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Teotônio Vilela

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuço
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Quem é esse viajante
Quem é esse menestrel
Que espalha esperança
E transforma sal em mel?
(O menestrel das Alagoas
, Milton Nascimento e Fernando Brandt).  

Teotônio Brandão Vilela nasceu na cidade de Viçosa, Alagoas, no dia 28 de maio de 1917, filho de Elias Brandão Vilela e Isabel Brandão Vilela.

Fez o curso primário na sua cidade natal e o secundário no Ginásio de Maceió e no Colégio Nóbrega (Recife).

Apesar de ter frequentado duas faculdades, de Engenharia e Direito, no Recife e no Rio de Janeiro, na época Distrito Federal, não concluiu nenhum curso superior, tornando-se autodidata.

teotonioEm 1937, abandonou os estudos e voltou para Alagoas, onde passou a trabalhar com seu pai, que era proprietário rural.

Foi agropecuarista e usineiro, tornando-se proprietário, em sociedade com parentes, de uma usina de açúcar situada no município de Junqueiro, localizada a cerca de 100 km de Maceió.

Casou-se com Helena Quintela Brandão Vilela, com quem teve sete filhos, um dos quais, Teotônio Vilela Filho foi eleito governador de Alagoas, para o período de  2007 a 2010.

Filiou-se à UDN (União Democrática Nacional), em 1948, sendo um dos fundadores do partido em Alagoas, criado em 1952. Elegeu-se deputado estadual pela legenda nas eleições de 1954, exercendo o mandato até 1958.

Em 1960, foi eleito vice-governador de Alagoas, na chapa do general udenista Luís Cavalcanti, para o período de 1961-1966.

Em outubro de 1965, com a edição do AI-2 (Ato Institucional nº 2) pelo governo militar, foi reaberto o processo de cassações e suspensões de direitos políticos, a extinção dos partidos políticos existentes, a manutenção das eleições indiretas para a Presidência da República e o estabelecimento das eleições indiretas para os governos estaduais, além de limitadas as imunidades parlamentar e individual dos cidadãos.

Em dezembro do mesmo ano, foram criados dois novos partidos – um de apoio ao governo, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e outro de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Teotônio Vilela filiou-se à Arena, sendo eleito senador pelo partido, em 1966, para o mandato de 1967 a 1974.

No Senado, atuou como membro titular das comissões de Economia, de Agricultura, de Redação, de Ajustes Internacionais, de Legislação sobre Energia Atômica e de Indústria e Comércio. Foi quarto suplente da Mesa e vice-presidente da Comissão de Assuntos Regionais, em 1973.

Nas eleições parlamentares de 1974, foi reeleito para o Senado como representante de Alagoas, sendo um dos poucos arenistas a ter sucesso eleitoral pelo partido do governo, em todo o país, para a legislatura de 1975 a 1982.
 
Com a posse de Ernesto Geisel na Presidência da República, em março de 1974, e o início de um projeto de abertura política lenta, gradual e segura, o senador alagoano após uma conversa reservada com o presidente, desfraldou a bandeira da redemocratização, colocando-se como porta-voz do processo de distensão e assumindo a posição de “oposicionista da Arena”.

Fazia pronunciamentos no Senado pró-democratização e buscou contatos com personalidades e instituições para elaborar um projeto de institucionalização política para o Brasil. Em abril 1978, o apresentou no Senado o que ficou conhecido como o Projeto Brasil, que incluía diversas propostas liberalizantes.

No mês seguinte, aderiu à Frente Nacional pela Redemocratização, um movimento cujo programa, segundo Teotônio, era semelhante ao seu Projeto Brasil, além de oferecer uma possibilidade de mobilização. A Frente queria a candidatura do general Euler Bentes Monteiro à presidência e do senador emedebista Paulo Brossard para a vice-presidência da República, buscando agrupar, além do MDB, militares descontentes e políticos dissidentes da Arena.

Filiou-se ao MDB, no dia 25 de abril de 1979, e em meados de junho, durante o seu primeiro discurso como oposicionista, fez duras críticas ao governo provocando a retirada geral dos parlamentares da Arena do plenário do Senado.

Batalhador incansável pela anistia geral exerceu a presidência da comissão mista que estudava o projeto sobre o tema, encaminhado ao Congresso pelo Governo.

Ao receber, em setembro de 1979, o título de Cidadão Paulistano concedido pela Câmara Municipal de São Paulo, explica a sua devoção pela liberdade:

Cidadão de Viçosa de Alagoas, dos arredores da Serra dos Dois Irmãos, um dos últimos redutos da Guerra dos Palmares, vivo contemplando a imagem do Zumbi, sinto-lhe o rumos dos sonhos e o calor do sangue libertário.

Em 1980, com o fim do bipartidarismo e o surgimento de diversos partidos de oposição no Brasil, Teotônio preferiu filiar-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, o PMDB, considerado o continuador do extinto MDB, tornando-se um dos mais importantes nomes da legenda.

Encerrou sua carreira parlamentar, em novembro de 1982, em decorrência de um câncer. No seu discurso de despedida (30.11.1982) fez questão de deixar clara a sua disposição em continuar atuando politicamente:

Estou saindo desta Casa esta semana, isto não é despedida, mesmo porque não é do meu hábito despedir de nada. A vida política continua comigo, continuarei lutando lá fora, só não terei o privilégio de usar esta ou aquela tribuna. Quanto ao mais, prosseguirei na minha vida de velho menestrel, cantando aqui, cantando ali, cantando acolá, as minhas pequeninas toadas políticas. (Diário do Congresso Nacional, Brasília, DF, 2.12.1982).

Publicou alguns trabalhos entre os quais podem ser destacados: Mobilização contra o subdesenvolvimento (Rio de Janeiro: Dasp, 1958); Andanças pela crônica (Maceió: Departamento Estadual de Cultura, 1963); A civilização do Zebu e a civilização do Basset. (Brasília, D.F.: Senado Federal, 1974) e A Pregação da liberdade: andanças de um liberal (Porto Alegre: L&PM, 1977).

Em setembro de 1983, os compositores Milton Nascimento e Fernando Brandt lançaram em homenagem a Teotônio, O menestrel das Alagoas, cantada por Fafá de Belém, música que se transformaria, assim como Coração de estudante, em hinos da campanha das Diretas-Já, movimento que tomou conta do Brasil, nos primeiros meses de 1984, exigindo que o Congresso aprovasse a emenda constitucional que instituía a eleição direta para o sucessor do presidente João Figueiredo.

Em 1983, a deputada pernambucana Cristina Tavares fundou o Centro de Estudos Políticos e Sociais Teotônio Vilela, um palco importante onde seriam discutidos vários problemas da população brasileira.

O menestrel das Alagoas morreu no dia 27 de novembro de 1983, de câncer generalizado.

Em 1986, Teotônio Vilela recebeu o título de Grande Oficial da Ordem do Congresso Nacional (In Memoriam).

O PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), em 19 de setembro de 1995, criou o Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos e formação política do partido e, e em 25 de abril de 2005, foi inaugurado, em Maceió, o Memorial Teotônio Vilela, uma obra de Oscar Niemayer em homenagem ao Menestrel das Alagoas, como ficou conhecido nacionalmente, devido a sua luta pelas liberdade política e a redemocratização do Brasil.

Recife, 22 de julho de 2010.

FONTES CONSULTADAS:

COUTINHO, Amélia; JUNQUIERA, Ivan. Teotônio Vilela. In: TRIBUTO a Teotônio. Brasília, D.F: Fundação Teotônio Vilela, 1987.  p. 11-18.

MOTTA, Marly da Silva.Teotônio Vilela. Brasília, D.F: Senado Federal; Rio de Janeiro: FGV/CPDOC, 1996.  (Grandes vultos que honraram o Senado, v.1)

TEOTÔNIO Vilela: períodos legislativos da Quinta República 1975-1978. Disponível em:
<http://www.senado.gov.br/senadores/senadores_biografia.asp?codparl=2247&li=45&lcab=1975-1978&lf=45>. Acesso em: 21 jul. 2010.

TEOTÔNIO Vielela [Foto neste texto]. Disponível em: <http://teotoniov.blogspot.com.br/>.   Acesso em: 23 abr. 2012.
 
VILELA, Teotônio. A pregação da liberdade: andanças de um liberal. Porto Alegre: L&PM, 1977.   

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Teotônio Vilela. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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