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Jota Soares
Virginia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

Considerado um dos precursores do cinema pernambucano, José Soares Silva Filho, conhecido artisticamente como Jota Soares, nasceu em Propriá, Sergipe, no dia 16 de junho de 1906, filho de José Soares Silva e de Maria Alves Argôlo Soares.

O entusiasmo pelo cinema foi despertado, provavelmente,  na sua primeira infância quando conheceu por intermédio de pessoa amiga da família um pequeno projetor, onde seu dono passava fitas francesas de Charles Pathé (pioneiro da indústria da película e da gravação) e Georges Méliès (um dos precursores do cinema, que usava inventivos efeitos fotográficos para criar mundos fantásticos).

Em 1911, iniciou seus primeiros estudos em escolas de sua cidade natal. Depois, cursou o primário nos Colégios Tobias Barreto e Salesiano, ambos de Aracaju, capital sergipana.

A partir dos sete anos, começou a ajudar seu pai nos vários estabelecimentos que ele possuía, inclusive na fabricação de cintos de couro. Na sua cidade natal, em 1913, seu pai fundou o Cine Guarany, e a participação de Jota nesse empreendimento foi fundamental para a sua atuação e influência no cinema pernambucano.

Por volta de 1919, além do interesse pelo cinema, Jota voltou sua atenção para os craques do futebol brasileiro. Reuniu inúmeros periódicos e livros sobre esse esporte e formou um acervo de valiosas publicações que, até hoje, é consultado por estudiosos da área.

No início da década de 1920, seu pai fechou o cinema e Jota partiu para a Bahia e, posteriormente, para Alagoas, onde foi operário em fábricas de chocolate e bombons, além de sineiro da Igreja da Conceição da Praia, Salvador. Chegou ao Recife em 1922, e trabalhou como vendedor em lojas de tecidos e de móveis. Nessa mesma época, aprendeu a tocar cavaquinho, conheceu o carnaval recifense, tornou-se um folião inveterado e ingressou no Bloco das Flores, do conhecido carnavalesco Pedro Salgado. Mais tarde, participaria de vários blocos carnavalescos tocando cavaquinho: Pirilampos, Jacarandá, Bobos em Folia, Um Dia Só, Até Meio DiaApôis Fum. Depois do carnaval de 1923, Jota entrou para o exército e foi para o Rio de Janeiro, regressando ao Recife em março de 1924. Na Cidade Maravilhosa, teve a oportunidade de conhecer pessoalmente muitos jogadores de futebol famosos e nos seus comentários esportivos ao longo de sua vida profissional quase sempre se reportava àquela experiência.

Ainda em 1924, lançou, no Recife, o futebol de botões (ou de mesa), posteriormente chamado Futebol Celotex. Várias ligas foram formadas por Jota Soares, no Recife, espalhando-se por muitos bairros, tornando-se uma verdadeira “febre”.

Seu ingresso no cinema se deu em abril de 1924, na praia do Pina, onde os cineastas da primeira produtora local, a Aurora-Film, estavam filmando a película Retribuição, sob a direção de Gentil Roiz, sendo Edson Chagas o operador de câmera. Jota Soares ofereceu-se para carregar o tripé e a máquina, recebeu convite para ajudar em outras filmagens, fez amizades e, a partir de então, construiu seu nome na história cinematográfica pernambucana. O filme estreou no Cine Royal, em 1925, e foi um sucesso de público.

No ano seguinte, estreou no cinema com um melodrama, um curta-metragem de vinte minutos, intitulado Um Ato de Humanidade. A película fora encomendada por um laboratório para divulgação de um remédio popular, a 'Garrafada do Sertão'. Ainda em 1926, interpretou dois personagens, um falso cego e um judeu barbudo e rabugento, no filme Heroi do século XX, dirigido por Ary Severo e fotografia de Edson Chagas; e ficou responsável por toda a parte técnica do filme Sangue de Irmão, um longa-metragem produzido fora do Recife, na cidade de Goiana.

O destaque para a carreira cinematográfica de Jota foi o filme A Filha do Advogado, gravado, em 1927, pela Aurora-Film, onde atuou como diretor e personagem principal. O melodrama chegou a ser exibido comercialmente em 31 salas do Rio de Janeiro. Realizou quinze filmes que foram bem recebidos pelo público e pela crítica. Entre eles, Jurando Vingar e Aitaré da Praia.

Na história do cinema pernambucano, o período entre 1923 e 1931 é conhecido como Ciclo do Recife. Nesses anos, a cidade maurícia, por intermédio dos talentosos pioneiros da sétima arte, foi transformada num centro cinematográfico que produziu treze longas-metragens.

Com a “invasão” do cinema sonoro norte-americano, os filmes locais entraram em decadência, apesar das muitas tentativas para vencer aquela inovação que encantava os espectadores.

Diante da nova realidade, Jota foi para a Bahia trabalhar com seu pai e só regressou definitivamente ao Recife em 1950. Antes, estivera na cidade por um período curto, mas suficiente para fundar o Jornal do Commercio, como integrante do Departamento de Jornalismo, ao lado de Esmaragardo Marroquim, José Bandeira Costa e Aderbal Jurema. Depois, quando de sua volta para o Recife em caráter permanente, ingressou também no Jornal Pequeno como chefe do Departamento Comercial e continuou no Jornal do Commercio, agora no Departamento Esportivo, como comentarista, função que exerceu por um longo período em vários meios de comunicação pernambucanos.

Sua participação como radialista foi intensa: Rádios Clube (1956-1960), Olinda (1961-1962; 1964-1971) e Capibaribe (1963). Além dos comentários dos jogos de futebol, Jota Soares criou, na Rádio Olinda, os programas Quando fala o Campeão, O Cantinho da Saudade (baseado na vida dos famosos craques do futebol brasileiro) e A Voz da Razão 

No início da década de 1960, escreveu durante 59 semanas, no Diario de Pernambuco, uma coluna domingueira intitulada Relembrando o Cinema Pernambucano e, posteriormente, outra coluna, Telas e Fatos, com curiosidades sobre os segredos do cinema de todo o mundo.

Jota Soares organizou, entre livros e periódicos, precioso acervo documental sobre cinema e futebol no Recife, no Brasil e no mundo que, atualmente, pode ser consultado na Fundação Joaquim Nabuco.

Morreu no Recife, em janeiro de 1988.

Recife, 12 de junho de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

CICLO do Recife (1923-1931). Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2012.

JOTA Soares, um sergipano no cinema. 2010. Disponível em: . Acesso em:  24 maio 2012.

JOTA Soares. Disponível em: . Acesso em: 24 maio 2012.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Jota Soares. Pesquisa escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês  ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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