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Mestre Noza
Seg, 05 de Abril de 2010 13:44

 

Lúcia Gaspar

Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

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         Conhecido como Mestre Noza, Inocêncio Medeiros da Costa ou Inocêncio da Costa Nick, como ele dizia chamar-se, afirmando pertencer a essa família, nasceu em Taquaritinga do Norte, Pernambuco, provavelmente em setembro de 1897, uma vez que há controvérsias sobre a data do seu nascimento.

 

         Mudou-se para Juazeiro do Norte, no Ceará, em 1912, aonde chegou como romeiro, após caminhar cerca de 600km, desde o município de Quipapá, PE, local onde foi criado.

 

         Exerceu diversas atividades, entre as quais a de soldado de polícia, funcionário da estrada de ferro Rede Viação Cearense, funileiro.

 

         nozaA partir de 1930, tornou-se conhecido como artista popular, imaginário (escultor de imagens) e xilogravurista. Sua primeira escultura foi um São Sebastião e sua primeira xilogravura, uma capa de literatura de cordel encomendada por José Bernardo da Silva para ilustrar o folheto de José PachecoA propaganda de um matuto com um balaio de maxixe.

 

Entre as décadas de 1960 e 1970, foi membro do juizado de menores do Cine Eldorado, em Juazeiro, órgão que lhe possibilitou conseguir uma aposentadoria. Recebia também gratificações da Prefeitura de Juazeiro e do Governo do Estado do Ceará.

 

         No seu ateliê, localizado em um pequeno sobrado na Rua Santo Antonio, 265, em Juazeiro do Norte, Mestre Noza trabalhava com duas moças chamadasZefa (Josefa Francisca da Silva) e Loura (Íris Dália Medeiros) que o auxiliavam na confecção das imagens e também no artesanato de cabos de revólver em madeira.

 

Aproveitando a idéia de um amigo, resolveu esculpir uma imagem do Padre Cícero. Segundo ele, levou a peça para apreciação do próprio Padre, que achou graça e perguntou: “Eu sou assim?”. A partir daí fez milhares de imagens do Padim Cícero, por encomenda. Só para um comerciante do mercado de Juazeiro disse ter feito mais de duas mil imagens.

 

         O tamanho de suas esculturas varia de 15cm até 70cm. Usava preferencialmente a madeira da imburana (árvore comum na região de caatinga) e seus instrumentos de trabalho resumiam-se em canivetes, serras, machadinhas, formões, limas e duas furadeiras.

 

         Contava muitas histórias e uma delas é que por pouco não havia entrado para o bando de Lampião, numa de suas passagens pela cidade. Não o fez por medo do que pudesse acontecer com o seu futuro, mas chegou a tomar umacervejinha junto com o pessoal de Virgolino Ferreira da Silva.

 

         Em 1963, Sérvulo Esmeraldo, um artista do Crato, lhe deu uma série de gravuras da Via Sacra e lhe encomendou as matrizes em madeira. Ficou muito satisfeito com o resultado do trabalho de Mestre Noza e resolveu levá-las para a França, numa viagem que fez em 1965. Conseguiu produzir uma edição especial, com apenas 22 exemplares impressos à mão e lançá-la em Paris.  Osucesso foi tanto que foi feita uma nova edição de mil exemplares, que também se esgotou rapidamente.

 

A partir daí, as encomendas para o Mestre Noza aumentaram muito e o artista passou a ser objeto de estudo em várias universidades, inclusive européias.

 

Participou de diversas exposições com obras de escultura e xilogravura no Crato, no Recife, no Rio de Janeiro e em Paris.

 

É autor também de alguns rótulos de cachaça e foi sempre considerado o grande artista popular do Cariri.

Suas obras mais conhecidas são a Via Sacra, uma coleção de 15 gravuras, cuja primeira edição foi publicada em Paris (1965), pelo editor Robert Morel, com apresentação de Sérvulo Esmeraldo; Os doze apóstolos (13 pranchas) e A vida de Lampião (22 pranchas).

         É autor de inúmeras xilogravuras para ilustrar capas de folhetos de cordel, além de milhares de estatuetas do Padre Cícero e de diversos santos, espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Segundo ele, em matéria de imagens, além do Padre Cícero, gostava muito de fazer as de São Francisco e Santo Antônio.

         Doente, Mestre Noza foi morar em São Paulo, onde faleceu no dia 21 de dezembro de 1983, vítima de uma parada cárdio-respiratória.

         Em 1997, a Fundação Memorial Padre Cícero, de Juazeiro do Norte, fez uma homenagem ao artista organizando o evento100 anos de Noza.

Recife,  14 de junho de 2007.

(Atualizado em 31 de agosto de 2009).

 

FONTES CONSULTADAS:

 

AYALA, Walmir (Coord.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília, D.F.: INL, 1977. v.3, p. 268-269.

CASIMIRO, Renato. Mestre Noza. Recife: Fundaj, Instituto de Pesquisas Sociais, Coordenadoria de  Estudos Folclóricos, 2001. 12 p. (Folclore, 284).

 

COIMBRA, Silvia Rodrigues; MARTINS, Flavia; DUARTE, Maria Letícia. O reinado da lua: escultores populares do nordeste. Rio de Janeiro: Salamandra, 1980. p. 228-229.

 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Mestre Noza. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 

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