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Teatro Arthur Azevedo

Virgínia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Foram os portugueses Eleutério Lopes da Silva Varella e Estevão Gonçalves Braga que, no início do século XIX, idealizaram a edificação de um grande teatro público na cidade de São Luís do Maranhão. Não seria o primeiro teatro da capital maranhense, pois entre 1780 e 1816 foram construídos três de pequeno porte e sem espaço e conforto adequados. O terreno ficava cercado pelas ruas do Sol e da Paz e, aos fundos, pela Travessa do Sineiro.

No projeto, a fachada ficava voltada para a Rua da Paz onde estava localizada a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Sob o pretexto de ser um ato antirreligioso a construção de uma casa de espetáculos ao lado de um templo, os padres carmelitas pediram o embargo da obra. Os debates foram acirrados e findaram com uma sentença favorável aos padres. Assim, o projeto foi alterado e a fachada principal foi projetada para a Rua do Sol. 


Em 1815, foi iniciada a construção do teatro e, um ano depois, em 1º de dezembro de 1816, estando a obra ainda por concluir, foi oferecido um espetáculo gratuito para o povo para comemorar a Restauração de Portugal.

Construído em estilo arquitetônico neoclássico, foi inaugurado em 1º de junho de 1817 com o nome Teatro União, em homenagem à inclusão do Brasil ao Reino Unido de Portugal e Algarves. Na ocasião, houve uma apresentação da Companhia Dramática de Lisboa.

Da sua inauguração até o ano de 1840, o Teatro teve seu apogeu, inclusive com a participação de várias companhias europeias. A partir de 1841, em consequência de má administração e de direção artística deficiente, houve um declínio nas suas atividades e o Teatro União foi alugado à Sociedade Dramática Maranhense numa tentativa de mantê-lo “vivo”. Infelizmente, sete anos depois foi fechado.

Reabriu, em 1852, com o nome Teatro São Luís. Em 1854, dois fatos marcaram a sua história: no dia 26 de abril, foi realizado o primeiro Baile de Máscaras, evento de grande repercussão; e, em 26 de junho, no camarim número um, nasceu Apolônia Pinto, filha de uma atriz portuguesa, que se tornou uma das grandes atrizes do teatro brasileiro. Num nicho que dá acesso à platéia, no piso térreo, estão guardados os restos mortais de Apolônia e, em sua homenagem, existe um busto de bronze no camarim onde nasceu.

Em 1922, no governo de Urbano Santos, o nome do teatro foi mudado para homenagear o teatrólogo maranhense Arthur Azevedo.  Entretanto, com a chegada do cinema ao Brasil, no fim do século XIX, os teatros viram seu público diminuir, em alguns casos, até a desparecer. E o inevitável aconteceu: muitos se transformaram em cinemas. Com o Teatro Arthur Azevedo não foi diferente.

Dez anos depois, no governo de Seroa da Mota, foi doado ao Município por meio do Decreto nº 353, de 19 de dezembro de 1932. Em 1965, foi reincorporado ao patrimônio estadual pelo governador Newton Bello, que o deixou sob a responsabilidade do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura. Foram feitas, então, entre os anos de 1966 a 1968, restaurações e reequipamento cênico. O Teatro foi reaberto no ano de 1968, com a apresentação da peça Abrão e Sara por artistas amadores do Maranhão. Em 1978, sofreu novas reformas coordenadas pela Fundação Cultural do Maranhão e o Governo estadual: restauração das instalações e dos aparelhos de ar condicionado, reparos na pintura e serviços de limpeza geral.

Durante toda sua existência, o Teatro Arthur Azevedo interrompeu seu funcionamento para reformas e reparos em sua estrutura física. Entre 1991 e 1993, as reformas foram baseadas em pesquisa histórica destinada a reconstituir os detalhes originais.

Atualmente, o Teatro Arthur Azevedo possui a seguinte estrutura: salão de entrada, plateia, palco, salões nobre, versátil, de dança, de coro; bar, carpintaria, sala de costura/adereçaria e lojinha de souvenirs.

No ano de 2011, foi realizada uma votação popular na capital maranhense para eleger sete tesouros do patrimônio cultural material da cidade e, entre eles, está o Teatro Arthur Azevedo. Os outros são: o Convento das Mercês, a Igreja da Sé, o Palácio dos Leões, a Praça Gonçalves Dias, a Rua Portugal e a Azulejaria.

Em 2012, São Luís do Maranhão, única cidade fundada por franceses no Brasil, comemora a sua eleição como a Capital Americana da Cultura e o seu 4º centenário. O título foi concedido pelo Bureau Internacional de Capitais Culturais, de Barcelona, na Espanha.

Recife, 24 de fevereiro de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

BRASIL. Ministério do Interior. Fundação Projeto Rondon. Monumentos históricos do Maranhão. São Luís: SIOGE, 1979. 32-33.

MAPA Cultural: artesanato, folclore, patrimônio ecológico, patrimônio histórico. Rio de Janeiro: MEC, Mobral, CECUT, 1980. v. 1. p. 358.

SÃO Luís, capital americana da cultura. História Viva, São Paulo, ano 9, n. 101, p. 13,  [2012].

TEATRO Arthur Azevedo. Disponível em: <http://www.maranhaounico.com.br/diario-de-bordo-editorial.php?id=44>.  Acesso em: 24 fev. 2012.

TEATRO Arthur Azevedo. Disponível em: <http://www.cultura.ma.gov.br/portal/taa/index.php?page=historico>. Acesso em: 24 fev. 2012.

TEATRO Arthur Azevedo. Disponível em: <http://karinalindoso.blogspot.com/2011/06/teatro-arthur-azevedo-completa-194-anos.html>. Acesso em: 23 fev. 2011.

TEATRO ARTHUR AZEVEDO. [Foto neste texto]. Disponível em:  <http://laerciocastro.com.br/2011/03/16/teatro-arthur-azevedo-reabre-com-o-espetaculo-jardim-do-inimigo/>.  Acesso em:  7 mar. 2012. 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Teatro Arthur Azevedo. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco. Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 24 fev. 2012.

 

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