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O Vaqueiro de Marajó, Pará
 
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Com mais de 40.000 quilômetros quadrados, a Ilha de Marajó, situada na foz do rio Amazonas, é a maior ilha fluviomarinha do mundo. 

No final de século XVII, na então chamada Ilha Grande de Joanes, estabeleceram-se as primeiras fazendas de gado, com rebanho oriundo de Portugal. Os animais foram introduzidos na ilha pelos colonizadores, iniciando-se um longo processo de mestiçagem. Foram feitos vários cruzamentos com búfalo importado da Índia e principalmente com a raça zebu, também indiana. O búfalo, cuja carne é de excelente qualidade e peso maior que o boi comum, se adaptou muito bem ao clima da Ilha.

Além do gado vacum, também o cavalo foi importado e sofreu um processo de mestiçagem. Conhecido como crioulo ou pé-duro, o cavalo marajoara é um animal em geral baixo, resistente, ágil e totalmente adaptado às condições ambientais da Ilha. 

O gado da ilha de Marajó é destinado exclusivamente ao corte, sendo exportado, basicamente, em embarcações próprias para Belém, no Pará, o estado do Amazonas e para as Guianas.

vaqueiroO tipo étnico característico do vaqueiro de Marajó é o caboclo, mistura de branco com índio, com predomínio do sangue indígena. Sua vida é muito ligada ao trabalho nas fazendas locais. 

Seu traje, simples e leve por conta do forte calor, é composto basicamente de camisa e calça de tecido claro; chapéu de palha de carnaúba ou arumã, leve e com abas largas. Na época chuvosa, usa uma capa para se proteger do vento e da chuva.

Normalmente, não usa espora, monta descalço, às vezes em pelo, e utiliza sempre a muchinga, um chicote de couro cru, com quatro ou seis pernas. O couro cru é obtido da pele de rês abatida na fazenda e colocada para secar ao sol. 

Faz parte do seu equipamento de trabalho ainda: a corda de serviços, que serve para laçar o boi, também feita de tiras de couro cru e confeccionada por ele próprio; a sela; a cabeçada (conjunto de tiras de couro e peças de metal posto em torno da cabeça e do focinho do cavalo); o aguilhão, uma  vara com ponta de ferro afiada, usada para tanger bois; o meio serrote, lâmina utilizada para cortar a ponta dos chifres dos animais nas ferras (período em que se ferra o gado) ou rodeios e o meio terçado, um facão pequeno com bainha de couro, que é utilizado como defesa pelo vaqueiro. 

Devido ao desaparecimento progressivo dos artesãos de couro na Ilha, a corda de serviços ou corda de laçar passou a ser substituída por cordas de nylon, mais duráveis e que não se tornam duras no verão e moles na época das chuvas, além de não serem destruídas por roedores. 

O mesmo processo está ocorrendo com as selas. Por falta de seleiros estão sendo substituídas por modelos utilizados no Nordeste brasileiro. As selas dos proprietários das fazendas, que eram confeccionadas com couro de carneiro, também foram substituídas por selas de montaria militar ou importadas da Inglaterra, Canadá e Austrália.

Durante a época das enchentes, o vaqueiro de Marajó utiliza o boi como montaria para atravessar as áreas alagadas. Os animais são conhecidos como boi-cavalo ou boi-de-sela.

Recife, 9 de agosto de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

FIGUEIREDO, Napoleão. O vaqueiro da ilha de Marajó (estado do Pará). Recife: Fundaj, Instituto de Pesquisas Sociais, Centro de Estudos Folclóricos, 1988. (Folclore, 192-193).

MANZOLLI, Maria Aparecida de Araújo. Dança do vaqueiro do Marajó. Anuário do Folclore, Olímpia, SP, ano 18, n. 21, p. 87-88, 1991. 

SOARES, Lúcia de Castro. Tipos e aspectos do Brasil: vaqueiros de Marajó.  10. ed. atual.  e  ampl.  Rio de Janeiro: IBGE, 1975. p. 65-66.

VAQUEIRO de Marajó. [Imagem neste texto. Desenho de Percy Lau]. Disponível em: <http://www.consciencia.org/wp-content/uploads/2011/06/vaqueiro-ilha-marajo-e1308320640599.jpg>. Acesso em: 24 ago. 2012.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. O vaqueiro da Ilha de Marajó, Pará. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia  mês  ano. Ex.: 6 ago. 2009.
 

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