na cor acaju. Formado por uma espécie de cápsula que abriga as sementes, o fruto é chamado canudo-de-cachimbo, por sua semelhança com o fornilho do cachimbo, a parte onde se deposita o tabaco. Na primavera, as folhas apresentam um tom avermelhado, e as flores podem ser brancas, vermelhas ou amarelas. Essa árvore é capaz de viver alguns milhares de anos.


Cabe ressaltar que a família das Lecitidáceas possui vinte e quatro gêneros, com cerca de quatrocentos e cinqüenta espécies, dentre as quais se destacam pelo nome jequitibá, várias árvores de grande porte. Neste sentido, os botânicos colocaram a denominação jequitibá e, em seguida, algum caráter típico dela, como a cor de sua madeira ou da flor. Logo, tem-se o jequitibá-vermelho (Cariniana legalis); o jequitibá-branco ou grande (Cariniana estrellensis); o jequitibá-roxo (Cariniana domestica); e o jequitibá de Mato-Grosso - que produz uma madeira branca, apropriada para a fabricação de caixotes e pastas para papel; e o jequitibá da manta - uma espécie da família das Lecitidáceas, muito ornamental, que possui uma copa ampla, a casca rugosa, e é nativa do Rio de Janeiro; entre outros.


Os quinhentos anos de colonização e a exploração desordenada exterminaram os jequitibás no Nordeste do Brasil. As árvores foram transformadas em materiais de construção e de mobiliário ou, simplesmente, foram derrubadas para gerar mais espaço para as plantações. No presente, os jequitibás podem ser vistos do Espírito Santo até São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

 

Há mais de cinqüenta e cinco anos, não são encontrados jequitibás no Estado de Pernambuco. Os últimos registros são datados de 1952, e estão nos arquivos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Pernambuco (IPA). No primeiro, consta que o botânico italiano Adolpho Ducke (1876-1959) encontrou um jequitibá na Usina Mussurepe, em Paudalho, perto da Estrada de Aldeia, na Zona da Mata Norte do Estado, em um remanescente florestal; e, no segundo, que o botânico paraibano Dárdano de Andrade Lima (1919-1981), que era curador do herbário do IPA, encontrou um outro no Engenho Itaboraí, em Paudalho/PE. Segundo esses dois pesquisadores, existiam muitos jequitibás na área onde, hoje, só restam dois, mas eles foram derrubados para se expandir a fronteira agrícola, e passaram a fazer parte das árvores em processo de extinção. No presente, podem ser encontrados apenas na Região Sudeste, e em alguns Estados vizinhos.

 

O jequitibá faz parte da cultura brasileira, tendo emprestado seu nome para ruas, cidades e parques. Em uma das novelas da TV Globo, além disso, representando a força de um fazendeiro, o ator Antônio Fagundes enterrou um facão em um pé de jequitibá. No que diz respeito à músicas, a árvore foi homenageada em Saudade da Minha Terra, de Goiá e Belmonte, cantores caipiras: ...vou escutando, o gado berrando, o sabiá cantando no jequitibá... E também foi cantada por José Ramos, sambista da Mangueira e parceiro de Cartola, que compôs a música Jequitibá, em dezembro de 2001:

 

...Ô ô ô ô ô

O Jequitibá do samba chegou

Mangueira é uma floresta de sambistas

Onde o Jequitibá nasceu....


A madeira do jequitibá, além de servir para construção e mobiliário, é empregada na fabricação de papel, de estopa, e na calafetagem das embarcações. Em se tratando de remédios populares, a infusão de sua casca è utilizada para gargarejos, em afecções da boca e da garganta; sendo usada também como adstringente em diarréias e anginas.

 

No Parque Estadual do Vassununga, em Santa Rita do Passa Quatro, no Estado de São Paulo, encontra-se um imenso jequitibá-rosa. Sua idade foi estimada em 3.050 anos e ele ainda frutifica. Na época  da construção do Parque, a árvore só não foi derrubada porque não se conseguiu um instrumento que pudesse fazê-lo.

 

O artista plástico Álvaro Apocalipse idealizou a bandeira de Minas Gerais e colocou o jequitibá no centro dela, dentro de um triângulo. O jequitibá-rosa, por sua vez, é a árvore símbolo do Estado de São Paulo. Essa árvore foi inserida no emblema do Partido Republicano Paulista, na histórica Convenção Republicana de Itu, em 1878; e também representa a Escola Paulista de Medicina. E, segundo a Lei Nº 6.146 08, de fevereiro de 2000, o dia 21 de setembro passou a ser comemorado, anualmente, como o dia estadual do jequitibá-rosa. O jequitibá, por sua beleza e imponência, foi escolhido, inclusive, como a árvore símbolo da fraternidade nacional.

 

 

Recife, 18 de setembro de 2008.
(Atualizado em 9 de agosto de 2016).

 


 

FONTES CONSULTADAS:

 


 

ÁRVORES SÍMBOLO. Disponível em: <http://www.floraefauna.com/arvores_simbolo.htm>. Acesso em: 5 mar. 2008.

 

CASOS de árvores. Disponível em: <http://www.arvores.brasil.nom.br/textos/casos/casos.htm>. Acesso em: 5 mar. 2008.

 

CORRÊA, Manuel Pio. Dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cultivadas. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1926-1978.

 

ESTAMOS no caminho certo. Disponível em: <http://www.estradareal.org.br/cidad/onde_ir/index.asp?codigo=126>. Acesso em: 5 mar. 2008.

 

GRANDE Enciclopédia Barsa. 3. ed. São Paulo: Barsa Planeta Internacional, 2005.

 

JEQUITIBÁ. Foto nesse texto: Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jequitib%C3%A1-branco>. Acesso em: 9 ago. 2016.
                    

JEQUITIBÁ. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Jequitib%C3%A1>. Acesso em: 5 mar. 2008.

 

JEQUITIBÁ. Jornal do Commercio, Recife, 5 de mar. 2008. Caderno Cidades, p. 6.

 

JEQUITIBÁ-ROSA. Disponível em: <http://www.esalq.usp.br/trilhas/uteis/ut18.htm>. Acesso em: 5 mar. 2008.

 

TEO, Diane; DUARTE, Rogério M. et al. Jequitibá: características físico-químicas de aguardentes envelhecidas em barris confeccionados com diferentes madeiras. Carlos Pavani – Jaboticabal/FCAV – Unesp, v. 33, n. 2, p. 152-159, 2005.



 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Jequitibá. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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