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Forte dos Três Reis Magos, Natal, RN

Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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A Fortaleza do Rio Grande, conhecida como Forte dos Três Reis Magos, dos Reis Magos ou dos Santos Reis, atrai turistas e curiosos de todo o Brasil e até do exterior. É o mais antigo e importante monumento histórico de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Hoje ele abriga um museu com acervo referente à colonização do Estado.

Esse Forte apresenta grandes semelhanças com a Fortaleza Real de São Felipe, em Cabo Verde, não apenas pela finalidade, mas também pela situação geográfica, aspectos físicos e técnicos da construção.

Sua fundação é anterior a existência da própria cidade de Natal e remonta ao inicio da colonização do Brasil pelos portugueses, quando Portugal fazia parte do Reino da Espanha. Foi nessa época que Felipe II da Espanha mandou organizar uma expedição formada por Manuel Mascarenhas Homem, capitão-mor da Pernambuco, Francisco de Barros Rego, comandante da Esquadra, os irmãos mestiços Jerônimo, Jorge e Antonio de Albuquerque, Padre Lemos e Padre Gaspar, ambos da Companhia de Jesus, e Frei Bernardino das Neves, para tomar posse das terras potiguares, hoje Rio Grande do Norte.

Para executar essa missão, os portugueses teriam que expulsar os franceses que ali estavam em plena posse da região e em convívio cordial com os índios. Esse tipo de operação invariavelmente determinava a construção de um Forte e, nesse caso, o forte também seria o marco zero do povoamento da região.

A construção do Forte começou em seis de janeiro de 1598, dia de Reis, daí a origem do nome do Forte dos Três Reis Magos, construído na foz do Rio Potengi a 750m (setecentos e cinquenta metros) de sua barra (linha de arrebentações, permanente ou muito freqüente, de ondas junto à costa). A construção, típica instalação militar do século XVI, serviria de segurança para os portugueses, que estavam em choque com os franceses e os índios. Sua planta original é de autoria do Padre Gaspar de Saperes que fora mestre dos desenhos de engenharia na Espanha e Flandres antes de entrar para a Companhia de Jesus.

A forma atual do Forte, lembrando uma estrela de cinco pontas, surgiu em 1614, num projeto do arquiteto militar Francisco Frias de Mesquita. O Forte foi concluído em 1628, porém já em 1633 foi conquistado pelos holandeses da Companhia das Índias Ocidentais, que passam a chamá-lo de Castelo de Keulen. O domínio holandês durou duas décadas. Durante esse tempo o Forte serviu também de prisão para brasileiros e portugueses e de casa de hóspedes para personalidades como o príncipe Mauricio de NassauFranz Post, pintor holandês (1612-1680) que foi quem primeiro retratou o Forte.

Desde a concepção da planta original até os dias de hoje, o Forte dos Reis Magos sofreu várias intervenções, ora de natureza física como restaurações, demolições, reformas e adequações, ora relativas à própria utilização. Já serviu como sede administrativa da Capitania, Comando Militar, Quartel de Tropas e refúgio de moradores. Desde 1950, entretanto, ele foi tombado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que até hoje zela por esse monumento de indiscutível relevância para a história, não só do Rio Grande do Norte, mas também do Brasil.

O acesso ao Forte é feito através de um passadouro de cimento armado a partir da avenida Praia do Forte, em nível mais alto, ao final do qual se desce vários degraus para alcançar a entrada onde se vê a imagem dos Reis Magos Gaspar, Belquior e Baltasar, doada por José I de Portugal (1750-1777). 

A FORTALEZA DOS REIS MAGOS
Antônio Soares de Araújo

Largas muralhas, rijas e pesadas,
Batidas pelo mar e pelo sol,
Sustenta sobre abóbadas e arcadas
A branca e esguia torre do farol.

No abandono, sem armas nem paiol,
O Forte - lutador de eras passadas -
Vê desfilar, das vagas no lençol,
O pacato cortejo das jangadas.

Em segredo conserva o poema antigo
Das guerras holandesas, das batalhas
Sustentadas com o bátavo inimigo...

Vezes, porém, parece que se alteia,
Perdida no silêncio das muralhas,
A voz de Pedro Mendes de Gouveia...

Recife, 11 novembro de 2011.

FONTES CONSULTADAS:

ANTONIO Soares de Araujo – Desembargador e poeta. Disponível em: <http://mediocridade-plural.blogspot.com/2011/06/antonio-soares-de-ataujo-desembargador.html>. Acesso em: 11 nov. 2011.

GALVÃO, Helio. Historia da Fortaleza da Barra do Rio Grande. Rio de Janeiro: MEC, Conselho Federal de Cultura, 1979.

GOMES, Lourenço Conceição. O valor simbólico das Fortalezas Reais de S. Felipe da Ribeira Grande de Cabo Verde e dos Três Reis Magos do Natal no Brasil. Saeculum: Revista de Historia, João Pessoa, n. 15, p. 159-170, jul./dez. 2006.

ROTEIROS NACIONAIS. Disponível em: <http://www.arituba.com.br/novo/nacional-01.php>. Acesso em: 11 nov. 2011.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Forte dos Três Reis Magos, Natal, RN. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex.: 6 ago. 2011.

 

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