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Transporte Urbano do Recife

Virgínia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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A história dos transportes coletivos no Recife pode ser contada a partir de 1841, quando o inglês Tomás Sayle disponibilizou diligências de quatro rodas puxadas por cavalos na linha do Monteiro. Partiam da Matriz de Santo Antônio, no centro da cidade, e paravam no Manguinho e em Casa Forte.

Em 1852, o serviço foi ampliado para Olinda e Jaboatão, agora administrado por Cláudio Dubeux. Eram duas diligências, uma pela manhã e outra à tarde. À noite só circulavam quando havia espetáculos teatrais. Nos finais de semana, eram feitas viagens extras até Apipucos onde parte da população se deslocava para veraneio e  banhos no rio Capibaribe.

As diligências desapareceram quando surgiram as maxambombas (1867) e os bondes de burro (1871).

As maxambombas, corruptela da expressão inglesa machine pump (bomba mecânica), eram pequenas locomotivas a vapor e três vagões de passageiros que pertenciam à companhia inglesa Brazilian Street Railway Company Limited, conhecida por Companhia de Caxangá. O descontentamento da população com o serviço de transporte coletivo resultou no surgimento dessas locomotivas e teve o apoio de empreendedores britânicos que investiram pesadamente no setor ferroviário.

Inicialmente, as maxambombas ligavam o centro da cidade ao povoado de Apipucos, depois passaram a servir a Dois Irmãos, Casa Amarela e Várzea e, acompanhando o crescimento urbano da cidade, as linhas e os ramais foram ampliados.

A partir de 1870, uma concessionária de investidores locais foi inaugurada. Era a Trilhos Urbanos de Olinda, que atuava mais na zona norte e tinha uma tarifa de menor valor.

Sem dúvida, a chegada do transporte em trilhos na segunda metade do século XIX, no Recife, promoveu uma transformação no cenário urbano e no aspecto socioeconômico da cidade.

Em 1871, surgiu mais um concorrente das maxambombas: a empresa de bondes de burros, Pernambuco Street Railway Company. Eram veículos de tração animal que se deslocavam sobre trilhos. Suas atividades foram iniciadas no bairro do Recife, do Brum até a Madalena.

Mesmo com ajustes e ampliação de serviços, o bonde de tração animal não conseguiu atender às necessidades de locomoção dos recifenses. “A capital pernambucana já possuía, em 1912, 81.156km de linhas, 27 locomotivas, 889 muares, 217 carros de passageiros e 64 carros de carga”. Em julho de 1914, alegando a má qualidade de seus préstimos, alguns usuários viraram e incendiaram vários bondes, fato que contribuiu para o encerramento de suas atividades.

Nesse mesmo ano, a empresa Pernambuco Tamways & Power, de capital inglês, introduziu no serviço de transportes terrestres urbanos os bondes elétricos. Os bondes eram de procedência britânica.

Em 1928, a Pernambuco Tramways foi vendida à empresa americana Electric Bond & Share. O novo proprietário reformou os bondes que, por seu aspecto aerodinâmico, muitos o chamavam de zepelins. Neste mesmo ano, em 7 de junho, foi inaugurada a linha de bonde intermunicipal para o Farol de Olinda. No ano seguinte, foi fundada a Auto Viação Cruzeiro que fazia a linha Serinhaém-Recife, por intermédio de um único ônibus.

Os bondes funcionaram até o final da década de 1950. A população e alguns políticos protestaram e a empresa deliberou manter um único bonde para trafegar da Boa Vista ao Fundão até 1960.

Inicia-se então, no Recife, a fase do transporte de passageiros por ônibus trólebus, (ônibus movidos a eletricidade transmitida por cabo aéreo suspenso sobre o seu trajeto), tendo como empresa responsável a Companhia de Transportes Urbanos (CTU), órgão da Prefeitura Municipal do Recife. Eram 13 linhas servidas por 65 ônibus importados da Marmon-Herrington Automotive Company de Indianápolis (EUA) para a capital pernambucana. Em dez anos a CTU ampliou sua frota para 140 veículos distribuídos em 18 linhas.

Na década de 1970, a CTU possuía veículos trólebus da última fabricação da firma de Indianápolis, com três portas e únicos no mundo em estado original.

O sistema Trólebus sofreu um processo lento e gradual para ser desativado. Deixou totalmente as ruas do Recife em 24 de setembro de 2001, quando a população já estava adaptada ao ônibus movido a óleo diesel.

Têm início, em 1972, as atividades da empresa Pedrosa Transportes, localizada no bairro de Nova Descoberta. A empresa de transporte coletivo de passageiros Expresso Vera Cruz, fundada em junho de 1969, muda de administração e conta, em 1975, com 24 veículos, servindo apenas a linha de Cajueiro Seco.

Em setembro de 1982, foi criado o Consórcio Metrorec – constituído pela Rede Ferroviária Federal S/A e pela Empresa Brasileira de Transportes Urbanos (EBTU, atualmente extinta) – que deu início, em janeiro de 1983, à construção do Metrô do Recife. Em 1985, o Metrorec foi incorporado a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU, Rio de Janeiro) por intermédio de sua Superintendência de Trens Urbanos do Recife (STU/REC) e teve início a circulação dos primeiros trens de passageiros.

Entre 1998 e 2009, o Metrô do Recife passou por algumas modificações, entre elas as obras de expansão com a eletrificação da Linha Sul (Estações Recife e Cajueiro Seco) e o prolongamento da Linha Centro (Estação Rodoviária até Camaragibe, inaugurado em 2002).

Além do metrô, o transporte público coletivo da Região Metropolitana do Recife conta com os trens a diesel que, provavelmente, serão substituídos, em 2012, por veículos do tipo VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e VPP (Veículo de Pequeno Porte), com capacidade de 12 a 20 pessoas, aprovado pela Prefeitura da Cidade do Recife e pelo Grande Recife Consórcio de Transportes (GRCT, extinta Empresa Metroplitana de Transportes Urbanos). A implantação do sistema VLT aproveitará a infraestrutura ferroviária existente e tem grande relevância social pois beneficia a população de baixa renda, oferece segurança, rapidez e  pontualidade.

Recife, 29 de agosto de 2011.

FONTES CONSULTADAS:

DUARTE, José Lins. Recife no tempo da maxambomba (1867-1889): o primeiro trem urbano do Brasil. 2005. 184 f. Dissertação (Mestrado em História) – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2005.

GUERRA, Flávio. Das diligências às maxambombas e aos bondes de burros. In: ______. Crônicas do velho Recife. Recife: Dialgraf, 1972. p. 163-168.

MOTA, Alves da. No tempo do bonde elétrico. Recife: Celpe, 1982.

NO grande Recife trens a diesel serão substituídos pelo sistema VLT. Disponível em: <http://meutransporte.blogspot.com/2011/07/no-grande-recife-trens-diesel-serao.html >. Aceso em: 29 ago. 2011.

SETTE, Mário. Maxambombas e maracatus. 4. ed. Recife: Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 1981. (Coleção Cidade do Recife; XIX).

O SISTEMA de Transportes. Disponível em: <http://urbana-pe.com.br/sobre/o-sistema-de-transporte >. Acesso em: 29 ago. 2011.

ZAIDAN, Noemia Maria. O Recife nos trilhos dos bondes de burro: 1871-1914. 1991. 180 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Urbano) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 1991.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Transporte urbano do Recife. Pesquisa Escolar, Fundação Joaquim Nabuco. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex.: 6 ago. 2009.

 

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