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Santa Cruz Futebol Clube

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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Santa Cruz! Santa Cruz!
Junta mais esta vitória
Santa Cruz! Santa Cruz!
Ao teu passado de glória.
(Música O Mais Querido, composta por Capiba)

Criado no dia 3 de fevereiro de 1914, o Santa Cruz Futebol Clube foi idealizado por um grupo de garotos que jogava futebol na calçada da Igreja de Santa Cruz, localizada no bairro da Boa Vista, no Recife. O nome do time é uma alusão ao local onde tudo começou.

Sua primeira diretoria ficou assim constituída:

• Presidente: José Luiz Vieira.
• Vice-presidente: Quintino Miranda Paes Barreto.
• 1º Secretário: Luiz Gonzaga Uchoa Barbalho.
• 2º Secretário: Augusto Dornelas Câmara.
• Tesoureiro: Augusto Franklin Ramos.
• Diretor de Esportes: Orlando Dias dos Santos.

O primeiro jogo do Santa Cruz foi contra o Rio Negro, realizado  na campina do Derby, local onde hoje está situado o campo de futebol da Polícia Militar de Pernambuco. O time era formado por: Waldemar Monteiro; Abelardo Costa e Humberto Barreto; Raimundo Diniz, Osvaldo Ramos e José Bonfim; Quintino Miranda, Sílvio Machado, José Vieira, Augusto Ramos e Osvaldo Ferreira.

O Rio Negro foi goleado por 7 x 0. Solicitou uma revanche impondo diversas condições ao Santa, que as aceitou, voltando a aplicar uma derrota ainda maior ao adversário pelo placar de 9 x 0.

Originalmente alvinegro, o Santa como é mais conhecido, teve que alterar suas cores logo no ano seguinte, em 1915, quando se filiou a Liga Sportiva Pernambucana (LSP), atual Federação Pernambucana de Futebol (FPF). O Esporte Clube Flamengo, criado em 20 de abril de 1914, também tinha como cores oficiais o preto e branco e não quis abrir mão. Como nenhum dos dois queria ceder, foi realizado um sorteio, estipulando-se que quem perdesse mudaria as cores. O Santa perdeu e teve que mudar, passando a ser tricolor, acrescentando o vermelho ao uniforme.

O primeiro escudo do Santa Cruz foi criado, em 1915, por Teófilo B. de Carvalho, um atacante do time, mais conhecido como Lacraia. O atual foi redesenhado: na parte de cima, foram acrescentadas três estrelas comemorativas ao Tri-Super Campeonato (1957, 1976 e 1983); na parte inferior, cinco estrelas representando o Penta Campeonato Pernambucano (1969 a 1973), além do ano de 1914 (criação do clube).

O Santa foi o único time a participar de todos os campeonatos pernambucanos, desde 1915. O Náutico e o Sport só iniciaram sua participação, em 1916.

Em 1917, o Santa Cruz foi um dos atores da maior “virada” do futebol pernambucano, em jogo contra o América, válido pelo campeonato, realizado no campo dos Aflitos. No início do segundo tempo, o Santa perdia por 5 x 0. Depois da troca de posição do jogador Pitota com o ponta-direita Anísio, o time do Santa Cruz conseguiu, em quinze minutos, reverter o placar para 7x5.

Jogando pelo Santa desde o dia 25 de julho de 1914, Alcindo Wanderley, conhecido como Pitota, foi o primeiro ídolo do futebol pernambucano.

No dia 30 de janeiro de 1919, outra grande façanha do tricolor pernambucano. Conseguiu vencer o Botafogo, do Rio de Janeiro, pelo placar de 3x2. Foi a primeira vitória de um time do Nordeste sobre um do Sul do país.  A vinda do Botafogo foi promovida pelo Sport Club do Recife, para a inauguração da arquibancada de madeira no seu estádio da Avenida Malaquias.

A equipe do Santa jogou com Ilo Just; Jorge e Bebé; Zé de Castro, Teófilo e Manoel Pedro; Nequinho, Miranda, Tiano, Pitota e Eurico.

Desde aquela época, o Santa teve no seu elenco vários jogadores de talento como Pitota, Tiano, Tará, Zequinha, Eloi de Paula, Aldemar, Paraíba, Faustino, Rudimar, Minuca, Gildo, Huimaitá, Mário Pelé, Lua, Joãozinho, Terto, Fernando Santana, Erb, Zé Carlos, Nunes, Neinha, Ramon, Luciano, Givanildo Oliveira, Ricardo Rocha, Rinaldo, Baiano, Marlon, Marco Antonio, Lula, Zé do Carmo, Rivaldo, Válber entre outros.

Primeiro campeão do Torneio Início, em 1919, ganhou também a competição nos anos de 1926, 1937, 1939, 1946-1947, 1954, 1956, 1969, 1971-1972 e 1976.

Em 1931, após alguns títulos de vice-campeão, o Santa Cruz conseguiu conquistar pela primeira vez o título de campeão pernambucano, obtendo em seguida o tri-campeonato (1931-1933). O time de 1931 era composto por: Dadá; Sherlock e Fernando; Doía, Julinho e Zezé; Aloísio, Neves, Tará, Lauro e Estevão.

Desde a década de 1940, o Santa havia conseguido alugar um terreno no bairro de Beberibe para sua sede. Em 1954, o então prefeito do Recife, José do Rego Maciel concedeu a posse definitiva do terreno ao Clube. Com uma grande mobilização da torcida, campanhas, participação de investidores, a venda de cadeiras e títulos patrimonias, começou a ser construído, em 1965, o que é hoje o segundo maior estádio particular do Brasil, o José do Rego Maciel, conhecido como o Colosso do Arruda, com capacidade para 60.000 espectadores, inaugurado no dia 4 de junho de 1966.

Em 1957, contra o time do Sport Club do Recife, o Santa Cruz conquistou um dos seus títulos mais importantes, o supercampeonato, após um jejum de dez  anos. Na mesma década, conseguiu ainda um outro campeonato, em 1959.

Os anos de 1970 foram de glória para o time do Arruda: ganhou o pentacampeonato de 1969 a 1973 e ainda os títulos de 1976, 1978 e 1979, ou seja, sete títulos de dez disputados. A frustração ficou por conta de não ter conseguido o hexacampeonato, em 1974, desbancando o título inédito do Náutico.

De 1931 a 2010, o Santa Cruz conquistou 24 títulos de campeão pernambucano de futebol, nos seguintes anos: 1931-1933, 1935, 1940, 1946-1947, 1957 (supercampeão), 1959, 1969-1973 (pentacampeão), 1976, 1978-1979, 1983, 1986-1987, 1990, 1993, 1995, 2005.

Seus jogos contra o Sport são chamados de Clássicos das Multidões, contra o Náutico Clássicos das Emoções, e contra o América de Clássicos da Amizade.

Com uma estimativa de mais de um milhão de torcedores é o time que possui a maior torcida em Pernambuco.

Segue, abaixo, o hino oficial do Santa Cruz Futebol Clube  composto pelos Irmãos Valença, em 1952.

HINO

Nos anais, nos calendários
Fiquem sempre por lembrança
Teus lauréis extraordinários
De bravura e de pujança
Nos esportes tua história
É orgulho a que faz jus
Este símbolo de glória
Que é teu nome Santa Cruz

Uma voz proclama e canta
É a voz das multidões
Santa Cruz, querido Santa!
Campeão dos campeões

Esta multidão tamanha
Gente pobre que te aclama
Lembra o ouro que se apanha
Nos cascalhos e na lama
Esse ouro é sangue, é vida
É delírio, raça, e amor
A bandeira tão querida
A bandeira tricolor.

Em 1957, Capiba compôs a música O Mais Querido que a torcida adotou como hino e hoje é mais conhecida e famosa do que o hino oficial do clube.

O MAIS QUERIDO

Santa Cruz! Santa Cruz!
Junta mais esta vitória
Santa Cruz! Santa Cruz!
Ao teu passado de glória.

És o querido do povo
O terror do Nordeste no gramado
Tuas vitórias de hoje
Nos lembram vitórias do passado
Clube querido da multidão
Tu és o Supercampeão!

Recife, 7 de dezembro de 2010.

FONTES CONSULTADAS:

ALVES, Givanildo. História do futebol pernambucano (1903/1950). Recife: Governo de Pernambuco, Secretaria de Educação e Cultura, 1978.

ENCICLIOPÉDIA DOS CAMPEONATOS PERNAMBUCANOS DE FUTEBOL. Recife: Folha da Manhã, 1955.

FERREIRA, José Maria. História dos campeonatos: memória do futebol pernambucano (1915 a 2007). Recife: CEPE, 2007.

HINO oficial do Santa Cruz Futebol Clube. Disponível em: <http://www.coralnet.com.br/conteudo_santa_cruz_o_clube.asp?id=378>. Acesso em: 7 dez. 2010.

A HISTÓRIA ilustrada do futebol brasileiro. [S.l.]: Edobras, [1968?]. v. 2.

SANTA Cruz Futebol Clube. Dsiponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Cruz_Futebol_Clube#Hist.C3.B3ria>. Acesso em: 7 dez. 2010.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

GASPAR, Lúcia. Santa Cruz Futebol Clube. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

 
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