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Agremiações Carnavalescas do Recife e Olinda: Clubes de Frevo
Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
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[...] No Recife, a partir de 1880, década em que foi abolida a escravidão e proclamada a República no Brasil, multiplicou-se o número de agremiações carnavalescas populares nas ruas, formadas por trabalhadores urbanos, artífices e artesãos, operários, caixeiros, feirantes, domésticos. Quando se apresentavam em público, arrastavam toda sorte de gente: desocupados, vadios, moleques de rua, capoeiras. Dentre os clubes carnavalescos pedestres, predominavam aqueles que se faziam acompanhar pelas bandas de música ou orquestras de metais que executavam as vibrantes marchas carnavalescas, mais tarde conhecidas por marchas pernambucanas e, finalmente, por frevo: Caiadores, Caninha Verde, Vassourinhas, Pás, Lenhadores, Vasculhadores, Espanadores, Ciscadores, Ferreiros, Empalhadores do Feitosa, Suineiros da Matinha, Engomadeiras, Parteiras de São José, Cigarreiras Revoltosas, Verdureiros em Greve, em meio a tantos outros. No vaivém dos clubes e troças, nasceram o frevo e o passo pernambucanos. No início do século XXI, convencionou-se que o frevo nasceu em 1907, ano em que foi encontrado o primeiro registro da palavra frevo em um jornal local, o Jornal Pequeno, na edição de 9 de fevereiro de 1907. [...]
Rita de Cássia Barbosa de Araújo, Carnaval no Nordeste do Brasil, 2009.

Conhecido como plural e multicultural, o Carnaval de Pernambuco – apesar de variadas manifestações em todo o Estado – tem seus pontos altos nas cidades do Recife e na vizinha Olinda. Nessas manifestações populares e culturais estão presentes as cores, danças e músicas das três raças que deram origem ao povo brasileiro: o negro, o branco e o índio.

Há uma diversidade enorme de agremiações carnavalesca que, antes, durante e até depois do Carnaval fazem a alegria dos foliões. Entre elas podem ser destacados os clubes de frevo, as troças, os blocos, os clubes de bonecos, os maracatus (nação ou de baque virado e de baque solto ou rural), os caboclinhos, as tribos de índios, os bois de carnaval, os ursos (La ursa), as escolas de samba e os afoxés.

Originários de corporações profissionais existentes na cidade do Recife no final do século XIX, os clubes de frevo hoje são compostos por outras classes sociais, contando sempre com uma grande participação popular. Diferentemente das troças seus desfiles acontecem à noite.

Da sua antiga organização ainda conservam o estandarte e algumas figuras como o Morcego, a Morte e o Diabo. Os antigos Capoeiras, conhecidos como brabos ou valentões, foram substituídos pelos passistas e as bandas militares pelas orquestras de metais. Sua formação geralmente se apresenta com um abre-alas (ou uma faixa), balizas, damas de frente, vestidas com veludo, seda e lamê, representantes da diretoria, destaques, cordões, porta-estandarte, passistas, orquestras e, em alguns casos, carros alegóricos. 

Para os organizadores dos clubes de frevo, o estandarte é o item decorativo que requer mais cuidados e capricho por parte da agremiação. É a bandeira que a representa.  Quanto mais antigo e duradouro melhor.  Por isso alguns são bordados com fios de ouro.

As orquestras dos clubes de frevo precisam de uma verdadeira banda de música para a execução do frevo de rua, cuja linha melódica é a responsável pela coreografia do passo e pela movimentação dos foliões. São elas que divulgam o frevo pelas ruas da cidade e contribuem para a animação do Carnaval. 

Atualmente existem, entre outros, os seguintes clubes de frevo carnavalescos mistos no Recife e em Olinda, alguns bastante antigos, fundados no final do século XIX e ainda em atividade:

Bola de Ouro
Fundado no dia 15 de setembro de 1915, na Rua da Bola, em Santo Amaro. Atualmente, sua sede fica no bairro de São José. Tem como símbolo uma bola dourada e suas cores oficiais são o amarelo e o preto.

Girafa em Folia 
Criado como Troça (uma agremiação carnavalesca menor, que sai durante o dia) em 7 de maio de 1960, no bairro de Guadalupe, em Olinda, hoje sua sede está localizada em Areias, no Recife. Seu símbolo é uma girafa, que aparece no estandarte da agremiação rodeada de confete e serpentina. Suas cores oficiais são as mesmas da girafa, o amarelo e o preto. 

Lenhadores
Fundado no dia 5 de março de 1897, da dissidência de um grupo do Clube das Pás, tendo como primeira sede o bairro da Boa Vista (Rua da Glória). Atualmente, sua sede fica na Mustardinha. Tem como símbolo dois machados entrecruzados e suas cores oficiais são o verde, o vermelho e o branco.

Pás Douradas
Criado no dia 19 de março de 1888, como Bloco das Pás de Carvão, por um grupo de carvoeiros do Porto do Recife. Em 1890, mudou o nome para Clube Carnavalesco Misto Pás Douradas. Sua sede fica localizada no bairro de Campo Grande e tem como símbolo pás de carvão amarelas ou douradas. O verde, o amarelo e o vermelho são suas cores oficiais. 

Vassourinhas
Fundado no bairro de São José, no Recife, em 6 de janeiro de 1889. Tem como símbolo uma vassoura e suas cores oficiais são o amarelo, o azul e o branco. Com sede própria, funciona hoje no bairro de Afogados. A música Marcha nº 1 de Vassourinhas é uma das mais tocadas no Carnaval de Pernambuco.

Pavão Misterioso 
Fundado no dia 25 de maio de 1975, no bairro de Peixinhos, em Olinda, como uma Troça carnavalesca, tornou-se Clube em 1989. Seu nome teve origem na música e novela Pavão Misterioso, grande sucesso na época. Seu símbolo é um pavão e suas cores oficiais o rosa, o amarelo e o vermelho. Em 1990, a sede do clube foi transferida para o bairro do Ibura.
Clube de Máscara O Galo da Madrugada foi criado no dia 24 de janeiro de 1978, no bairro de São José (Rua Padre Floriano, 43), por um grupo de amigos capitaneado pelo carnavalesco Enéas Freire. Seu símbolo é um galo que renova o visual a cada ano e não possui cores oficiais.

Maracangalha 
Fundado no dia 6 de setembro de 1958, no bairro da Torre, Recife, como uma Troça chamada de Agripina. Em 2000, devido ao seu crescimento e sucesso, mudou para a categoria de Clube passando a ser Clube Carnavalesco Misto Maracangalha, cujas cores oficiais são o amarelo e o vermelho. Seu símbolo, exibido no estandarte, é uma mulher numa praia semelhante a de Maracangalha, no litoral baiano.

Arrasta Tudo 
Fundado em 8 de março de 1937, no bairro recifense de Beberibe,  tem sua origem na Troça Meninas de Ouro, que desfilava pelo bairro em 1936, arrecadando dinheiro dos moradores para  custear a bebida e a comida durante o período de Momo. Seu símbolo são dois ciscadores, instrumento de limpeza que serve para arrastar folhas e outros detritos. Dez anos depois de criada, em 1947, a Troça passou para a categoria de Clube. Suas cores oficiais são o azul e o branco.

Transporte em Folia 
Fundado como Troça em 20 de setembro de 1936, tem seu estandarte nas cores verde, vermelha e amarela, com o desenho de um caminhão carregado de açúcar no centro. Na década de 1980, passou para a categoria de clube de frevo. Sua sede fica no bairro recifense de Afogados.

Reizado Imperial [grafia da época]
Também foi fundado como Troça Carnavalesca, em 11 de janeiro de 1951, na Bomba do Hemetério, bairro de Água Fria, no Recife. Seu estandarte tem como símbolo um rei, que representa o personagem principal do Reisado. Suas cores oficiais são o vermelho, o amarelo e o azul. Em 1987, passou para a categoria de clube de frevo. 

Pão Duro 
Fundado no dia 16 de março de 1916, como troça Carnavalesca, por um grupo de rapazes no bairro do Pina. No Carnaval de 1917, desfilou com seu primeiro estandarte confeccionado com lona, pintado em vermelho e verde, tendo no centro o escudo de armas de Pernambuco e dois anjos ladeando um pão. Em 1993, ascendeu à categoria de clube de frevo, mantendo seu símbolo e suas cores.

Mesmo com as dificuldades para conseguir verba para os desfiles carnavalescos, existem cerca de cinquenta clubes de frevo que participam dos carnavais das cidades do Recife e de Olinda. Mais de 25 deles são filiados à Federação Carnavalesca Pernambucana. 

FONTES CONSULTADAS:

ALMEIDA, Verônica. Entre lágrimas e a cara beleza. Jornal do Commercio, Recife, 20 jan. 2013. Cidades, p. 4

ALVES, Leda. Carnaval não é brincadeira. In: CATÁLOGO de agremiações carnavalescas do Recife e Região Metropolitana. Recife: Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco; Prefeitura do Recife, 2009.  p. 11.

ARAÚJO, Rita de Cássia Barbosa de. Carnaval no Nordeste do Brasil, 2009.  Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: 18 jan. 2012.

ARAÚJO, Rita de Cássia Barbosa de. Festas: máscaras do tempo: Entrudo, mascarada e frevo no Carnaval do Recife. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1996.

BANHOLZER, Marília. Clubes de Frevo: orgulho em portar o estandarte, 2010. Disponível em: <http://ne10.uol.com.br/canal/carnaval-2010/noticia/2010/02/08/clubes-de-frevo-orgulho-em-portar-o-estandarte-213433.php>. Acesso em: 21 jan. 2012.

CATÁLOGO de agremiações carnavalescas do Recife e Região Metropolitana. Recife:  Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco; Prefeitura do Recife, 2009.  

SILVA, Leonardo Dantas (Org.). Blocos carnavalescos do Recife: origens e repertório. Recife: Governo do Estado de Pernambuco, Secretaria de Trabalho e Ação Social, Fundo de Trabalho ao Trabalhador, 1998. 

COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: GASPAR, Lúcia. Agremiações carnavalescas do Recife e Olinda: clubes de frevo. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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