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Agremiações Carnavalescas de Pernambuco: Clubes de Bonecos
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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[...] Os Gigantes olindenses [...] são autênticos foliões, risonhos, debochados, brincalhões, dançarinos e gozadores natos que alegram os adultos e enternecem as crianças, que se casam e têm filhos igualmente dançarinos e gozadores. [...]
Bonald Neto, Os gigantes foliões em Pernambuco, 2007, p. 203.
Conhecidos desde a Idade Média na Europa, os Bonecos Gigantes chegaram ao Brasil pela mão dos colonizadores portugueses. Os seus ancestrais no País tiveram caráter religioso, representando imagens de santos vindos de Portugal, presentes em festas e procissões.

Apesar do primeiro boneco gigante em Pernambuco ter surgido na cidade sertaneja de Belém do São Francisco, foi em Olinda que eles se desenvolveram e proliferaram, tornando-se uma das mais conhecidas tradições do Carnaval do Estado. 

O primeiro boneco olindense – inspirado na figura de um antigo vendedor de raízes e couros – foi o velho Cariri, criado pela Troça Carnavalesca Mista Cariri, em 15 de fevereiro de 1921, no Varadouro.

No dia 2 de fevereiro de 1932, O Homem da Meia-Noite, desbancou o velho Cariri, tornando-se o primeiro boneco gigante da Região Metropolitana do Recife e o mais famoso deles até hoje.

De uma maneira geral, os bonecos faziam parte de troças e clubes carnavalescos, como por exemplo, a Troça Carnavalesca Mista A Turma da Jaqueira Segurando o Talo, criada em 1984, por um grupo de motoristas da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que desfila com vários bonecos gigantes, cujo principal é o que representa Gilberto Freyre.  

Muitos bonecos gigantes aparecem nas prévias carnavalescas e no período de Momo só como componentes de troças. A partir da década de 1970, começou a aparecer outra categoria, entre as agremiações carnavalescas, o Clube de Boneco, onde a principal alegoria é o próprio boneco. Não trazem bandeira ou estandarte. Desfilam acompanhados por uma orquestra de metais, ao som de frevos de rua, arrastando foliões durante o Carnaval.

Normalmente vestem fantasias ou estão caracterizados como os personagens que representam. Alguns colocam uma faixa atravessada no corpo, com o nome do clube ou do personagem, e saem às ruas dançando e reverenciando pessoas e espaços ilustres, fazendo uma curvatura no corpo quando os encontram. 

Quando participam de concursos carnavalescos, os clubes de bonecos incorporam ao seu desfile, passistas, representantes da diretoria, destaques, cordões, algumas alas, além de fantasias improvisadas.

Segundo o pesquisador Bonald Neto (2007, p. 152), de acordo com informações do bonequeiro Sílvio Botelho, existiam 142 bonecos gigantes arrastando foliões no Carnaval de Pernambuco em 2007.

Entre os Clubes de Bonecos existentes em Pernambuco, podem ser destacados os seguintes:

O Comelão
Foi fundado no dia 26 de janeiro de 1997, no bairro recifense da Bomba do Hemetério. Seu boneco símbolo tem três metros de altura, nas cores amarela e azul e apresenta-se com uma colher e um garfo.
 
O Garoto da Ilha do Maruim
Criado no dia 7 de setembro de 1990, por um grupo de amigos e alguns pescadores que se encontravam para jogar futebol na Ilha do Maruim, em Olinda. O Clube é representado por um boneco gigante com a fisionomia de um menino, nas cores azul e branca.

Seu Malaquias 
Nasceu como uma troça, nos anos 1940 em Carpina, município  localizado na Zona da Mata Norte pernambucana. Em 1959, a Troça transferiu-se com o seu criador, Seu Maracujá (Antônio Ramos de Oliveira) para o bairro de Águas Compridas, em Olinda. Em 1977, passou de troça para a categoria de Clube de Bonecos. O boneco símbolo da agremiação, Seu Malaquias, tem como cores oficiais o vermelho e o branco.

Linguarudo de Ouro Preto
Foi criado no dia 1º de maio de 1983, como uma troça carnavalesca mista, para animar as ruas do bairro de Ouro Preto, em Olinda. Conhecido como O Linguarudo, o boneco símbolo tem a língua para fora da boca e tem como cores oficiais o azul e o branco. 

O Sapateiro
Foi fundado no dia 8 de novembro de 2005, no bairro recifense da Imbiribeira, como uma homenagem ao Seu Berilo, sapateiro de profissão e como reconhecimento pelo seu trabalho no Centro de Artes Salinas, voltado para crianças, adolescentes e idosos da comunidade. O boneco representa a figura de Seu Berilo e a profissão de sapateiro é representada pelos cordões, cujos componentes trazem imagens de sapatos nos adereços de mão. 

Tadeu no Frevo
Surgiu como troça no dia 23 de julho de 1986, criado por integrantes da quadrilha junina Tadeu na Roça, no município de  Abreu e Lima. Em 1991, passou de troça para a categoria de Clube de Boneco. Seu símbolo é um boneco gigante, com cerca de 3,5 metros de altura, cujas cores oficias são o verde e o preto. 

Tô a Fim 
Foi fundado no dia 7 de setembro de 1990, por um grupo de amigos numa manhã de sol no Clube Lenhadores, localizado no bairro recifense da Mustardinha. Apesar de fundado naquele bairro, sua sede fica atualmente no bairro do Pina. O símbolo do Clube é uma maçã mordida e um dedo apontado para ela. A ideia é representar o pecado e a luxúria, como sugere o seu nome. O boneco gigante da agremiação carrega em suas cores oficiais, o vermelho, o azul e o branco.

Recife, 23 de janeiro de 2013.

FONTES CONSULTADAS:

BONALD NETO, Olímpio. Os gigantes foliões em Pernambuco. 2.ed. - Recife: CEPE, 2007.

CATÁLOGO de agremiações carnavalescas do Recife e Região Metropolitana. Recife: Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco; Prefeitura do Recife, 2009.

CLUBE de Bonecos. Disponível em:  <http://www.recife.pe.gov.br/fccr/cadastro/generico_26.php>. Acesso em: 24 jan. 2013.

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Agremiações carnavalescas de Pernambuco: clubes de bonecos. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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