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Farol Santo Antônio, BA

Semira Adler Vainsencher

Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco

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Em 1602, no Morro do Padrão, na entrada da Baía de Todos os Santos, no Estado da Bahia, foi construído o Farol Santo Antônio. A princípio, tratava-se de uma fortaleza em cal e pedra, visando defender a cidade de Salvador.

Os especialistas acreditam que, no início do século XVII, tal fortaleza mantinha uma simples lanterna acesa no alto do mastro do seu pátio interno. E essa lanterna era apagada, para dificultar a entrada de alguma embarcação inimiga, sempre que esta tentasse se aproximar da costa baiana. Sendo assim, com uma alta probabilidade, na ausência da orientação da luz do farol, a embarcação encalhava ou, mesmo, vinha a naufragar.

Quem forneceu os primeiros registros sobre o Farol Santo Antônio foi Cecil Willian Dampier, um famoso corsário inglês. Após a sua inesperada visita, o Governador e Capitão-General da Bahia tomou a decisão de melhorar os pontos de defesa da Província: mandou reconstruir todas as fortalezas existentes, incluindo a de Santo Antônio.

Àquela fortaleza, porém, o Governador acrescentou um farol. Este detalhe demonstrava ser de suma importância, tendo em vista os inúmeros encalhes e/ou naufrágios ocorridos no banco de areia presente em frente da fortaleza. Neste particular, cabe registrar o trágico naufrágio do galeão portuguêsSacramento, em 1668, que ceifou centenas de vidas de pessoas a bordo.

Somente nos primeiros anos do século XVIII, foi finalizada a construção da torre do Farol Santo Antônio. Segundo os registros da época, ela era descrita como um torreão quadrangular de altura meã, encimado por uma sorte de quiosque lateralmente envidraçado, no qual arderiam à noite, um ou mais lampiões avantajados, alimentados por óleo de baleia.

Desde o ano de 1822 - no período de D. João VI - a Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação controlava os chamados "Direitos de Tonelada" (que, mais tarde, seria denominado de Imposto de Faróis). Neste sentido, a Junta representava um organismo por meio do qual eram encaminhados os pedidos para a construção dos faróis.

E foi através dessa Junta, portanto, que o Farol Santo Antônio pôde ser reconstruído, porque já se encontrava bastante danificado, colocando em risco a navegação local.

No dia 2 de dezembro de 1839 - dia do nascimento do Imperador Pedro II - a nova construção daquele farol foi inaugurada. Medindo 22 metros de altura, sua torre abrigava um aparelho luminoso catóptrico que, posteriormente, foi substituído por um dióptrico de 1ª ordem, com uma máquina de rotação elétrica, que é mantido até os dias de hoje.

Vale ressaltar que, a cada rotação, o facho luminoso do farol evidencia luzes brancas e vermelhas, e elas podem ser visualizadas a 38 milhas náuticas de distância.

Até a década de 1990, havia três famílias de faroleiros habitando o interior da antiga fortaleza do Farol Santo Antônio. Próximo ao final do século XX, além da presença daquelas famílias, um museu oceanográfico passou a fazer parte, também, da fortaleza do farol.

 

 Recife, 8 de abril de 2008.

(Texto atualizado em 25 de março de 2008).

 

 

FONTE CONSULTADA:


 

SIQUEIRA, Ricardo. Luzes do novo mundo: história dos faróis brasileiros. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2002.

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Farol Santo Antonio, BA. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em:dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

 

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