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Clarival do Prado Valladares

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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[...] Clarival sabia de poesia, de arte, de literatura, de ciência. Era aquele aglomerado de conhecimentos que fizeram dele uma figura fora do comum. [...]

Roberto Burle Marx, 1991.

Clarival do Prado Valladares nasceu na Rua da Poeira, 81, Salvador, Bahia, no dia 26 de setembro de 1918, filho do conceituado médico e professor catedrático baiano Antônio Prado Valladares e de Clarice Santos Silva Valladares.

Seu nome, um tanto incomum, é o resultado da fusão do nome da mãe, Clarice, com o Val, do sobrenome do pai.

Clarival fez o curso primário em Salvador, mudando-se, ainda jovem, para o Recife, onde cursou o ensino médio e iniciou seu curso superior de Medicina.

No início da década de 1930, ele e José, seu irmão mais velho, foram enviados para o Recife como uma medida preventiva, uma vez que seu pai havia contraído tuberculose. Ao chegarem à cidade, foram recebidos pelo médico psiquiatra Ulysses Pernambucano, que os acolheu em sua casa, junto aos dois filhos  Jarbas e José Antônio.

A convivência com o grupo de amigos e familiares de Ulysses proporcionou-lhes conhecer intelectuais e artistas de renome como Joaquim Cardozo, Cícero Dias – cujo atelier em um sobrado às margens do rio Capibaribe chegou a frequentar –, Gilberto Freyre e Roberto Burle Marx. Este último, que havia assumido, em 1934, a Diretoria de Parques e Jardins do Recife, tornou-se muito amigo de Clarival, apesar de ser dezesseis anos mais velho.

Em artigo publicado no jornal Diario de Pernambuco, de 29 de maio de 1983, Gilberto Freyre fala da influência do Recife sobre Clarival:

[...] o Recife predipôs Clarival Valadares às principais características do seu operoso e fecundo futuro: seu modo social de ser médico; sua paixão pelas artes plásticas; seu gosto pela pesquisa honesta que o resguardava de vir a ser intelectual de gabinete; sua capacidade de aproveitar contatos com brasileiros pobres, humildes, gentes de cor; sua alegria de extrair saber de saberes não doutorais. [...]

Em 1938, com a morte de seu pai – ocorrida no Sanatório de Correias (RJ) –  voltou a Salvador, onde concluiu o curso superior na Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se em 1941 e mudando-se para o Rio de Janeiro, então a capital do Brasil.

Casou-se, nesse mesmo ano, apenas no civil, com Erica, filha de Emilio Odebrecht, na cidade do Rio de Janeiro. Ele havia contraído tuberculose, na época uma doença grave. O casamento religioso só foi celebrado cinco anos depois, no Mosteiro de São Bento, em Salvador. Tiveram uma filha Kátia Valladares.

Em 1952, voltou a Salvador para defender sua tese de doutorado na Universidade Federal da Bahia. Teve na esposa uma grande colaboradora. Foi ela quem o ajudou na sua pesquisa para a tese, Riscadores de milagres, que tratava dos ex-votos da Igreja do Bonfim. Causou polêmica e foi difícil, na época, aprovar um trabalho com esse enfoque como uma tese de doutoramente em Medicina.

Sempre dividido entre as ciências médicas e a paixão pela história e a arte na Babhia e no  Nordeste, Clarival, em meados dos anos 1950, viajou aos Estados Unidos para fazer pós-graduação em Patologia, na Universidade de Harvard, e em Biologia, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), ambos em Boston. 

Ao voltar ao Brasil, em 1956, tornou-se, por concurso, professor catedrático de Anatomia Patológica, na Universidade Federal da Bahia (UFBA). 

Em 1962, devido ao seu conhecimento no campo das artes, foi indicado pela congregação da Escola de Belas Artes, da UFBA, para ensinar História da Arte naquela universidade.

Em 1963, voltou a morar definitivamente do Rio de Janeiro.

Colaborou, por muito tempo, como crítico de arte no Jornal do Brasil e foi editor da série Cadernos Brasileiros, além de participar de diversas comissões de seleção de artistas brasileiros para bienais de arte nacionais e internacionais.

Fez parte da Comissão Nacional de Belas Artes no período de 1964 a 1967, atuando também em várias instituições, como o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o Conselho Federal de Cultura.

Com estudos e trabalhos nas áreas de medicina, história e arte, além de inúmeros prefácios, apresentações e introduções para obras e catálogos de artistas,  deixou uma extensa bibliografia:

• Paisagem rediviva (1962);
• Agnaldo Manoel dos Santos: origin, revelation and death of a primitive sculptor (1963);
• Portinari (1965);
• Di Cavalcanti (1966);
• Riscadores de milagres (1967);
• Guignard (1967);
• Arte e Sociedade nos Cemitérios Brasileiros (1972, 2v.);
• Presciliano Silva: um estudo biográfico e crítico (1974);
• Teatro Amazonas: restauração e recuperação (1974);
• Memória do Brasil: um estudo da epigrafia erudita e popular (1976);
• The impact of African culture on Brazil (1977);
• Rio Barroco (1978);
• Rio Neoclássico (1978)
• Lula Cardoso Ayres: revisão crítica e atualidade (1978);
• Aspectos da Arte Religiosa no Brasil: Bahia, Pernambuco, Paraíba (1981);
• Albert Eckhout: pintor de Maurício de Nassau no Brasil 1637/1644 (1981);
• Nordeste Histórico e Monumental (1982-1991, 2 v.).

Nas décadas de 1960 e 1970, realizou diversas exposições iconográficas: A Arte Cemiterial Brasileira, na Galeria Goeldi (Rio de Janeiro), de sua propriedade (1968); Do Barroco Nordestino ao Sertanista, no Museu Nacional de Belas Artes (1970); Arte Genuína Brasileira, na III Trienal de Arte Ínsita, em Bratislava, Eslováquia (1972); O Negro na Formação e na Cultura Brasileira, em países africanos por iniciativa do Ministério das Relações Exteriores (1972); Revelação Ótica do Barroco Mineiro, no Museu Nacional de Belas Artes (1973); Análise Iconográfica da Pintura Monumental de Portinari nos Estados Unidos, no Museu Nacional de Belas Artes (1975); The Impact of African Culture on Brazil, no II FESTAC, em Lagos, na Nigéria (1977), e Tempo e Lembrança de D. Pedro II, no Museu Nacional de Belas Artes, em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do imperador brasileiro (1977).

Clarival do Prado Valladares faleceu, em 1983, no Rio de Janeiro.

Em 2003, foi criado pela Odebrecht, em sua homenagem, o Prêmio Clarival do Prado Valladres, que segundo a empresa,  é um incentivo à historiografia do Brasil e visa enriquecer o acervo documental do País sobre fatos, processos e pessoas cuja memória deva ser preservada e difundida.

 

Recife, 26 de outubro de 2010.




FONTES CONSULTADAS
:




AZEVEDO, Carmen Lucia. O legado de um olhar apaixonado. Disponível em: <http://www.odebrechtonline.com.br/materias/01601-01700/1632/.. Acesso em: 21 out. 2010.

CLARIVAL do Prado Valladares (1918-1983). Disponível em: <http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/Clarival.html>. Acesso em: 20 out. 2010.

CLARIVAL do Prado Valladares [Foto neste texto]. In: VALLADARES, Clarival. Obra seleta. Salvador: Fundação Cultural do estado da Bahia, 1983.

FREYRE, Gilberto. Meus caros colegas do CFC. Diario de Pernambuco, Recife, 29 de maio de 1983.

MARX, Roberto Burle. Prefácio. In: VALLADARES, Clarival do Prado. Nordeste histórico e monumental.  Salvador: Odebrecht, 1991. v.4, p.11-14.

MENEZES, Rogério. Erica do Prado Valladares: “Tudo o que aprendi na vida, aprendi com Clarival”. Disponível em: <http://www.odebrechtonline.com.br/materias/01601-01700/1632/>. Acesso em: 21 out. 2010.

SANTOS, Paulo. Prefácio. In: VALLADARES, Clarival do Prado. Nordeste histórico e monumental. Salvador: Odebrecht, 1983. v. 3, p. IX-XIII.




COMO CITAR ESTE TEXTO
:




Fonte: GASPAR, Lúcia. Clarival do Prado Valladares. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em:http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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