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Austregésilo de Athayde

Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Belarmino Maria Austregésilo Augusto de Athayde, professor, jornalista, cronista, ensaísta e orador, nasceu em Caruaru, Pernambuco no dia 25 de setembro de 1898, filho do desembargador José Feliciano Augusto de Athayde e de Constância Adelaide Austregésilo de Athayde. 

Ainda criança, mudou-se para o Ceará onde morou em várias cidades por conta das atividades profissionais de seu pai. Aos doze anos de idade, ingressou no Seminário da Prainha onde estudou até o terceiro ano de Teologia, continuando os estudos no Liceu do Ceará. Foi professor do Colégio Cearense e do Colégio São Luis, dedicou-se ao ensino particular e começou a colaborar na imprensa em 1918, quando se transferiu para o Rio de Janeiro.

No Rio, então capital da Federação, continuou ensinando e iniciou a carreira jornalística escrevendo com frequência para o jornal A Tribuna e para o Correio da Manhã. Em seguida, começou a escrever também para A Folha como crítico literário. Ainda em 1921, lançou seu primeiro livro, Histórias amargas. Foi tradutor e redator das agências de noticias americanas Associated Press e United Press.

Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, em 1922, pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, porém sua verdadeira vocação era o jornalismo.

Em 1924, aceitou o convite de Assis Chateaubriand para assumir a direção de O Jornal, que deu origem aos Diários Associados, uma rede de jornais, revistas e emissoras de televisão difundida por todo o país.

Inflexível opositor da Revolução de 1930, que levou Getulio Vargas ao poder, foi preso e teve de se exilar na Europa, em novembro desse mesmo ano. Em seguida, de 1933-1934, morou em Buenos Aires. De volta ao Brasil, retomou suas atividades jornalísticas nos Diários Associados como articulista e diretor do Diário da Noite, redator chefe de O Jornal, onde também foi redator da coluna diária Boletim Internacional. Escrevia, ainda, semanalmente para a revista O Cruzeiro. Por sua destacada atividade jornalística, recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, na Universidade de Columbia, Estados Unidos, em 1952, importante reconhecimento internacional no campo do jornalismo.

Em 1948, integrou a comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos como delegado do Brasil na 3ª Assembléia da Organização das Nações Unidas (ONU), em Paris, destacando-se nos debates e tendo um papel decisivo nos trabalhos de grupo. Outros participantes da redação deste documento histórico foram: a jornalista norte-americana Eleanor Roosevelt, o professor libanês Charles Malek e o professor soviético Pavlov, com assistência do jurista Frances René Cassin. Austragésilo de Athayde foi reconhecido pelos companheiros da Comissão como o mais ativo colaborador na composição do texto.

Em 1968, no 20º aniversario da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o jurista e filosofo René Cassin recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Ao ter conhecimento da homenagem que lhe foi prestada pelo seu desempenho na elaboração da declaração, chamou os jornalistas e declarou-lhes:

Quero dividir a honra desse prêmio com o grande pensador brasileiro Austregésilo de Athayde, que ao meu lado, durante três meses, contribuiu para o êxito da obra que estávamos realizando por incumbência da Organização das Nações Unidas.

Já em 1978, no 30º aniversário desse mesmo documento, o presidente dos Estados Unidos da América, Jimmy Carter, reconheceu universalmente através de carta enviada à Austregésilo de Athayde, a “vital liderança” por ele exercida na elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Diplomado na Escola Superior de Guerra, em 1953, passou a ser conferencista daquele centro de estudos superiores. Além de suas atividades na imprensa, pronunciou centenas de conferências sobre a defesa dos direitos humanos e outros temas da atualidade, a convite de entidades culturais do país.

Quando se fala em Austregésilo de Athayde, sua figura é imediatamente associada à Academia Brasileira de Letras. Eleito em agosto de 1953 para ocupar a cadeira n.8 se tornou presidente da Casa de Machado de Assis em 1959, cargo que ocupou durante 35 anos através de seguidas reeleições.

Durante a sua gestão, além das atribuições regimentais do órgão, destaca-se a construção do prédio destinado ao Centro Cultural do Brasil, inaugurado em 20 de julho de 1979.

Neste mesmo ano, recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes conferido pela sua atuação como crítico literário. Também autorizou a criação do Banco de Dados e do Centro de Memória da Academia, inaugurados em 1968.

Recebeu muitas homenagens ao longo de sua vida, contabilizando cento e setenta medalhas, placas e condecorações. Dizia ele que o ato mais importante de sua vida foi ter ajudado a escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, obra que o projetaria no mundo inteiro e que se transformou no seu grande orgulho.

Austregésilo de Athayde morreu no dia 13 de setembro de 1993 aos 105 anos de idade, no Rio de Janeiro.

Obras publicadas:

Histórias amargas (contos), 1921;
A influência espiritual americana (conferência), 1938;
Fora da imprensa (ensaio), 1948;
Mestres do liberalismo (ensaio), 1951;
D. Pedro II e a cultura do Brasil (ensaio), 1966;
Vana verba (crônicas), 1966;
Epístola aos contemporâneos (ensaio), 1967;
Vana verba: conversas na Barbearia Sol (crônicas), 1971;
Filosofia básica dos direitos humanos (ensaio), 1976;
Vana verba: alfa do centavo (crônicas), 1979.

 


Recife, 27 de agosto de 2010.

 

  

FONTES CONSULTADAS:

 

  

ACADEMIA Brasileira de Letras: Austregésilo de Athayde: Biografia. Disponível em: <http://www.academia.org.br>. Acesso em: 16 ago. 2010.

AUSTREGÉSILO de Athayde. In: MENEZES, Raimundo de. Dicionário Literário Brasileiro Ilustrado. São Paulo: Saraiva, 1969. v. 1.

AUSTREGÉSILO de Athayde [Foto neste texto]. Disponível em: <http://www.academia.org.br/?sid=137>. Acesso em: 1º set. 2011.

GRANDE Enciclopédia Barsa. 3.ed. São Paulo: Barsa Planeta Internacional, 2005.

 

  

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Austregésilo de Athayde. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basílio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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