Home
Superstições e Crendices Juninas
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

 
 
O folclore do Ciclo Junino é um dos mais ricos do Brasil, principalmente na região Nordeste. Além de folguedos, culinária, música e danças, há uma grande quantidade de superstições e crendices que fazem parte das tradições, usos e costumes do povo, presentes especialmente em cidades do interior nordestino.

São muitas as adivinhações, simpatias e “sortes” (profecias sobre questões amorosas), ligadas principalmente ao casamento, feitas nas vésperas dos dias de Santo Antônio (13 de junho) – o Santo Casamenteiro -, São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho), que deixam muita gente esperançosa sobre suas realizações, em especial as moças casadouras.

Luís da Câmara Cascudo e vários outros estudiosos do folclore registraram essas tradições, que vêm sendo transmitidas há muitas gerações, contribuindo para a preservação da cultura popular brasileira. Confiram algumas dessas superstições:

Introduzir uma faca que não tenha ainda sido usada no tronco de uma bananeira. No dia seguinte, aparecerá a inicial do futuro marido ou esposa;

colocar duas agulhas numa bacia com água. Se elas se juntarem é uma indicação que haverá casamento;

passar um ramo de manjericão pela fogueira e atirá-lo no telhado. Se no dia seguinte, ao levantar-se a planta ainda estiver verde, o casamento será com um jovem, se estiver murcha, com um velho;

colocar sob o travesseiro uma flor bem viçosa. Se na manhã seguinte ela ainda estiver bonita você se casará em breve;

fazer uma prece no quarto pedindo a Santo Antônio um noivo e depois olhar pela janela. Se a primeira pessoa que passar for jovem, o noivo vai aparecer logo, se for velho vai demorar;

pegar uma vela virgem e um prato com água. Aceder a vela e começar a pingar na água rezando a Salve-Rainha. Rezar até os “mostrai” dizendo: mostrai o nome do homem com quem vou me casar. Se formar uma letra será a inicial do homem com quem irá se casar;

procurar no escuro uma pimenteira com pimentas verdes e vermelhas. Tirar uma pimenta sem ver a cor, embrulhá-la em um papel e colocá-la debaixo do travesseiro. Quando abrir o embrulho no dia seguinte, se a pimenta for verde seu marido será novo e se for vermelha, você casará com um velho; 

ao levantar-se no dia de São João, traçar um baralho três vezes e pedir a outra pessoa para cortá-lo. Se a carta que sair for do naipe de ouro, seu sonho estará prestes a realizar-se;

colocar em cada ponta do lençol o nome de uma pessoa querida e dar um nó frouxo em cada um deles. No dia seguinte, o nó que estiver desmanchado indicará o nome do seu marido ou esposa;

prender uma fita qualquer no travesseiro e fazer uma oração. Se no dia seguinte a fita estiver solta será noivado certo;

colocar um pouco de clara de ovo em um copo com água. Se no dia seguinte aparecer um desenho semelhante a uma igreja indica casamento, se for parecido com um navio, haverá uma próxima viagem, etc.

encher a boca de água e ficar atrás da porta da rua. O primeiro nome de mulher ou homem que ouvir será o do noivo ou da noiva;

plantar três dentes de alho, três dias antes do São João.O número de cabeças de alho que brotarem será a quantidade de anos que faltam para o casamento. Se nenhuma brotar, a pessoa não se casará;

amarrar um fio numa aliança e segurá-lo acima de um copo com água. Sem mexer a mão, contar quantas vezes a aliança bate no copo. O número de vezes que isso ocorrer será a quantidade de anos que a pessoa terá que esperar para se casar;

escrever cada letra do alfabeto em um pedaço de papel. Dobrá-los e colocá-los em um recipiente com água deixando-o no sereno. O primeiro que abrir conterá a inicial do futuro marido;

colocar uma moeda dentro da fogueira. No dia seguinte pegar a moeda e entregá-la ao primeiro mendigo que encontrar. O nome do mendigo será o do futuro noivo ou marido;

preparar um travessa de canjica e colocar dentro um aliança. Distribuir a canjica em pedaços para as moças presentes. A que receber o pedaço onde está a aliança será a primeira a se casar. 
 
 

Recife, 18 de abril de 2013.
 
 
 
FONTES CONSULTADAS:

 
 
ADVINHAÇÕES e Simpatias. [Foto neste texto]. Disponível em: <http://professoralourdesduarte.blogspot.com.br/2012/06/tradicoes-juninas-adivinhacoes-e.html>. Acesso em: 19 abr. 2013.

CASCUDO, Luís da. Dicionário do folclore brasileiro. 11. ed. rev. e atual.  São Paulo: Global, 2002. 
 
MELO, Veríssimo de. Superstições de São João. Natal: Pequenas Edições “Bando”, 1949.
 
REZAS, benzeduras, simpatias. São Paulo: Editora Três, [19--?].
 
SILVA, Leny de Amorim. Acorda povo, São João chegou! Recife: Ed. do Autor, 1993. 
 
SILVA, Leny de Amorim. Adivinhações e sortes. In: CICLO junino. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife, 19877. p. 69-80.
 
 
 
 
COMO CITAR ESTE TEXTO:
 
 
 
Fonte: GASPAR, Lúcia. Superstições e crendices juninas. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

Busca "Palavra-chave"

Busca "A a Z"


Copyright © 2019 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco