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Afrânio Peixoto
Virgínia Barbosa
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Para quem teve o privilégio de conhecê-lo, como eu o conheci, em longo convívio, quase dia a dia, houve dois Afrânios: um que se transferiu para seus livros; outro, que não se separou do próprio Afrânio, e que o acompanhava aos salões, aos encontros de rua, às conferências e às salas de aula. O segundo, sem dúvida alguma, era maior que o primeiro. Porque os livros não conseguiam captar e guardar todo o fulgor da inteligência do mestre baiano, que dava de si, com todo o brilho, no improviso de uma palestra ou de uma conversa. (MONTELLO citado por VENÂNCIO FILHO, 2007, p. 8).

O médico, educador e escritor baiano Júlio Afrânio Peixoto, filho de Francisco Afrânio Peixoto e Virgínia de Morais Peixoto, nasceu na cidade de Lençois, estado da Bahia, no dia 17 de dezembro de 1876.

Em 1885, sua família mudou-se para Canavieiras. Dali, Afrânio partiu para a capital baiana onde, aos 21 anos, formou-se em Medicina (1897), como aluno laureado.
   
Sua tese, intitulada Epilepsia e Crime, chamou atenção de parte da sociedade médica do país e do exterior e foi reeditada em 1898, com prefácio de Nina Rodrigues e Juliano Moreira – um dos pioneiros da psiquiatria brasileira. 

Um convite do Dr. Juliano Moreira levou Afrânio para o Rio de Janeiro. Nessa época, início do século XX, já havia escrito Rosa Mística, um drama em cinco atos. 

Na capital do País (RJ), ocupou cargos e funções na área da saúde e da educação: inspetor de Saúde Pública (1902), Diretor do Hospital Nacional de Alienados (1904); professor de Medicina Legal da Faculdade de Medicina (1907); Diretor da Escola Normal (1915) e da Instrução Pública (1916); professor de História da Educação do Instituto de Educação (1932); reitor da Universidade do Distrito Federal (1935).

Paralelo a essas atuações, Afrânio Peixoto continuou a escrever. Em 7 de maio de 1910, foi eleito para ocupar a cadeia nº 7 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Euclides da Cunha e tomou posse no dia 14 de agosto de 1911. Neste mesmo ano, escreveu o romance A Esfinge, inspirado nas impressões que tivera quando conheceu o Egito. A publicação obteve enorme sucesso e deu ao autor uma posição relevante entre os ficcionistas brasileiros. 

Entre 1914 e 1922 escreveu uma trilogia de romances da série sertaneja: Maria Bonita, Fruto do Mato e Bugrinha. Mais tarde, em 1929, publicou Sinhazinha. Neles se encontram registros dos locais onde Afrânio passou sua infância: Lençois (distrito diamantífero) e Canavieiras (zona cacaueira). 

Na Academia teve atividades intensas. Fez parte das seguintes Comissões: Redação da Revista da Academia (1911-1920); Bibliografia (1918); e Lexicografia (1920 e 1922), além de exercer o cargo de Presidente (7 de dezembro de 1922 a 20 de dezembro de 1923). Neste último ano, deu início às publicações acadêmicas, denominadas Coleção de Cultura Nacional, em que promoveu a edição de vários volumes importantes. Destaquem-se Prosopopéia, de Bento Teixeira; a Música do Parnaso, as Obras de Gregório de Matos, o Compêndio Narrativo do Peregrino da América, o Uraguai, de Basílio da Gama (edição comemorativa do segundo centenário), as Poesias, de José Bonifácio, Uma Página de Escola Realista, drama de Castro Alves, a obra de Machado de Assis Queda que as Mulheres Têm pelos Tolos, Os Túmulos, de Visconde de Pedra Branca e o Florilégio da Poesia Brasileira, de Varnhagen, em três volumes, edição anotada por Rodolfo Garcia. 

Em 1931, a Coleção de Cultura Nacional passou a se chamar Coleção Afrânio Peixoto, em homenagem ao seu idealizador e realizador.

Principais obras: Rosa mística, drama (1900); Lufada sinistra, novela (1900); A esfinge, romance (1911); Maria Bonita, romance (1914); Minha terra e minha gente, história (1915); Poeira da estrada, crítica (1918); Trovas brasileiras (1919); José Bonifácio, o velho e o moço, biografia (1920); Fruta do mato, romance (1920); Castro Alves, o poeta e o poema (1922); Bugrinha, romance (1922); Dicionário dos Lusíadas, filologia (1924); Arte poética, ensaio (1925); As razões do coração, romance (1925); Camões e o Brasil, crítica (1926); Uma mulher como as outras, romance (1928); História da literatura brasileira (1931); Panorama da literatura brasileira (1940); Pepitas, ensaio (1942); Obras completas (1942); Obras literárias, ed. Jackson, 25 vols. (1944); Romances completos (1962). Publicou também numerosos livros de medicina, história, discursos, prefácios.

Afrânio Peixoto faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de janeiro de 1947.

Recife, 22 de novembro de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

AFRÂNIO Peixoto. Disponível em: . Acesso em: 22 nov. 2012.

AFRÂNIO Peixoto [Foto neste texto]. Disponível em: . Acesso em: 21 nov. 2012.

AFRÂNIO Peixoto.  In: GRANDE ENCICLOPÉDIA LAROUSSE CULTURAL. São Paulo: Larousse; Nova Cultural, 1998. v. 18, p. 4518.

ODA, Ana Maria Galdini Raimundo; DALGALARRONDO, Paulo. Juliano Moreira: um psiquiatra negro frente ao racismo científico. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 22, n. 4, dez. 2000. Disponível em: . Acesso em: 16 nov. 2012.

VENÂNCIO FILHO, Alberto. Afrânio Peixoto. Conferência pronunciada em 27 de março de 2007 na Academia Brasileira de Letras, no ciclo Presidentes da ABL. Disponível em: . Acesso em 19 nov. 2012.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: BARBOSA, Virgínia. Afrânio Peixoto. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009. 

 

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