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Encontros Culturais de Laranjeiras, Sergipe

Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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O Encontro Cultural de Laranjeiras é considerado o maior e mais importante evento cultural de Sergipe. Surgiu de uma quermesse realizada em 1975, pelo então prefeito da cidade José Monteiro Sobral e a primeira dama Yone Sobral, mais tarde também prefeita, com a finalidade de arrecadar fundos para ajudar a população pobre da cidade.

O município de Laranjeiras, que fica a cerca de vinte quilômetros de Aracaju, capital sergipana, é conhecido pela sua riqueza cultural e arquitetura colonial. Tudo na cidade exala história e cultura, suas ruas, casarios e igrejas; seus folguedos populares como Batalhão 1º de São João, Caboclinho, Cacumbi, Chegança Almirante Tamandaré, Guerreiros, Lambe-Sujos, Penitentes, Reisado, Samba de Parelha, São Gonçalo, Taieira e outros, estão entre os mais destacados do Brasil.

A quermesse foi uma boa oportunidade para mostrar a força da cultura local. Para isso, foram realizadas exposições, vendas de artesanato e comidas típicas da região além de apresentação de grupos folclóricos. A partir do sucesso dessa quermesse, surgiu a idéia do Encontro de Laranjeiras, desenvolvida pela assessoria cultural da Prefeitura da cidade junto ao Conselho Estadual de Cultura. Depois de ampla discussão sobre o assunto, ficou acordado que o Encontro seria baseado em três pilares: pesquisa, estudo e divulgação do folclore sergipano.

Sendo assim, em maio de 1976, o primeiro Encontro Cultural de Laranjeiras foi oficialmente aberto nas dependências da Igreja Matriz, pelo então governador José Rollemberg Leite, com a presença de autoridades locais e nacionais. Na oportunidade, foi inaugurado também o Museu Afro-Brasileiro de Sergipe, montado no prédio da Antiga Casa de Laranjeiras, ocasião em que foram abertas exposições de xilogravura, literatura de cordel e de artesanato. Foi realizado também o I Torneio de Grupos Folclóricos em uma tenda de Circo especialmente montada em frente ao Mercado Público.

A partir de então, por sugestão da professora Beatriz Góis Dantas, os próximos Encontros teriam data préestabelecida e constariam no calendário de eventos culturais de Sergipe, ficando previsto que seriam realizados na primeira quinzena de janeiro de cada ano, junto às festas de São Benedito e Santos Reis. Desde então, estudiosos e pesquisadores de diversos pontos do Brasil reúnem-se para estudar, interpretar e contribuir para a valorização de cultura popular.

Pondo em prática uma das idéias de sustentação do Encontro foi realizada uma pesquisa de casa em casa para cadastrar todos os grupos folclóricos de Sergipe começando por Laranjeiras. Nessa pesquisa, eram recolhidas informações sobre todos os repertórios populares existentes e conhecidos da população. Foi inspirado nesse trabalho de pesquisa que a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro realizou, em 1977, um levantamento que resultou na publicação do Atlas Folclórico, contendo informações de todo o País, onde Sergipe apareceu com 220 grupos folclóricos cadastrados.

O segundo pilar de sustentação dos Encontros seria estudar o folclore, despertar a consciência de preservação do patrimônio cultural e possibilitar a integração entre os saberes e as práticas dos produtores de cultura com a academia e outras organizações. Assim, foram realizados simpósios que reuniram os estudiosos mais representativos da bibliografia folclórica não só de Sergipe, como também do Brasil e de vários países do mundo.

O historiador Luiz Antonio Barreto faz referência a um levantamento feito por Bráulio do Nascimento, publicado em 1995, onde se pode compreender o alcance desses Encontros. Essa publicação reúne nomes como Nelson Rossi, Tales de Azevedo, da Bahia; Théo Brandão e José Aloísio Vilela, de Alagoas; Waldemar Valente, Mario Souto Maior, Frederico Pernambucano de Melo, Renê Ribeiro e Roberto Benjamim, de Pernambuco; Dante de Laytano, do Rio Grande do Sul, Maria Tereza Lemos de Arruda Camargo, José Aderaldo Castelo e Laura Della Mônica, de São Paulo; Bráulio do Nascimento, Aloísio de Alencar Pinto, Cascia Frade, Paulo de Carvalho-Neto, Rosa Maria Muraro e Umberto Peregrino, do Rio de Janeiro; Vicente Sales, de Brasília; Osvaldo Trigueiro e Altimar Pimentel, da Paraíba, e muitos outros de todo território nacional.

Convidados estrangeiros com preocupações análogas as dos brasileiros também já marcaram presença nos Encontros Culturais de Laranjeiras, entre outros: Moncho Rodriguez, Antonia Bueno e Luiz Diaz Vianna, da Espanha; Pedro Braumann e Pedro Ferre, de Lisboa; Katharina Real, dos Estados Unidos; Ria Lemaire, da Alemanha.

Para o terceiro pilar, o da divulgação, os organizadores do Encontro priorizaram os grupos locais promovendo um diversificado mostruário dos grupos existentes no Estado. Foram também editados cadernos de folclore, álbuns de xilogravura e livros. Houve lançamento de discos (compacto duplo, depois CDs) com os volumes dos Anais dos Encontros, com destaque para cada grupo folclórico, principalmente os de Laranjeiras: Taieira, Reisado, Chegança, Cacumbi, entre outros.

Ainda segundo Luiz Antonio Barreto, foi através desses Encontros que Laranjeiras assumiu um papel de vanguarda na proteção, documentação, estudo e divulgação do folclore sergipano. Contudo, depois da trigésima-quinta edição, o Encontro vem sofrendo a invasão de elementos estranhos aos seus princípios de pesquisa, estudo e divulgação do folclore. Todavia, a historiadora Aglaé Alencar afirma que Laranjeiras funciona como um foco de resistência cultural em defesa do folclore.

Os Encontros Culturais de Laranjeiras vem se aprimorando a cada nova edição. Hoje, seguem uma diversificada programação, com apresentação de teatro, shows artísticos, exposições de artesanato e fotografias, oficinas culturais, visitação a museus, simpósios e muito mais.

Em 2011, foi lançado um concurso de fotografia cujo tema era As Cores do 37º (trigésimo-sétimo) Encontro Cultural de Laranjeiras, sobre o evento que se realizaria em janeiro de 2012.

Recife, 31 de agosto de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

BARRETO, Luiz Antônio. 35 anos de um Encontro Cultural. Disponível em: <http://www.infonet.com.br/luisantoniobarreto/ler.asp?id=107703&ti.>. Acesso em: 14 ago. 2012.

ENCONTRO CULTURAL DE LARANJEIRAS, 20., 1995, Laranjeiras. Anais...: Folclore e suas projeções. Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura, 1995. 218 p.

ENCONTRO CULTURAL DE LARANJEIRAS, 21., 1996, Laranjeiras. Anais...: Globalização da cultura, folclore identidade regional.  Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura, 1997. 248 p.

NASCIMENTO, Bráulio do. Os Encontros Culturais de Laranjeiras. In: ENCONTRO CULTURAL DE LARANJEIRAS 20 ANOS. Aracaju: Governo do Estado de Sergipe, Secretaria Especial de Cultura, Fundação Estadual de Cultura, 1995. p. 11-20.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Encontros Culturais de Laranjeiras. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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