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Trajano Chacon

Virgínia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Foi na cidade do Recife, num prédio na esquina da Rua do Hospício com a Avenida Conde da Boa Vista que, em 18 de janeiro de 1879, nasceu Trajano Chacon. Quando da morte do seu pai, ficou sob os cuidados de uma tia, esposa do Barão de Lucena.

Em 1903, aos 24 anos, perseguindo sua vocação literária, foi morar no Rio de Janeiro onde fundou e dirigiu a revista Atheneida, periódico de apenas onze números, semelhante a algumas publicações francesas do mesmo gênero, para o qual foram atraídos grandes nomes de escritores e artistas brasileiros, a exemplo de Rui Barbosa, Coelho Neto, Raul Pompéia, João do Rio, Martins Júnior.

No ano seguinte, Trajano Chacon encerrou a Atheneida e começou a escrever, sob o pseudônimo Justus Junius, uma seção de crítica teatral no periódico Os Anais: Semanário de Literatura, Arte, Ciência e Indústria, dirigido por Domingos Olímpio, autor do romance Luzia-Homem (1903).

Em 1905, Trajano voltou ao Recife para concluir o curso de Direito (1908) que foi interrompido na ocasião em que estava envolvido em aventuras políticas: em prol do Florianismo (adesão e apoio à política do Marechal Floriano Peixoto - 1849-1896, primeiro vice-presidente do Brasil e que, em seguida à renúncia do Marechal Deodoro da Fonseca - 1891, assumiu a presidência) e da anexação do território do Acre ao Brasil; e contra a obrigatoriedade da vacina antivariólica. No caso da anexação do Acre, Trajano Chacon travou luta na imprensa de Manaus e da capital federal.

O Brasil, no final do século XIX e início do século XX, viveu uma época de intensa turbulência política. Era a transição do Império para a República. No Recife, no período de 1911 a 1915, governou o general Dantas Barreto. Trajano Chacon atuou na campanha a favor de Dantas e, como recompensa, foi contemplado com o cargo de delegado do 1º distrito. Não demorou para renunciar. Havia incompatibilidade pessoal com o chefe de polícia, Porfírio de Andrade, com a função e os métodos inerentes ao cargo. Voltou para o jornalismo. Suas reportagens sobre indústrias começaram a aparecer num jornal de oposição O Pernambuco. Houve ataques contra ele no jornal A República, dirigido pelo senador Ribeiro de Brito.

Pesquisadores relatam que alguns artigos de Trajano Chacon atacavam indiretamente o general Dantas Barreto, porém os mais violentos não foram escritos por Trajano. Um editorial que não foi de sua autoria provocou a violência que resultou na sua morte.

No dia 11 de agosto de 1913, na rua da Imperatriz, centro do Recife, quando saía de uma das comemorações pela criação dos Cursos Jurídicos, no Teatro Helvética, Trajano Chacon foi assassinado a canos de ferro. O comandante da polícia militar local, coronel Francisco Melo, autor do massacre dos marinheiros anistiados no movimento  conhecido como a Revolta da Chibata, em 1910, no Rio de Janeiro, e agora auxiliar imediato de Dantas Barreto,  no intuito da calar a oposição, foi responsabilizado pelo crime.

A agressão a jornalistas no Brasil e, em particular, no Recife quase sempre teve registro em periódicos naquela época: Eurico Witruvio, redator da Gazeta da Tarde (1893); Gaspar Menezes, redator da Gazeta do Recife (1894); Argemiro Aroxa, redator chefe da Gazeta da Tarde; José Maria d’Albuquerque, redator chefe de A Província (1895); Mario Melo, correspondente do jornal Gazeta da Tarde (1912), entre tantos outros.

O poder dantista favoreceu os criminosos e penalizou os promotores que ousaram acusar os réus: Mena Barreto e Barreto Campelo. Protestos contra o assassinato de Trajano Chacon tiveram registro em vários jornais do Brasil, A Imprensa, O Século, Gazeta da Tarde, O Imparcial, Gazeta de Notícias, O Debate.

 

Recife, 15 de maio de 2012.
Atualizado em 11 de janeiro de 2018.

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

 

BEVILAQUA, Clóvis. História da Faculdade de Direito do Recife: 11 de agosto de 1827 a 11 de agosto de 1927. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1927. p. 395.

CHACON, Vamireh. Trajano Chacon, um capítulo da “belle époque” brasileira. Revista do Departamento de Cultura, Recife, n. 4, p. 15-27, 1970.

PARAÍSO, Rostand. Cadê Mário Melo... Recife: Comunigraf, 1997.

PEREIRA, Nilo. Trajano Chacon e a revista Atheneida. Revista do Departamento de Cultura, Recife, n. 4, p. 5-14, 1970.

TRAJANO Chacon. [Imagem neste texto]. Revista do Departamento de Cultura, Recife, n. 4, p. 3, 1970.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

 

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Trajano Chacon. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia  mês  ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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