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Parlendas

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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Veja também a Atividade Pedagógica Parlendas!

      São versos de cinco ou seis sílabas, recitados para entreter, acalmar e divertir crianças, escolher quem deve iniciar um jogo ou os que devem tomar parte numa brincadeira.

      São sempre rimas ou ditos educativos ou satíricos e não têm música.

      Em Portugal, as parlendas são chamadas de cantilenas ou lenga-lengas.Foram introduzidas no Brasil pelos portugueses, adquirindo no país roupas e cores novas, mais de acordo com o caráter nacional.

      As parlendas diferem dos acalantos, que são cantigas para fazer criança dormir; dos jogos, onde há sempre disputa e competição; das canções de roda; das advinhações ou advinhas (perguntas enigmáticas) ou supertições.

      Os brincos são as parlendas mais fáceis, ditas e recitadas pelos pais ou babás para entreter ou aquietar as crianças:

Marra-marra

Carneirinho

Marra-marra carneirinho



Palminha, palminha

Palminha de Guiné
Pra quando papai vier
Mamãe dá lá papinha

Vovó dá la cipó

Na bundinha do neném


Dedo mindinho
Seu vizinho
Maior de todos
Fura-bolos
Cata-piolho 
      
Segundo Luis da Câmara Cascudo, quando as parlendas se destinam a fixar ou ensinar algo às crianças (números ou idéias) são chamadas de mnemonias:

 

Um, dois, feijão com arroz.

Três, quatro, feijão no prato.

Cinco, seis, feijão pra nós três.

Sete oito, feijão com biscoito.

Nove, dez, feijão com pastéis.

 

        ou a versão

Um, dois, feijão com arroz,

Três, quatro, feijão no prato.

Cinco, seis, cala a boca Português.

Sete, oito vá comer biscoito.

Nove, dez vá lavar os pés

Na cachoeira nº10

Pra ganhar 500 réis.

      Outra parlenda mnemonia muito conhecida para ensinar a contar:

 

Una, duna, trina, catena

Bico de ema

Solá, soladá

Gurupi, gurupá

Conte bem que são dez!

 

      Na literatura oral a parlenda é um dos primeiros entendimentos da criança, permanecendo gravada na memória do adulto.

       Há parlendas que são de iniciativa da própria criança, utilizadas nas suas brincadeiras. Algumas das mais conhecidas:

Rei,
Capitão,

Soldado,
Ladrão

(contando os botões do casaco para ver com quem vai casar)

ou a versão

 

Casa

Não casa,

Casa,

Não casa....

 

Bem-me-quer,

Mal-me-quer, (desfolhando uma flor e pensando em alguém)

Bem-me-quer,

Mal-me-quer....

 

 

       Muito conhecidas também são as parlendas para pegar os tolos em armadilhas: pede-se para que a pessoa repita uma determinada expressão depois da última palavra dita, por exemplo “de sete facadas”.

                                               Eu ia por um caminho...

§        Caminho de sete facadas...

§        Encontrei um vaca...

§        Vaca de sete facadas...

§        Encontrei uma casa...

§        Casa de sete facadas...

§        Encontrei um morro...

§        Morro de sete facadas!

      Outro tipo de parlenda interessante no folclore brasileiro é a trava-línguas, que consiste num texto rimado ou não que é dificil de dizer:

 

Se o Papa papasse papa/ Se o Papa papasse pão/ O Papa tudo papava/ Seria o Papa papão

Aranha arranha a jarra/ a jarra arranha a aranha.

 

      Os ex-libris infantis também são uma outra forma de parlenda muito utilizada pelos estudantes para tentar evitar o ladrão de livros. Escreviam na ante-capa:

 

Quem pegar neste livro

Não causa admiração;

Mas quem com ele ficar

Não passa de um ladrão.

      A tradição oral das parlendas é transmitida de geração em geração, com variantes regionais. Infelizmente, hoje essa rica manifestação popular só sobrevive em algumas regiões rurais brasileiras e em alguns trabalhos de folcloristas que as catalogaram.

 

 

Recife, 9 de novembro de 2004.

(Atualizado em 4 de setembro de 2009).
Ilustrações de Rosinha.

 

 

 

 

FONTES CONSULTADAS:

 

CÂMARA CASCUDO, Luís da. Dicionário do folclore brasileiro. 3.ed. rev. e aum. Brasília, DF: INL, 1972. 2v.

MELO, Veríssimo de. Folclore infantil. Rio de Janeiro: Cátedra; Brasília, DF: INL, 1981.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. ParlendasPesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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