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Chagas Batista
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Francisco das Chagas Batista não foi cantador, mas um dos mais conhecidos poetas populares. Sua produção abundantíssima forneceu vasto material para a cantoria. [...]
(Luís da Câmara Cascudo, Vaqueiros e cantadores, 1984. p. 325).

Mais conhecido como Chagas Batista, o poeta popular, escritor e editor, Francisco das Chagas Batista, nasceu no dia 5 de maio de 1882, na fazenda Riacho Verde, Serra da Borborema, vila de Teixeira, Paraíba, filho de Luís de França Batista Ferreira e Cosma Felismina Batista. 

Realizou seus primeiros estudos na própria cidade onde nasceu, continuando-os em horário noturno na cidade de Campina Grande, PB, para onde se transferiu com a mãe e um irmão, em 1900, após o falecimento de seu pai. 

Durante o dia, trabalhou carregando água e lenha, arranjando mais tarde um emprego como operário na estrada de ferro de Alagoa Grande.  

Em 1902, publicou seu primeiro folheto sob título Saudades do sertão, passando a vendê-lo em feiras livres da região. Providenciou, posteriormente, no município de Areia, a impressão de outros cordéis, e saiu vendendo-os também até chegar a João Pessoa (na época chamada de Paraíba). Na capital do Estado, publicou uma nova tiragem de Saudades do sertão, que foi muito elogiado por jornais locais, como O Comércio e A União. O trabalho recebeu elogios ainda do jornal A República, de Natal, RN, e d’O Ateneu Campinense, publicado em Campina Grande, na Paraíba. Vendeu folhetos de cordel também no Recife e em Olinda, Pernambuco.

Em 1909, Chagas Batista casou-se com Hugolina Nunes da Costa (1888-1965), que era sua prima e filha do conhecido cantador Ugolino Nunes da Costa, com quem teve onze filhos.

Morou algum tempo em Guarabira, PB, transferindo-se definitivamente, em 1911, para João Pessoa (ainda chamada de Paraíba), onde passou a comercializar livros. Dois anos depois, em 1913, fundou a sua Livraria Popular Editora, localizada na Rua da República, n. 65 (depois n. 584). Além de paródias, publicava novelas, contos, poesia e folhetos de cordel. Imprimiu a produção de vários poetas populares da época.

Leitor assíduo de jornais de Pernambuco e da Paraíba, Chagas Batista também lia revistas do Sudeste do País, como as cariocas O Malho, A Careta, Revista da Semana e Cosmos, e a paulista Revista do Brasil. Muitos dos seus cordéis foram produzidos a partir da leitura de jornais. 

Organizou os livros A lira do poeta, publicado em 1910, pela Imprensa Industrial, contendo Modinhas recitativas e sonetos (132 páginas) e Poesias escolhidas (Livraria Popular Editora, 1918), parodiando poemas de Castro Alves, Olavo Bilac, Guerra Junqueiro, Humberto de Campos, Augusto dos Anjos, Tobias Barreto, Auta de Souza, entre muitos outros. Segundo ele, sua seleção baseou-se não em escolas literárias, mas nos poetas que melhor souberam interpretar o sentimento humano

Não se tem certeza sobre a quantidade de folhetos de cordel produzidos por Chagas Batista. Segundo a pesquisadora Ruth Terra (1983), pelo menos 45 são inquestionavelmente de sua autoria. Quatorze deles tratam sobre o cangaceiro Antonio Silvino e cinco sobre Lampião. Escreveu também oito romances: O amor de Celina, que depois ganhou o título de Casamento e mortalha;  História da Imperatriz Porcina, versificada a partir do livro de Balthazar Dias; O triunfo do amor, inspirado no romance Quo Vadis?; História da escrava Isaura, inspirado no livro de Bernardo Guimarães, e História de Esmeraldina, baseada na nona novela da segunda jornada do Decameron, de Boccaccio.

São de sua autoria ainda os seguintes folhetos: Saudades do sertão (1902); A vida de Antônio Silvino (1904, reeditado em 1905, 1906 e 1907); A morte de Cocada e a prisão de suas orelhas (1908); A maldição da nova seita (1908); Resposta ao poldro do meu colega (em resposta a um poema de Leandro Gomes de Barros, 1909); A descrição do Amazonas; História de Guiomar; História de Maria Rita; Torpedeamento dos vapores “Paraná”, “Tijuca” e “Lapa” (1917); A história completa de Antônio Silvino: sua vida de crimes e seu julgamento (1919); O marco de Lampião; Conselhos do Padre Cícero a Lampião; Os decretos de Lampião (como ele foi cercado pela Polícia paraibana em Tenório, onde morreu Levino Ferreira, seu irmão); A morte do Inspetor de Santa Inês; O valente Vilela; Os revoltosos no Nordeste; A hecatombe de Piancó e a morte do Padre Aristides; Novos crimes de Lampião; O mundo às avessas; O povo na Cruz; A caravana democrática em ação e a História do capitão Lampião (desde o seu primeiro crime até a sua ida a Juazeiro – “contendo a luta do serrote Preto, o fechamento do corpo de Lampião por um feiticeiro, o pacto de Lampião com o Diabo e a Luta com o tigre”) (de 1920 a 1928).

Em 1929, um ano antes de falecer, publicou o livro Cantadores e poetas populares, obra sobre a literatura popular em verso, onde reuniu dados biográficos e poesias de dezoito poetas populares que conheceu ou com quem conviveu – entre os quais Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá de Lima e João Melchíades Ferreira. No prefácio do livro, afirma que:

[...] a maior parte dos originais, recebi-os mesmo das mãos dos próprios autores, meus contemporâneos. Os mais antigos, porém, colhi nos alfarrábios de velhos amadores do verso popular, contemporâneos dos nossos antigos cantadores e que viveram nos sertões na segunda metade do século XIX. [...] Publico as poesias como as encontrei nas mãos dos seus autores, deixando que os outros as estudem e critiquem, dando a cada um desses versos a sua classificação folclórica. [..] Amanhã, quem quiser estudar a psicologia desses poetas incultos encontrará seguros informes para o desenvolvimento de sua obra nas simples notas que aqui ficam impressas, que, se não têm nenhum valor literário, pelo menos exprimem a verdade dos fatos. 

Francisco das Chagas Batista morreu em João Pessoa, no dia 26 de janeiro de 1930.

Recife, 1º de novembro de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

BATISTA, F. Chagas. Cantadores e poetas populares. 2.ed. - João Pessoa: UFPB, Ed. Universitária, 1997. (Biblioteca paraibana, 210).

BATISTA, Sebastião Nunes. Chagas Batista. Recife: Fundaj, Inpso, Coordenadoria de Folclore, 1982. (Folclore, n. 122).

CASCUDO, Luís da Câmara. Vaqueiros e cantadores. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Ed. da USP, 1984.  

GRILLO, Maria Ângela de Faria.  A arte do povo: histórias na literatura de cordel (1900-1940). 2005. 255f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, 2005. 

SILVA, José Fernando Souza e. Francisco das Chagas Batista: biografia. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/
 
TERRA, Ruth Brito Lêmos. Memória de lutas: literatura de folhetos do Nordeste, 1893-1930. São Paulo: Global, 1983. 190 p. (Teses,13). 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Chagas Batista. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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