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Rucker Vieira

Virginia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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O fotógrafo Rucker Vieira nasceu em 1931, na cidade de Bom Conselho, Pernambuco, e faleceu no mês de fevereiro de 2001, no estado de Roraima. Sua trajetória de vida pessoal é pouco conhecida.

Concluiu cursos de Cinema na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e no estúdio da Kino Filmes, em São Paulo. Na capital paulista, estagiou no Estúdio Maristela e teve oportunidade de conhecer e trocar experiências com técnicos de fotografia do Estúdio Vera Cruz. Foi diretor do Departamento de Cinema da TV Universitária de Pernambuco, cinegrafista e fotógrafo da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

Seu talento como fotógrafo dos filmes pernambucanos Aruanda (1960), A cabra na região semi-árida e Cajueiro Nordestino (1962) trouxe o reconhecimento de sua inquestionável contribuição para a história do cinema brasileiro e para a evolução estética do Cinema Novo.

Por ter habilidade em manusear câmeras fotográficas, recebeu convite do cineasta Linduarte Noronha para auxiliá-lo no filme Aruanda, que inaugurou o cine-documentário brasileiro. O empreendimento teve o apoio do Instituto Nacional do Cinema Educativo, do pioneiro do cinema brasileiro, Humberto Mauro, e do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (IJNPS), na pessoa do então diretor Mauro Mota. O IJNPS, mais tarde (1966), também iria apoiar o filme A cabra na região semi-árida que teve roteiro, fotografia e direção de Rucker.

As dificuldades de filmagens eram muitas, principalmente para comprar e transportar equipamentos. Entretanto, isso não intimidou Rucker. Segundo Figueirôa (2002), Rucker “ao chegar no local das filmagens [de Aruanda], ficou perplexo com a aridez da paisagem e luminosidade excessiva na região. Para enfrentar o desafio, foi obrigado, então, a rever as regras de registro fotográfico que sabia e inventar artifícios para driblar a escassez de material”. Nas tomadas internas, tirou as telhas das casas, aproveitou a luz ambiente, improvisou equipamentos (deu às bacias de alumínio a função de rebatedores) e, na revelação dos negativos, interferiu na marcação de luz, numa demonstração de que dominava cada passo da fotografia. O filme foi exibido no Rio de Janeiro e em São Paulo, e causou admiração ao crítico e historiador de cinema paulista Paulo Emílio Salles Gomes, quando mostrado na Primeira Convenção da Crítica Cinematográfica Brasileira.

Em outros filmes, a exemplo de Cajueiro Nordestino e A cabra na região semi-árida, Rucker foi fotógrafo e montador, continuou com o uso da luz natural e incluiu  rebatedores. Nessa época, trabalhou com a mesma câmera com que fizera Aruanda  – uma Aymour de poucos recursos “de corda com uma torre de três lentes e um tripé”. Entretanto, para suas atividades no filme A cabra na região semi-árida já dispunha de um equipamento melhor, doado pelo cineasta Humberto Mauro, uma Arriflex, “com torre de três lentes e uma pequena lente zoom”. Fato que não dispensou sua criatividade e improvisos quando da necessidade de adaptar as regras do registro da imagem com as possibilidades de captação disponíveis.

O estilo fotográfico de Rucker Vieira, ‘genuinamente brasileiro’ foi constatado por Glauber Rocha: [...] sua luz é dura, crua, sem refletores e rebatedores, princípios da moderna escola de fotografia cinematográfica do Brasil [...]; e por Vladimir Carvalho, da equipe de Aruanda: Não existe antes desse filme [Aruanda] nada comparável, nada que tenha a marca, a tipicidade, um caráter e uma feição tão autóctone da luz e da iluminação com relação ao Nordeste [...]. O que é preto é preto, o que é branco, é branco, não tem matizes, isso virou um estilo, não existia antes (FIGUEIRÔA, 2002, p. 50-51).

O reconhecido talento de Rucker Vieira está impresso em cada quadro filmado.

Luzes, formas e movimentos obedecem a um meticuloso planejamento do olhar sobre o objeto a ser filmado. [...] Seja na reconstituição do real [...] seja no registro flagrante de homens em seus atos e gestos naturais, Rucker dominava a cena tanto no deslocamento da câmera quanto no espaço percorrido das figuras enquadradas, algo que parece óbvio do ponto de vista cinematográfico, mas que muitos documentários não conseguem desenvolver com tal precisão (FIGUEIRÔA, 2002, p. 52).

Para reverenciar o homem considerado responsável pela fotografia que caracteriza o Cinema Novo, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em parceria com o Museu da Imagem e do Som de Pernambuco e as Universidades Federal e Católica de Pernambuco, com o apoio do Consulado Geral do Japão, realizou, em maio de 2002, a Mostra Rucker Vieira. Nela, foi enfocado o Rucker fotógrafo e o Rucker fotógrafo e diretor nos filmes selecionados para exibição – Aruanda (1960), A Cabra na Região Semi-árida (1962), Olha o Frevo (1970), Jogos Frutais Frugais (1979), Almery e Ary: Ciclo do Amor e da Vida (1981) – além de vários debates sobre sua obra.

A Fundaj possui no seu acervo fotográfico negativos, cópias e fotografias que compõem a Coleção Rucker Vieira, disponível para consulta no Centro de Estudos da História Brasileira Rodrigo Melo Franco de Andrade (Cehibra). Desde 2003, a instituição também promove, por intermédio da Massangana Multimídia Produções, o Concurso de Roteiros Rucker Vieira com o objetivo de manter viva a memória do fotógrafo e de incentivar a produção de novos realizadores de vídeo documental nas regiões Norte e Nordeste brasileiros.

Dentre sua produção, sob a guarda da Fundação Joaquim Nabuco, podemos citar:

Almery e Ary: Ciclo do Amor e da Vida (filme 16 mm, 1981), fotografia e câmera.

Aruanda (filme 16mmm, 1962) fotografia.

cabra na região semi-árida, A (filme 16mm/ 35mm, 1966), direção, roteiro, fotografia e câmera.

Cajueiro nordestino (filme, 16mm,1962), fotografia, montagem, câmera.

Carquejo Lampião (DVD, 19--?), direção.

Comemorações em torno dos 40 anos de Casa-grande & senzala (VHS, 1974), direção.

desafio superado, Um (filme, Super 8mm, 1975), direção, fotografia, câmera, montagem.

Encontro Internacional de Cientistas Sociais do Brasil, 3º (filme, Super 8, 1975), fotografia, montagem, câmera.

Exposição do 40º aniversário da 1a. edição de "Casa-grande e senzala" (filme, Super 8mm, 1974), fotografia, montagem, câmera, direção.

Flagrantes da solenidade de comemoração dos 80 anos de Gilberto Freyre - I e II (filme, Super 8mm, 1980), fotografia.

homem avança com um século, Um - I e II (filme, Super 8mm, 1980), fotografia e câmera.

Leilão sem pena (filme, 16mm, 1980), fotografia e câmera.

Oh! Segredos de uma raça (filme, 16mm, 1979), fotografia e câmera.

Olha o frevo (filme, 16mm, 1970), direção, roteiro, fotografia e câmera.

Trinta anos de criação do IJNPS - Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais  (filme, Super 8mm, 1979), fotografia, montagem, câmera.

Visita do presidente Ernesto Geisel … Fundaj (filme, Super 8mm, 1980), fotografia.


Recife, 20 de junho de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

AZEVEDO, Érika. Rucker Vieira em vídeo, foto e filmes. Folha de Pernambuco, Recife, 2 maio 2002. Programa, p. 1.

CINEMATECA: Catálogo de filmes. Recife: Fundaj. Ed. Massangana, 1985. p. 44.

FIGUEIRÔA, Alexandre. Rucker Vieira: uma experiência cinematográfica no Nordeste. Sessões do Imaginário, Porto Alegre, n. 8, p. 50-53, ago. 2002. Disponivel em: 
<http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/famecos/article/viewFile/778/589>. Acesso em: 8 jun. 2012.

FIGUEIRÔA, Alexandre. Um cabra da peste na região semi-árida. Disponível em:
<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/
veiculos_de_comunicacao/SIN/SIN08/SIN08_17.PDF
>. Acesso em: 30 maio 2012.

RUCKER Vieira. [Foto neste texto]. Acervo da Fundação Joaquim Nabuco.
RUCKER Vieira em retrospectiva. Jornal do Commercio, Recife, 2 maio 2002. Caderno C, Cinema, p. 6.

TIRANDO a obra de Rucker Vieira do esquecimento. Diario de Pernambuco, Recife, 3 maio 2002. Viver, Cinema, p. E5.

VERAS, Luciana. Baterista, aviador e fotógrafo dos bons. Diario de Pernambuco, Recife, 2 maio 2002. Disponível em:
<http://www.pernambuco.com/diario/2002/05/02/viver16_0.html>. Acesso em: 30 maio 2012.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte:
BARBOSA, Virginia. Rucker Vieira. Pesquisa Escolar Online. Fundação Joaquim Nabuco, Recife.
Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex.: 6 ago. 2009.

 

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