Home
Boi de Máscaras de São Caetano de Odivelas
Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Conhecida como a terra do caranguejo e de boas pescarias, a cidade de São Caetano de Odivelas, localizada no nordeste paraense a pouco mais de 100 km da capital, Belém, abriga uma manifestação cultural única: o boi de máscaras, também conhecido como boi-tinga, em referência ao grupo de boi de mesmo nome.

A brincadeira do boi de máscaras, segundo os moradores locais, tem início na década de 1930 com a criação de dois grupos de boi, o Boi Faceiro e o Boi Tinga. O primeiro, um pouco mais antigo, teria no princípio as características do Boi-Bumbá, sendo posteriormente influenciado pelo segundo que, desde o princípio, não segue a estrutura narrativa do auto do boi. Além disso, o uso de máscaras vem desde a sua fundação por pescadores que, para não serem reconhecidos, utilizavam-nas como disfarce. Daí o nome da brincadeira.

Além do boi, que não é obrigatoriamente a figura principal, outros personagens fazem parte da brincadeira. Pierrôs, cabeçudos, buchudos, vaqueiros e outros animais integram o folguedo. O pierrô, figura comum no carnaval de Veneza, utiliza máscara com nariz proeminente, macacão e adornos de cabeça. Os cabeçudos, ou preás, são personagens com cabeças enormes, desproporcionais ao corpo. A máscara do cabeçudo, feita de papel machê, encobre o brincante, vestido de terno preto ou azul, até a cintura. Da cabeça saem mãos e braços de mentira. Já os buchudos não têm indumentária específica e podem ser diversos seres — dinossauros, zebras, fadas ou bruxas —, desde que sejam engraçados. Além do uso das máscaras, o que difere o boi de São Caetano de Odivelas de outras brincadeiras de boi, é o fato de ele ser quadrúpede — dois brincantes, chamados de tripas, lhe dão vida — e de não haver enredo pré-estabelecido. No boi de máscaras não há ensaio ou competições. O folguedo é marcado pela espontaneidade, ludicidade e improvisação.

A folia do boi de máscaras tem início uma semana antes do calendário oficial de comemorações juninas com o “carteado”, quando os organizadores da brincadeira entregam uma carta nas casas da cidade requerendo a autorização para a apresentação. Ao permitir, o dono da casa terá seu endereço incluído no roteiro do boi e assumirá o pagamento de um valor em dinheiro pela performance que ocorrerá em frente ao seu domicílio. Essas doações e as dos próprios brincantes custeiam parte dos gastos com a orquestra e mantêm viva a brincadeira. Alguns grupos, a fim de angariar recursos e garantir a sobrevivência do folguedo, vêm agendando apresentações no mês de junho em outros municípios (ALMEIDA; SANTOS, 2012). Embora tradicionalmente o período da brincadeira seja o mês de junho, nos últimos anos os bois começaram a sair também no carnaval.

Existem atualmente vários bois, os mais famosos são o Mascote e os já citados Tinga e Faceiro. Os foliões escolhem o boi preferido para se apresentar na porta de casa, que é enfeitada para recebê-lo. A visita do boi é tão esperada que comidas são preparadas e todos se vestem com suas roupas mais bonitas. A itinerância e as apresentações dos bois geralmente têm início às 16 horas, encerrando-se por volta das 23 horas. De acordo com os moradores locais, antigamente não havia hora para terminar (ALMEIDA; SANTOS, 2012).

À frente do cortejo tem-se o Boi de Máscaras propriamente dito, composto por pierrôs, cabeçudos, buchudos, vaqueiros, bichos e boi. Chegando à casa, já encontra a orquestra que executa as músicas para sua evolução. Ao redor, dispostos de frente para a casa, fica a população que acompanha o cortejo de foliões. No intervalo de uma música para outra, ocorre a luta simbólica do vaqueiro com o boi, cabeçudos com cabeçudos executam movimentos com coreografia própria e o pierrô corteja as moças solteiras que assistem à exibição. Tocada a última música, o Boi se despede e segue rumo a outra casa ou rua “carteada”, dando sequência à brincadeira. (ALMEIDA; SANTOS, 2012, p. 132)

Arrastando foliões e brincantes ao som de marchinhas e sambas, ao fim do trajeto, o boi foge.

Recife, 28 de maio de 2014.

FONTES CONSULTADAS:

ALMEIDA, Ivone Maria Xavier de Amorim; SANTOS, Jorge Luiz Oliveira dos. É dia de folia: o folguedo do Boi de Máscara em São Caetano de Odivelas/PA. Revista de Ciências Sociais, Fortaleza, v. 43, n. 2, p. 117-136, jul./dez. 2012. Disponível em:
<http://www.rcs.ufc.br/edicoes/v43n2/rcs_v43n2a9.pdf>. Acesso em: 24 maio 2014.

BOI dança em São Caetano de Odivelas. Diário do Pará, Belém. Disponível em:
<http://www.diariodopara.com.br/impressao.php?idnot=151392>. Acesso em: 24 maio 2014. 

SILVA, Silvia Sueli Santos da. Tradição e contemporaneidade: o corpo e os processos de aprendizagem na dança do Boi de São Caetano de Odivelas. Ensaio Geral, Belém, v. 1, n. 2, jul./dez. 2009. Disponível em:
<http://www.revistaeletronica.ufpa.br/index.php/ensaio_
geral/article/viewFile/171/96
>. Acesso em: 24 maio 2014.  

SÃO Caetano evoca a tradição dos bois no carnaval da cidade. Agência Pará de Notícias, Belém. Disponível em:
<http://www.pa.gov.br/noticia_interna.asp?id_ver=93900>. Acesso em: 24 maio 2014.
  
COMO CITAR ESTE TEXTO:

Fonte: MORIM, Júlia. Boi de Máscaras de São Caetano de Odivelas. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

Busca "Palavra-chave"

Busca "A a Z"


Copyright © 2018 Fundação Joaquim Nabuco. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido pela Fundação Joaquim Nabuco