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Nomes Próprios Bizarros
Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Nome próprio de pessoa ou antropônimo é o nome dado à pessoa ao nascer, no batismo ou em outra ocasião especial, de acordo com a cultura e os costumes de cada povo e pelo qual ela é conhecida e chamada. O nome é considerado o elemento mais antigo de identificação do homem. No Direito, o nome atribuído à pessoa física é chamado de nome civil e tem a função de identificar e individualizar a pessoa durante toda a sua existência e até depois dela. Ter um nome civil é um Direito garantido por lei.

O nome civil é composto pelo prenome, escolhido em geral pelos pais e pelo sobrenome, ou seja, o nome que indica o núcleo familiar da pessoa. Tem a garantia de ser imutável, isto é, a pessoa não pode mudar o nome a sua própria revelia, salvo nos casos previstos pela lei. Também é imprescritível, ou seja, não tem prazo de validade; é inalienável, quer dizer que não pode ser vendido ou cedido; e intransmissível, embora a pessoa possa até (transmitir) colocar seu nome no filho ou no neto, mas deverá acrescentar o agnome, isto é, a palavra indicativa do laço de parentesco: neto, filho ou júnior, sobrinho, para assim distinguir a pessoa que recebeu o mesmo nome na mesma família.

O nome é uma espécie de etiqueta, carimbo ou marca de fundamental importância na vida de uma pessoa, pois além de ser a principal forma de individualização na sociedade, indica também sua ascendência familiar. Entretanto, apesar dessa importância, alguns pais, na ânsia de demonstrar seu carinho, sua felicidade, de homenagear algum ente querido, de mostrar sua erudição, religiosidade ou mesmo dar ao filho um nome único, especial ou importante, se empenham (ou não) tanto na escolha que acabam registrando a prole com nomes bizarros e ridículos, escolhas que acabam causando constrangimento ao seu portador tornando-o vítima constante de chacotas, gracejos ou (só para citar a palavra da moda) bullying. 

Há quem registre os filhos com nome de celebridade como “Valdisnei”, (um clássico. Homenagem a Walt Disney), “Lady Diana” (aliás, há várias versões desse nome), no interior de Pernambuco é possível conhecer uma Leide Daiana da Silva. Há quem os registre com nomes de políticos famosos como “Lyndon Johnson de Sousa”, “John Kennedy” (sobrenome que virou nome bastante popular pelo Brasil  afora), de artista de cinema: “Arnold Shuasneguer” (já bem difícil de escrever na forma original), de personagem de filmes, novelas etc. Não satisfeitos com o prenome, às vezes colocam também o sobrenome. Há também os que criam nomes a partir de outros já existentes, resultando em misturas por vezes impronunciáveis como Dysmeniélisson Jerry. Outra opção popular é fazer justaposição com parte de diferentes nomes, geralmente do pai e da mãe, obtendo resultados por vezes curiosos, como Isacclene Bazante da Silva.

Alguns nomes, quando combinados com o sobrenome, assumem uma forma ridícula, a exemplo de Caio Pinto Valente ou Patrícia Pinto Grosso (nome resultante de casamento civil). Há aqueles que, por desconhecer o significado do nome que está sendo atribuído, acabam expondo o filho ao ridículo, por exemplo: Letsgo Daqui (let's go). Outros escolhem atribuir nomes complexos e de difícil pronúncia, dificultando a escrita e a fala e, inevitavelmente, acabam sofrendo adaptações. Em caso curioso no Recife, uma família com irmãos chamados Washington, William e Wallace acabaram tendo seus nomes respectivamente “facilitados” por familiares e amigos para uó, uí e uá.

Não é preciso ir muito longe para se encontrar pessoas com nomes estapafúrdios. A arbitrariedade dos pais na escolha do nome nem sempre revela bom senso, muitas vezes afetando a autoestima, a dignidade e até o desenvolvimento emocional da pessoa que o recebeu, podendo mesmo vir a reduzir sua capacidade de agir diante da vida. Esses danos ocorrem principalmente na fase da infância e adolescência.  Há publicações como Nomes próprios pouco comuns, do pesquisador e folclorista Mario Souto Maior que relacionam nomes diferentes, bizarros e engraçados, resultantes de pesquisas realizadas em cartórios de registro civil, em fichas de inscrição de concurso, listas telefônicas dos estados do Brasil, jornais, etc. Como disse Jabesmar A. Guimarães, “são verdadeiras pérolas de criatividade do brasileiro em dar nome à prole”, ele próprio diz: “E eu que achava meu nome esquisito!”.

Com base em levantamentos já publicados em livros e em outras mídias, segue uma amostra de nomes bizarros encontrados pelo Brasil: 

A
Alma de Vera
Amável Pinto
Antônio Rolão
Aeronauta Barata
Antonio Querido Fracasso
Alrirwertom Wescrelteniz Phissihoua

B
Bem_Hur Farias
Berta Rachou
Boaventura Torrada
Brasil Washington C. A. Júnior
Brucili Benedito da Silva

C
Carlos Valente Pinto
Cafiaspirina Cruz
Catupyan Holanda Cavalcanti
Chevrolet da Silva Ford
Clarisbadeu Braz da Silva

D
Daniel Tardio
Darcy Coloca
Darkson Stick Nick da Silva
Deolinda Marreca
Disney Chaplin Milhomem de Souza
Dolores Fuertes de Barriga

E
Erisônia Bispo de Oliveira
Epílogo de Campos
Espere em Deus Mateus
Eva Gina Melo
Evaldo Perfeito
Exupéria Branco

F
Felicidade do Lar Brasileiro
Franklinberg Ribeiro de Freitas
Francisco Reto Filho
Frankstein Junior (o pai se chamava João da Silva)
Free William da Silva

G
Generosa Farias
Gêngis Khan Camargo
Getúlio Vargas de Castro
Gigle Catabriga
Gilete Queiroga de Castro
Graciosa Rodela

H
Hamilton Coragem
Haroldo Batman
Helio Bicudo
Herbert Cordeiro Manso
Hermenegildo Calças
Horácio Treme Terra

I
Isabel Ignorada Campos
Ivanhoe Valente
Ivete de Abraão Sales Chaminé
Izabel Rainha de Portugal
Izuperiu Joaquim Pereira

J
Janice Bispo de Roma
Jesus Cruz
João Carlos Tortura
Joaquim Contente
José Praça

K
Kaelisson Bruno (homenagem ao grupo KLB-Kiko, Leandro e Bruno)
Kevinson Junior(o nome do pai era Rafael) 
Kung Fu José e Kung Fu João (gêmeos)

L
Leidi Dai
Leonardo Mata Neto
Liberalino Liberal Brandão
Lírio do Prado
Luís Merenda

M
 
Maiquel Edy Marfy (seria Michael + Eddie Murphy?)
Maycom Géquiçom
Maria da Segunda Distração
Marcos Grilo
Marília de Dirceu Pinto Souza

N
Nair Queijo
Napoleão Bonaparte Príncipe dos Santos
Newton Marimbondo Vinagre
Nísia Floresta Brasileira
Nostradamus Brasileiro Do Acre

O
Oceano Atlântico Linhares
Olga Testa
Otavio Bundasseca
Otelino Sol
Ótima Átila Dantas
Outubrino Correia

P
Pacífico Armando Guerra
Patrick Itambé da Silva (homenagem ao ex-piloto francês de F1 Patrick Tambay)
Paulo Carneiro Bravo
Pedro Tocafundo
Pombinha Guerreira Martins

R
Recemvindo Pereira
Remo Longo
Rivon l’Amour
Roberto Kennedy Oliveira dos Santos
Rolando Caio da Rocha

S
Saturnino Ponte do Norte
Selênio Homem de Siqueira
Sincero Borges
Sudário Augusto Pereira
Soubrasil Madeira de Lei

T
Tarzan de Castro
Terezinha do Menino Jesus de Freitas
Terezinha Tosse
Tom Mix Bala
Tranquilino Viana
Tropicão de Almeida

U
Ubiratan Palestino Oriente
Universo Cândido
Urano Magalhães
Ursino Tanajura

V
Valentim Pereira Assombrado
Vera Lama
Victor Hugo da Incarnação
Virtuosa Doutora dos Anjos
Voltaire do Coração de Jesus

W
Waldemar Ponta Dura
Washington Luis Moço
Wladimir Paraná do Brasil

X
Xilderico Alarico de Freitas
Xisto Zeno Valones

Y
Yale Bica
Yoisalva Dos Santos
Yolanda Gomes Escola Mayor

Z
Zélia Tocafundo Pinto
Zitelman José dos Santos
Ziuton Oliveira
Zurivel de Carvalho
Zyvane Fogaça

Recife, 8 de janeiro de 2013.

FONTES CONSULTADAS

DYSMENIÉLISSON Jerry: veja os nomes de pessoas mais bizarros do Brasil. In: Cultura Nordestina. Disponível em: . Acesso em: 27 dez. 2012.

FERREIRA, Luiz Antonio Miguel; GALINDO, Bruna Castelane. Do sobrenome do padrasto e da madrasta: considerações a respeito da Lei 11.924/2009. Disponível em: .
Acesso em: 21 dez. 2012

GUIMARÃES, Jabesmar A. Nomes exóticos (originais). Disponível em:  . Acesso em: 21 dez. 2012.

NOMES bizarros pelo Brasil. Disponível em: . Acesso em: 28 dez. 2012. (Nomes anotados por um médico em consultório)

NOMES estranhos: vários nomes estranhos de pessoas registradas em cartórios em todo o País. Disponível em: . Acesso em: 27 dez. 2012.

SOUTO MAIOR, Mário. Nomes próprios pouco comuns: contribuição ao estudo da antropologia brasileira. Prefácio de Carlos Drummond de Andrade. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1974. 

SOUTO MAIOR, Mário. Qual é a sua graça? Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Ed. Massangana, 2004.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: ANDRADE, Maria do Carmo. Nomes próprios bizarros. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6  ago. 2009. 
 

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