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Verequete
Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
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Chama Verequete, ê, ê, ê, ê / Chama Verequete, ô, ô, ô, ô
Chama Verequete / Chama Verequete...
Chama Verequete, oh! Verê / Oi, chama Verequete, oh! Verê
 (Chama Verequete)

O ponto cantado no terreiro de Mina dos subúrbios de Belém deu origem ao apelido de Augusto Gomes Rodrigues, cantor e compositor nascido em 1916, em Quatipuru, na região bragantina, no Pará: Verequete. Mestre Verequete, como era chamado, foi um dos responsáveis pela popularização e difusão do carimbó, ritmo e dança paraense, que ganhou projeção nacional nas décadas de 1970 e 1980.

Órfão de mãe aos três anos de idade, desde a infância foi influenciado pelas manifestações culturais amazônicas, pois seu pai, Antônio José Rodrigues, era “dono” de pássaro junino e boi-bumbá. Mudou-se aos dezessete anos para o município de Capanema. Na década de 1940, se estabeleceu em Icoaraci, distrito de Belém, onde fundou o Pássaro Guará e o Boi Pai da Malhada, mantendo a tradição familiar. Analfabeto, trabalhou como foguista, ajudante de capataz na Base Aérea de Belém, ajudante de agrimensor, açougueiro. 

Na década de 1970, chamava grupos de carimbó do interior para animar as festas juninas que organizava. Certa vez, na falta de um grupo, decidiu compor o seu próprio, o Grupo Uirapuru do Verequete, que depois veio a se chamar Uirapuru da Amazônia. O ano de 1971 marcou a gravação de seu primeiro disco em conjunto com o grupo: Uirapuru da Amazônia — o legítimo carimbó. Segundo o mestre, este teria sido o primeiro registro fonográfico de carimbó lançado por uma gravadora.

O artista ganhou visibilidade e se apresentou em diversos estados. Entretanto, na década de 1980, dissolveu o grupo porque achou que estava sendo enganado, retornando à ativa apenas em 1994. Neste intervalo, vendeu churrasquinho na frente da vila onde morava.

Concebido como um estilo mais “tradicional”, o carimbó de Verequete era o chamado “de pau e corda” ou “carimbó de raiz”, pois não fazia uso de guitarras. Grande divulgador do ritmo, o mestre compôs cerca de duas centenas de músicas, entre elas os sucessos O carimbó não morreu, Xô, peru, Morena penteia o cabelo e Chama Verequete, este último um ponto utilizado nas Casas de Mina reinterpretado por ele ao som de instrumentos do carimbó. Ao longo de sua vida artística, gravou  dez discos e quatro CDs.

Casado por duas vezes foi pai de cinco filhos — quatro, do primeiro casamento, e uma filha do segundo, com Josenilda Pinheiro da Silva, conhecida como Dona Cenira. Teve vinte e dois netos e catorze bisnetos. Em 2003, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Desde então sobrevivia com pequena pensão e com o apoio de uma farmácia que lhe concedia medicamentos. Dos recursos oriundos de direitos autorais, pouco recebeu.

Ainda em vida, foi homenageado pelo projeto “Verequete — o Rei do Carimbó”, o qual promoveu shows e a produção de CDs (remasterização e reprodução de músicas contidas nos discos em vinil lançados por Verequete até 1995) e de um livro. Também foi personagem do curta-metragem “Chama Verequete”, de 2002, dirigido por Luiz Arnaldo Campos e Rogério José Parreira.

Ícone da cultura popular paraense, recebeu, em 2006, das mãos do Presidente Lula, o título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural, concedido pelo Ministério da Cultura. 

Verequete faleceu em 2009, em Belém. Seu legado permanece vivo inspirando mestres e grupos de carimbó, inclusive o que fundou e que tem entre seus integrantes um filho e um neto seus. 

O carimbó não morreu,
está de volta outra vez
O carimbó nunca morre,
quem canta o carimbó sou eu
Sou cobra venenosa, osso duro de roer
Sou cobra venenosa, cuidado vou te morder
(O Carimbó não morreu - Augusto Gomes Rodrigues – Mestre Verequete)

Recife, 9 de maio de 2014.

FONTES CONSULTADAS

CAVALCANTI, Alexandra. Morre Mestre Vereque. Amazônia, Belém, 4 nov. 2009. Disponível em:

COSTA, Tony Leão da. Música, literatura e identidade amazônica no século XX: o caso do carimbó no Pará. ArtCultura, Uberlândia, v. 12, n. 20, p. 61-81, jan.-jun. 2010. Disponível em:
<
http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF20/t_costa_20.pdf>. Acesso em: 8 maio 2014.

LEAL, Luis Augusto Pinheiro. O carimbó e o mestre Verequete – PA. Revista Raiz – Cultura do Brasil. Disponível em:
<
http://revistaraiz.uol.com.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=579&Itemid=190>. Acesso em: 08 maio 2014. 

COMO CITAR ESTE TEXTO:
Fonte: MORIM, Júlia. Verequete. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em:
<http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

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