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Ferreira Gullar

Cláudia Verardi
Bibliotecária - Analista em C&T da Fundação Joaquim Nabuco
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Ferreira Gullar é o pseudônimo de José Ribamar Ferreira, que nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luís, capital do Maranhão.

Poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro, e um dos fundadores do neoconcretismo. Ferreira Gullar foi o quarto filho dos onze que tiveram seus pais: Newton Ferreira e Alzira Ribeiro Goulart.

Os poemas com os quais o poeta mais se identifica são: Como nasce um poema, Uma fotografia aérea, O cheiro da tangerina, por ser a raiz deles a própria história da vida do autor.

Dentro da noite veloz é o livro com maior número de poemas políticos segundo o próprio autor.

Iniciou seus estudos no Jardim Decroli, em 1937, onde permaneceu por dois anos. Posteriormente estudou com professoras contratadas pela família e em um colégio particular, do qual acabou fugindo. Somente em 1941, matriculou-se no Colégio São Luís de Gonzaga, em São Luís.

Foi aprovado em segundo lugar no exame de admissão do Ateneu Teixeira  Mendes, em 1942, porém não concluiu o ano letivo nesse colégio. Ingressou na Escola Técnica de São Luís, em 1943. Neste mesmo ano, apaixonado por uma menina, trocou as brincadeiras com os dois melhores amigos para ficar em casa escrevendo poemas. Era o início da descoberta do seu dom para escrever.

Em 1945, fez a redação que inspiraria o soneto O trabalho, primeiro poema publicado por Gullar no jornal O Combate, de São Luís, três anos depois.

Em 1948, tornou-se locutor da Rádio Timbira e colaborador do suplemento literário do Diário de São Luís.

No ano seguinte, com seus próprios recursos, publicou seu primeiro livro Um pouco acima do chão, contando com o apoio do Centro Cultural Gonçalves Dias.  Porém, tempos depois, ele mesmo excluiu essa obra de sua bibliografia.

Em 1950, venceu o concurso promovido pelo Jornal de Letras com o poema O galo. Neste mesmo ano, começou a escrever poemas que, mais tarde, integrariam seu livro A luta corporal.

O poeta mudou-se para o Rio de Janeiro (RJ) em 1951, onde começou a trabalhar na redação da Revista do Instituto de Aposentadoria e Pensão do Comércio, para onde foi indicado por João Condé.

Por indicação de Herberto Sales, passou a ser o revisor da revista O Cruzeiro.

Casou-se, em 1953, com a atriz Thereza Aragão, com quem teve três filhos: Paulo, Luciana e Marcos. Lançou, neste mesmo ano, A luta corporal e passou a trabalhar como revisor na revista Manchete.

Participou, em 1956, da I Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, considerada o marco oficial do início da poesia concreta no Brasil.

Numa primeira fase, seus versos de origem parnasiana, eram rimados e metrificados. Rompeu depois com essa experiência e buscou outro rigor. Defendia que o discurso é que faz a concretude da poesia. Portanto, uma poesia que não utiliza o discurso é abstrata, não é concreta.

Considerava os concretistas excludentes. Para ele um poeta é “alguém que conseguiu escapar do anonimato, que vem do sofrimento menor, da tragédia cotidiana obscura e, ao mesmo tempo, consegue dar voz e nome a esse mundo”.

O poeta maranhense se opondo ao concretismo ortodoxo defendido por alguns escritores como João Cabral de Melo Neto, criou junto com Lígia Clark e Hélio Oiticica, o neoconcretismo, que valorizava a expressão e a subjetividade. No início dos anos 1960, se afastou também deste grupo por concluir que esse movimento o levaria a romper o vínculo entre a palavra e a poesia. Passou então a produzir uma poesia engajada.

Em 1961, com a posse de Jânio Quadros, foi nomeado diretor da Fundação Cultural de Brasília. Elaborou o projeto do Museu de Arte Popular e iniciou sua construção.

Por você, por mim, poema sobre a guerra do Vietnã, foi publicado em 1968. Paralelamente escreveu o texto da peça Dr. Getúlio, sua vida e sua glória, em parceria com Dias Gomes.

Foi preso em companhia de Paulo Francis, Caetano Veloso e Gilberto Gil, após a assinatura do Ato Institucional nº 5, em 1969.

O ano de 1970 marcou sua clandestinidade, quando passou a dedicar-se à pintura. Sendo informado dos riscos que corria se permanecesse no Brasil, decidiu partir para o exílio em 1971. Durante este tempo morou em Moscou (Russia), Santiago (Chile), Lima (Peru) e Buenos Aires (Argentina). Colaborou durante o exílio com o semanário O Pasquim, usando o pseudônimo de Frederico Marques.

Quando esteve em Moscou escreveu Cantiga para não morrer fruto de uma relação amorosa profunda. O cantor Fagner, posteriormente fez uma música com esse poema e a gravou com o título de  Me leve.
Durante o exílio na Argentina escreveu o Poema Sujo. Gullar nesta época estava sem seu passaporte que tinha sido cancelado durante a ditadura. Ele pensava que jamais sairia do exílio, por isso esse poema era uma espécie de “testemunho final”.

Em 1974, por unanimidade, é absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Porém, no dia seguinte ao seu desembarque no Rio de Janeiro, em 10 de março de 1977, foi preso pelo Departamento de Polícia Política e Social, órgão sucessor do conhecido DOPS. Após 72 horas de interrogatórios e ameaças, foi libertado em virtude do movimento que seus amigos fizeram junto às autoridades do regime militar.

Pouco a pouco foi retornando às suas atividades de crítico, poeta e jornalista. Em 1975, publica Dentro da noite veloz e o Poema sujo.

Foram publicados em 1980, seus livros Na vertigem do dia e Toda poesia, esse último reunindo toda a sua obra poética, em comemoração aos seus 50 anos de vida. Neste ano, estreou também a versão teatral do Poema sujo, com a interpretação de Esther Góes e Rubens Corrêa - sob a direção de Hugo Xavier - na Sala Sidney Miller, no Rio de Janeiro.
A Rede Globo exibiu, em 1983 um programa especial em sua homenagem chamado Insensato coração.
Com a tradução de Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, que foi publicada em 1985, é agraciado como prêmio Molière, fato inédito para a categoria de tradutor.

Foi nomeado diretor do Instituto Brasileiro de Arte e Cultura (IBAC), em 1992, cargo que ocupou até 1995. No mesmo ano, a Rede Globo exibiu a minissérie As noivas de Copacabana, que foi escrita por ele em parceria com Dias Gomes e Marcílio Moraes.
Em 1994, seu livro Luta corporal ganhou edição comemorativa a seus 40 anos. Nesse mesmo ano, morre sua esposa, Thereza Aragão. 

A obra Rabo de foguete: os anos de exílio, um livro de memórias, foi publicado em 1998, ano em que recebeu homenagem no 29º Festival Internacional de Poesia de Rotterdã, na Holanda.
Em 1999, foi agraciado com o Prêmio Jabuti na categoria poesia e também recebeu o Prêmio Alphonsus de Guimarães, da Biblioteca Nacional.

Na ocasião dos 70 anos de vida e meio século de poesia do autor, foram inauguradas exposições no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ferreira  Gullar 70 anos foi o nome dado à exposição aberta em setembro de 2000, no Museu de Arte Moderna do Rio, para marcar o aniversário do poeta.

A Editora José Olympio lançou a nona edição de Toda poesia reunião atualizada de todos os poemas de Gullar. Recebeu o prêmio Multicultural 2000, do jornal O Estado de S. Paulo. No final deste mesmo ano, lança Um gato chamado Gatinho, 17 poemas dedicados às crianças sobre seu animal de estimação.

Em 2002, foi indicado por nove professores titulares de universidades do Brasil, Portugal e Estados Unidos ao Prêmio Nobel de Literatura.

Foi o ganhador de dois importantes prêmios em 2005: Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência e Cultura, na categoria Literatura, e Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, ambos pelo conjunto de sua obra.
Foi considerado pela  Época, uma das maiores revistas semanais publicadas no Brasil, da Editora Globo, um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Foi agraciado, em 2010, com o Prêmio Luís de Camões, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, criado em conjunto pelos governos  do Brasil e de Portugal.

O ano de 2010 marca o 80º aniversário de José Ribamar Ferreira. Como é comum nessas datas, para um homem com a trajetória dele, não se faz homenagem exatamente aos anos que completa, e sim ao autor, porque particularmente no caso de Gullar é difícil separar o homem do poeta.

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


“Cantiga para não morrer” é um poema que nasceu de uma relação amorosa profunda que o poeta teve em Moscou. O cantor Fagner fez uma música com esse poema e a gravou com o nome: “Me leve”.

Faleceu aos 86 anos no Rio de janeiro no dia 4 de dezembro de 2016. 

 

Recife, 30 de agosto de 2010.
Atualizado em 10 de agosto de 2017. 

 


FONTES CONSULTADAS:

 

 

FERREIRA Gullar [Foto neste texto]. Disponível em: <http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/10370>. Acesso em: 10 ago. 2017.


FERREIRA Gullar. (Site oficial do poeta). Disponível em: <
http://literal.terra.com.br/ferreira_gullar/>. Acesso em: 27 ago. 2010.


GULLAR, Ferreira. A criação da vida. Conversa franca. Entrevistador: Mário Hélio. Continente Multicultural, Recife, Edição especial, ano 1, n. 0, p. 90-101, dez. 2000.


OLIVEIRA FILHO, Odil José de. 
José de Ribamar Ferreira Gullar: 80 anos de vida e poesia. São Paulo: UNESP. Disponível em: <http://www.unesp.br/aci/debate/180210-odiljosedeoliveirafilho.php>. Acesso em: 26 ago. 2010.


RELEITURAS – RESUMO BIOGRÁFICO E BIBLIOGRÁFICO - FERREIRA GULLAR. Disponível em: <
http://www.releituras.com/fgullar_bio.asp>. Acesso em: 26 ago. 2010.

 

 


COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: VERARDI, Cláudia Albuquerque. Ferreira Gullar. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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