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Casa Amarela (bairro, Recife)

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Segundo o historiador Pereira da Costa, a mais antiga referência que se encontra sobre a origem da povoação do Arraial, antigo nome do local, é de 1630, quando o general Matias de Albuquerque levantou o forte real do Bom Jesus para proteger o "interior" de Pernambuco contra os holandeses.

 

Ao redor da fortaleza formou-se um povoado onde acampou todo o exército e a população de Olinda e do Recife que havia abandonado suas casas por ocasião da invasão holandesa.

 

Esse Arraial, o Velho do Bom Jesus (atual Sítio da Trindade), é o núcleo mais antigo de Casa Amarela.

 

Uma multidão de vendedores de mantimentos estabeleceu-se na localidade, mas uma enchente do Capibaribe, no final de 1631, causou grandes prejuízos aos comerciantes, inutilizando mercadorias e derrubando muitas casas.

 

Houve também vários ataques dos holandeses ao forte até que, em 1635, deu-se a sua rendição devido à falta de alimentação e de material bélico para combater o inimigo.

 

Depois da rendição, muitos dos moradores voltaram ao Arraial, restauraram as casas destruídas, construíram outras, surgindo assim a chamada Povoação do Arraial Velho. Essa povoação regular teve origem no final do século XVIII, com a extinção dos engenhos Monteiro e Casa Forte e a divisão de suas terras em diversos sítios.

 

Só muito depois a localidade passou a ser chamada de Casa Amarela. O nome se deve, segundo a tradição, a uma casa sempre pintada de amarelo que existia próximo ao terminal da estrada de ferro e que servia de referência na região. A casa pertencia a um português rico, o comendador Joaquim dos Santos Oliveira que, por estar tuberculoso, foi aconselhado pelos médicos como terapia a mudar-se para o Arraial, por conta da excelência do seu clima. Por milagre ou não, o comendador ficou curado e, então, mandou construir uma casa quadrada, a uns 300 metros do antigo Arraial do Bom Jesus, mandando pintá-la de ocre. Foi essa casa que ficou conhecida como Casa Amarela.

 

A ocupação dos morros da região começou no início do século XX, a partir do aluguel do chão feito por algumas famílias que eram grandes proprietárias de terras no local.

 

Casa Amarela já foi uma das localidades de maior densidade demográfica do Recife, porém, a partir de 1988, através da Lei municipal 14.452, que redefiniu as coordenadas geográficas e criou os atuais 94 bairros da cidade, o bairro perdeu as suas áreas de morro, com exceção do Alto Santa Isabel.

 

Foram desmembrados de Casa Amarela e transformados em bairros autônomos o Morro da Conceição, o Alto José Bonifácio e o Alto José do Pinho.

 

Casa Amarela tem hoje 1,85 quilômetro quadrado de área e fica situado na Zona Noroeste da cidade entre a Estrada do Encanamento e a Avenida Norte, vizinho aos bairros de Parnamirim, Casa Forte e Monteiro.

 

O bairro já possuiu dois cinemas o Rivoli e o Albatroz e uma feira livre bem maior que a de hoje, estendendo-se até a Estrada do Arraial.

 

A estrutura metálica do seu mercado público, um dos maiores e mais freqüentados da cidade, foi, inicialmente, montada na Av. Caxangá, sendo desmontada e remontada no largo da feira de Casa Amarela, na gestão do prefeito Francisco da Costa Maia (1928/1930) e inaugurado em 9 de novembro de 1930, com a presença do então interventor do Estado, Carlos de Lima Cavalcanti.

 

No pátio da feira livre já foram realizados grandes eventos políticos, principalmente na época das campanhas eleitorais.

 

 

Recife, 21 de julho de 2003.

(Atualizado em 25 de agosto de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

ALVES, Cleide. Casa Amarela. Jornal do Commercio, Recife, 16 fev. 2000. Cidades. p. 7.

 

BRAGA, João. Trilhas do Recife: guia turístico, histórico e cultural. [S. l. : s. n..], 2000. p. 148.

 

GALVÃO, Sebastião de Vasconcelos. Diccionário chorografico, histórico e estatístico de Pernambuco. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1908. p. 169.

 

GUERRA, Flávio. Velhas igrejas e subúrbios históricos. Recife: Prefeitura Municipal, [19--?]. p. 241-248.

 

PEREIRA DA COSTA, Francisco Augusto. Arredores do Recife. 2. ed. autônoma. Apresentação e organização de Leonardo Dantas Silva. Recife: Fundaj, Ed. Massangana, 2001. p. 34-39.

 

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

 

Fonte: GASPAR, Lúcia. Casa Amarela (bairro, Recife). Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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