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Péricles (Caricaturista e Cartunista)

Virginia Barbosa

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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O caricaturista e cartunista Péricles de Andrade Maranhão nasceu no dia 14 de agosto de 1924, no bairro do Espinheiro, cidade do Recife.

 

Estudou no Colégio Marista na década de 1930 e publicou seus primeiros desenhos na Revista deste Colégio. Em 1939, participou do concurso publicitário promovido pelo Departamento de Trânsito de Pernambuco e classificou-se em segundo lugar.

Em 1942, transferiu-se para o Rio de Janeiro onde, graças a uma carta de recomendação de Aníbal Fernandes, ingressou nos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Apresentou-se a Leão Gondim de Oliveira, editor da revista ilustrada O Cruzeiro, e começou a trabalhar no dia 6 de junho de 1942. Embora já tivesse publicado anteriormente desenhos no periódico O Guri, em março de 1943, seu primeiro personagem cômico surgiu na revista A Cigarra. Chamava-se Oliveira, o Trapalhão que também foi publicado no Diário da Noite, do Rio de Janeiro. Na revista A Cigarra, Péricles fez longa carreira com seus desenhos e páginas de sua criação, como: “Cenas Cariocas em que satirizava a vida no Rio de Janeiro; Miriato o Gostosão, um inveterado paquerador sem sorte; O Negócio Foi Assim, em que a vítima, geralmente um perdedor, procurava encobrir seu fracasso contando vantagens; O Rádio por Dentro, em que satirizava o mundo artístico e A Piada do Mês.”

 

O personagem O Amigo da Onça nasceu de uma solicitação de Leão Gondim: ele precisava de uma figura que incorporasse a esperteza e o humor não somente do carioca, mas também daqueles que viviam no Rio de Janeiro, não importando sua terra natal.

 

Com um desenho de linhas bem-feitas e formas estilizadas, Péricles deu vida a um personagem sempre de cabelos engomados, bigodinho de Carlito, elegante, de calças pretas, paletó branco e gravata-borboleta que insistia em tirar vantagem em tudo, colocando a(s) figura(s) com quem conversava em situações humilhantes e vexatórias. Leão Gondim batizou a figura de O Amigo da Onça baseado numa piada em voga à época:

 

          Dois caçadores conversam em seu acampamento:

- O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?

- Ora, dava um tiro nela.

- Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo

- Bom, então eu matava ela com meu facão.

- E se você estivesse sem o facão?

- Apanhava um pedaço de pau.

- E se não tivesse nenhum pedaço de pau?

- Subiria na árvore mais próxima!

- E se não tivesse nenhuma árvore?

- Sairia correndo.

- E se você estivesse paralisado pelo medo?

Então, o outro, já irritado, retruca:

- Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça? 

 

O Amigo da Onça é o personagem de maior sucesso de Péricles e um dos mais populares do humor gráfico brasileiro. Estreou em 23 de outubro de 1943, na revista O Cruzeiro e foi publicado por mais de vinte anos ininterruptos. Mesmo após a morte de seu criador (1961), o personagem ainda viveu nas páginas da revista com originais inéditos até fevereiro de 1962. Depois, continuou sendo desenhado por Carlos Estevão até o ano de 1972. Também naO Cruzeiro, Péricles ilustrou os textos de Millôr Fernandes na seção Pif-Paf, durante dez anos.

 

Péricles foi um inovador tanto nos traços de seus personagens quanto na sua comunicação com o público por intermédio de um tipo que “ironiza instituições como o casamento, o exército e a hipocrisia social contida no jogo de aparências”.

 

É interessante observar que O Amigo da Onça surgiu no final do período político brasileiro conhecido por Estado Novo, quando a Imprensa sofria censura sistemática e as práticas políticas e sociais eram ditatoriais. Por causa da censura, muitos desenhistas do humor gráfico brasileiro viram sua produção enfraquecer. As caricaturas que investiam no ataque e crítica governamentais deixaram de existir para dar lugar às de costumes que revelavam os valores sociais da época.

 

O caricaturista Péricles conseguiu conquistar gerações com seus personagens, principalmente com O Amigo da Onça. Alguns pesquisadores veem n’O Amigo um alter ego da personalidade instável do seu criador. Boêmio inveterado, Péricles, com o passar dos anos, tinha raros momentos de lucidez e, de homem equilibrado e paciente, transformou-se num sujeito que manifestava uma progressiva agressividade.

 

No dia 31 de dezembro de 1961, vestido como seu ilustre personagem: terno branco, sapatos polidos e cabelo penteado, Péricles de Andrade Maranhão escreveu dois bilhetes reclamando da solidão e... partiu.

 

 

 

Recife, 26 de março de 2010.
Atualizado em 01 de setembro de 2017.

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

 

 

ALMEIDA, Carol. O cara-de-pau que fez a fama de O Cruzeiro. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/JC/_2001/2511/cc2511_10.htm>. Acesso em: 10 mar. 2010.

 

MARANHÃO, Paulo. A família Maranhão: do Cunhaú a Matary. Recife: Comunigraf, 2001. p. 315-319.
 

PÉRICLES. Biografia. Disponível em: <goo.gl/ipp5Wo>. Acesso em: 10 mar. 2010.

 

PÉRICLES [Foto neste texto]. Disponível em: <http://jornalggn.com.br/noticia/o-encontro-de-pericles-e-al-hirschfeld-dois-imortais>. Acesso em: 01 set. 2017.

 

PÉRICLES de Andrade Maranhão. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A9ricles_de_Andrade_Maranh%C3%A3o>. Acesso em: 10 mar. 2010.

 

PÉRICLES e seu amigo da onça. Disponível em: <http://ideiafix.wordpress.com/2008/05/04/pericles-e-seu-amigo-da-onca/>. Acesso em: 10 mar. 2010.

 

PÉRICLES. O Amigo da Onça também é da safra local. Disponível em:<goo.gl/AiYbxR>. Acesso em: 10 mar. 2010.

 

SILVA, Marcos Antonio da. Prazer e poder do amigo da onça. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.

 

 

 

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

 

 

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Péricles. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

 

 


 

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