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Mercado Adolpho Lisboa, Manaus, AM
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Em meados do século XIX, o abastecimento alimentar de Manaus era suprido por produtos da região, comercializados numa feira localizada às margens do rio Negro, em local conhecido como Ribeira dos Comestíveis, onde se vendiam peixes, carnes, farinhas, frutas, legumes, grãos, além de outras mercadorias, produzidas em municípios próximos.

No entanto, com o crescimento da cidade, foi necessário ampliar o ponto de venda, transformando-o em mercado, o que ocorreu em 1869, por ordem do então presidente da Província do Amazonas, João Wilkens de Matos, o Barão de Maruiá. Com a ampliação, a feira mudou-se para a Praça da Imperatriz, local onde funcionou por doze anos.

O desenvolvimento de Manaus, na chamada época áurea da borracha, propiciou diversas melhorias urbanas.
Em 1881, na gestão do presidente Satyro de Oliveira Dias, foi desapropriado um terreno de 5.400 metros quadrados, próximo ao porto, situado na Rua dos Barés, antigo bairro dos Remédios, dando-se assim o primeiro passo para a edificação de um mercado público coberto, com adequados padrões sanitários e comerciais, iniciada em agosto de 1882, na gestão do então presidente Alarico José Furtado.

Após diversos editais de concorrência para a realização das obras, o governo Provincial firmou um contrato com a Backus & Brisbin, empresa que atuava em Nova Orleans (EUA), no México e em Belém, no Pará. O contrato previa a construção de um galpão coberto (91.476 m2), com paredes de alvenaria, sustentado por colunas e com a fachada voltada para o rio Negro. 

Inaugurado em 15 de julho de 1883, o Mercado Público de Manaus tinha um frontão de pedra, em estilo neogótico e um relógio de fabricação alemã acima do lanternim do galpão. Sua parte  interna, com vinte boxes destinados à exposição e à venda de mercadorias, era calçado com pedras de Lioz (tipo raro de calcário originário de Portugal) e paralelepípedos.

Com o passar do tempo, o Mercado começou a ficar inadequado, sendo necessário ampliá-lo para atender a demanda da população. Em 1902, começou uma obra para ampliação do prédio, cuja nova fachada seria voltada para a Rua dos Barés e não para o rio Negro, como anteriormente. A obra só foi concluída em 1906, sendo inaugurada pelo então prefeito Adolpho Lisboa, que colocou seu nome na nova fachada. A partir dessa data, O Mercado Adolpho Lisboa passou a ostentar duas fachadas: uma para o rio Negro – onde havia um embarcadouro para descarregar as mercadorias – outra para a Rua dos Barés. 

Com a crise da economia amazonense, a partir de 1910, vários prédios públicos foram destruídos. O Mercado Adolpho Lisboa resistiu devido aos seus freqüentadores. Com o advento e o sucesso da Zona Franca de Manaus, no início da década de 1970, grandes cadeias nacionais e estrangeiras de supermercados se instalaram na cidade, porém o manauara continuou fiel às compras no Grande Mercado, como passou a ser conhecido, adquirindo produtos frescos e de qualidade para o preparo dos pratos da típica culinária do Norte do Brasil

Situado no centro histórico de Manaus, com 3.500 metros quadrados de área construída, o conjunto arquitetônico do Mercado Adolpho Lisboa é composto por quatro pavilhões de ferro importados da Europa: o Central, o da Carne, o do Peixe e o das Tartarugas.

Com recursos da Prefeitura de Manaus, o Mercado fez uma pequena reforma em 1977 e, em dezembro de 2006, iniciou outra reformulação bem maior, por meio de um convênio entre a Prefeitura e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Para a realização das obras, seus 378 permissionários foram transferidos para o armazém 20, próximo ao Porto Privatizado de Manaus, nas margens do rio Negro.

Atualmente, cerca de setenta profissionais trabalham para reproduzir e restaurar a fisionomia original do prédio, buscando ao mesmo tempo reformas e adaptações que possam dotá-lo de padrões sanitários atuais.

Fechado desde 2006, a conclusão da obra do Mercado Adolpho Lisboa foi adiada diversas vezes, em meio a polêmicas envolvendo a Prefeitura Municipal, a Câmara de Vereadores, o Ministério Público e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 

As pedras de Lioz, piso original do Mercado, serão mantidas na nave central e no calçamento em torno do prédio e o restante será substituído por cerâmica. Serão conservados também os dois quiosques de ferro, localizados nos cantos da calçada da Rua dos Barés, com telhas de metal em forma de pétalas, que eram usados para vender fumo, jornais e bombons.

Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura, o prédio será entregue, em 2012, com duas praças de alimentação e 163 boxes.
Tombado pelo IPHAN, no dia 1º de julho de 1987, o Mercado Público Adolpho Lisboa é um dos mais significativos exemplares da arquitetura de ferro do País.

Recife, 19 de junho de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

KOELER, Sylvia. A história e o restauro do Mercado Adolpho Lisboa. 2008. Disponível em: < http://portalamazonia.globo.com/new-structure/view/scripts/noticias/noticia.php?id=64127>. Acesso em: 11 jun. 2012.

LEONG, Leyla Martins. Mercado Adolpho Lisboa, Manaus – 1883.  In: MERCADOS de ferro do Brasil, aromas e sabores. Brasília, D.F: Instituto Terceiro Setor, 2011.   p.  51-71.

MERCADO Adolpho Lisboa. [Foto neste texto]. Disponível em: <http://historiamurilobenevides.blogspot.com.br/>. Acesso em: 15 jun. 2012.

MONTEIRO, Eliena; RODRIGUES, Ayda. Fim do impasse para o Mercado Adolpho Lisboa fica para 2012. Dezembro de 2011. Disponível em: <http://www.portalamazonia.com.br/editoria/atualidades/audiencia-publica-decide-futuro-do-mercado-adolpho-lisboa-em-manaus/>. Acesso em: 11 jun. 2012.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Mercado Adolpho Lisboa, Manaus, AM. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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