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Caxangá (Bairro, Recife)

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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O bairro de Caxangá originou-se de uma povoação fundada pelo cônego Francisco Pereira Lopes, no final do século XVIII.

Pernambucano (1755-1833), o Cônego Caxangá, como era conhecido, por ser proprietário das terras que tinham esse nome, construiu no local uma boa casa para morar e uma capela dedicada a São Francisco de Paula.

As terras, no entanto, já eram cultivadas desde os meados do século XVII, quando funcionava nas suas proximidades o engenho Brum, fundado por Miguel Bezerra Monteiro, pertencente a uma tradicional família pernambucana.
 

Não se sabe de onde vem o nome Caxangá. Alguns autores afirmam que é uma corruptela da palavra tupi caa-çan-áb, que significa mata estendida oucaa-çang-guá, mato do vale dilatado ou ainda caa-ciangá, mato da madrasta ou da madrinha.

Fica situado nas margens do rio Capibaribe, vizinho ao bairro da Várzea a cerca de onze quilômetros do centro do Recife.

 

Em 1833, a povoação era considerada como um dos mais belos e aprazíveis arrabaldes da cidade.

 

Banhada por um rio de águas límpidas, um clima agradável e um terreno muito fértil, desenvolveu-se rapidamente, tornando-se um dos locais preferidos para banhos de rio e veraneio da sociedade recifense.

 

Possuía também, na margem direita do rio, uma fonte de águas minerais muito procurada por suas propriedades medicinais.

 

Com a conclusão, em 1842, do primeiro trecho da estrada de Paudalho (correspondente hoje à Avenida Caxangá), que partia da Madalena e terminava na povoação, a viagem até o povoado passou a ser feita em uma hora. Antes, só era possível chegar a cavalo e, devido às más condições dos caminhos, levava-se cerca de duas horas para fazer o mesmo percurso.

 

Estação de Caxangá era o terminal de uma das linhas ferroviárias mais importantes do trem urbano conhecido como Maxambomba (machine pump), que pertencia à Companhia de Trilhos Urbanos do Recife, Olinda e Beberibe, empresa na qual trabalhou por um período o empresário Delmiro Gouveia.

 

A construção da ponte pênsil do Caxangá, ligando o Recife à zona da Mata Norte, construída por Louis Léger Vauthier na administração do Conde da Boa Vista, foi uma obra fundamental para o desenvolvimento e o progresso da localidade.

 

Localizado junto à estação ferroviária, existia, em 1883, o Hotel Francês de Caxangá, que oferecia aposentos grandes e agradáveis, almoço, jantar e ceia, além de banheiros especiais para banhos de rio.

 

Em outubro de 1928, foi fundado no bairro um clube de campo inglês, oThe Pernambuco Golf Club, que em 1944, passou a chamar-se Caxangá Golf Country Club, construído no local de uma antiga propriedade rural, com campo de golfe e uma pista de hipismo que homenageia o conde Maurício de Nassau.

 

Hoje, apesar do progresso, o bairro de Caxangá continua sendo um local aprazível, com muita vegetação e um clima agradável.

 

Recife, 22 de outubro de 2004.
(Atualizado em 25 de agosto de 2009).

 

 

FONTES CONSULTADAS:


CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Recife e seus bairros. Recife: Câmara Municipal, 1998. p. 146-148.

 

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais pernambucanos. 2. ed. Recife: Fundarpe, Diretoria de Assuntos Culturais, 1983. v. 9, p. 507-511. (Coleção pernambucana, 2a. fase).

 

GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos. Diccionario chorographico, histórico e estatístico de Pernambuco. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908.



 

COMO CITAR ESTE TEXTO:


Fonte: GASPAR, Lúcia. Caxangá (bairro, Recife). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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